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247 – O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), jogou no ataque diante da CPI do Cachoeira, nesta quarta-feira 13, e marcou posição de contraponto à do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que depôs na véspera. “Ofereço à CPI a quebra de todos os meus sigilos”, disse Agnelo, referindo-se aos segredos bancário, fiscal, telefônico, de e-mail e sms. Perillo não fez a mesma proposta à CPI, mas a quebra de seus sigilos será votada em breve pela Comissão.

“Não houve qualquer favorecimento à Delta ou a Carlinhos Cachoeira no Distrito Federal”, demarcou o governador. “Não fiz qualquer nomeação por indicação de Cachoeira”. Em Goiás, a administração estadual conta com executivos que mantém relações de parentesco e amizade com o contraventor.

Diversamente de Perillo, Agnelo não usou seu tempo de pronunciamento inaugural na sessão da CPI para divulgar dados sobre sua administração. Ele escolheu ir direto ao ponto. “Estou aqui para reestabelecer a verdade”, disse Agnelo. “A organização criminosa aqui investigada tentou derrubar o meu governo, legitimamente eleito”, sustentou. O governador, em dois momentos, citou grampos da Polícia Federal sobre o araponga Adalberto Araújo, o Dadá, e o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construção. “Não nomeamos nem um gari”, foi a frase de Dadá citada por Agnelo. “Ali a gente só apanha”, disse o governador, citando frande de Cavendish.

Enquanto, no dia anterior, Perillo informou que criara, em mandato anterior, uma legislação em Goiás favorável à operação de jogos caça-niqueis, então administrados pela empresa Gerplan, de propriedade de Carlinhos Cachoeira, nesta quarta Agnelo registrou posição diferente. “Não houve nenhum favarecimento ao jogo no Distrito Federal”, afirmou. “Pessoalmente, sou contrário à legalização do jogo. Há muitos efeitos colaterais nefastos”, completou.

Agnelo lembrou, ainda, que teve um pedido de impeachmet feito contra si pelo senador Demóstenes Torres, no ano passado. Perillo reiterou que Demóstenes fez parte de seu grupo político. “Ele era o nosso candidato a prefeito de Goiânia”, disse o governador de Goiás. Agnelo foi por outra linha: “Agora entendo porque Demóstenes pediu meu impeachment”, disse ele, numa referência velada às ligações entre o senador e o contraventor Cachoeira.

Abaixo, notícia anterior de 247:

247 - O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, iniciou às 10h38 seu depoimento à CPI do Cachoeira como uma postura agressiva. “Alguém aqui pode me citar um só nome de alguém que eu tinha indicado para o governo a pedido do sr. Carlos Cachoeira?”, questionou. E depois citou trecho de grampo do araponga Idalberto Mathias, o Dadá: “Não conseguimos nomear nem um gari”, repetiu o governador.

Nos primeiros minutos de seu depoimento, o governador afirmou que no vigésimo sexto dia de sua administração pediu auditoria em uma série de áreas da administração, entre elas o contrato da Delta Engenharia para coleta de lixo no DF. E afirmou que seu governo vem sendo perseguido pelo crime organizado. “A organização aqui investigada tramou a minha derrubada”, disse.

Citando conversas das operações da Polícia Federal, em que membros do grupo de Cachoeira criticam o governo do DF, Agnelo defende que não deixou o crime se instalar em seu governo. E desafiou os presentes a citarem algum caso de infiltração da organização do bicheiro no Estado. “Que negócio [essa organização] conseguiu fazer aqui?”, perguntou.

Como fez o governador de Goiás, Marconi Perillo, em seu depoimento à CPI nesta terça-feira, Agnelo Queiroz divulga números de seu governo, citando ações de destaque, como a contratação de servidores no setor de saúde, instalação de hospitais, e, principalmente a criação da Secretaria da Transparência do DF, pela qual, segundo ele, foram realizadas 14 mil auditorias. O governador falou também sobre a situação em que estava o governo quando assumiu, há um ano e meio. “Todos se lembram da quantidade de mosquitos que havia por conta do lixo, que não era recolhido”.

Causando agitação na CPI, o governador colocou à disposição dos parlamentares, ao final de seu depoimento inicial, a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. “Quem não deve não teme”, disse. Antes mesmo de terminar a fala, o depoente foi aplaudido na sessão.

O Globo

BRASÍLIA. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, começou seu depoimento à CPI do Cachoeira, nesta quarta-feira, às 10h35, dizendo que sua convocação é “fruto da luta política” e que as denúncias de que é alvo têm como objetivo tirá-lo do cargo.

Agnelo afirmou que a construtora Delta tinha apenas um contrato com o governo do DF na área de coleta de lixo e varrição, assinado em 9 de dezembro de 2010, ainda no período do então governador Rogério Rosso, quando Agnelo era apenas governador eleito. Ontem, a construtora foi considerada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU). Agnelo ressaltou também que não tem nenhuma relação com o contraventor Carlos Cachoeira.

- A organização aqui investigada tramou a minha derrubada. E não agiu sozinha. Valeu-se das falsas acusações plantadas no noticiário. Valeu-se da boa fé de pessoas ao misturar mentiras e meias verdades. Tudo com o objetivo de desgastar, desestabilizar e, por fim, me retirar do governo do Distrito Federal.

Ao terminar sua defesa, Agnelo colocou à disposição dos membros da CPI a quebra do seu sigilo bancário, telefônico e fiscal, diferente do primeiro governador convocado pela Comissão, Marconi Perillo, que, ontem, não permitiu que os parlamentares tivessem acesso a estas informações. Não é a primeira vez que o governador do DF permite a quebra de seu sigilo fiscal: em abril deste ano, ele concedeu a mesma permissão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

- Sei que não é usual uma testemunha fazer o que peço. Mas ofereço dar a CPI todos os meus sigilos. Ouvi alguns dias atrás de um homem do povo, o “velho adágio”, segundo o qual quem não deve não teme – disse o governador.

Durante a sessão, parlamentares do PT e PDT apresentaram um requerimento com pedido das quebras dos dois governadores. O documento deverá ser apreciado nesta quinta-feira. Para que isso aconteça, os governistas não permitirão que o governador do DGF assine ainda hoje um documento abrindo mão dos seus dados.

- A oposição tentou uma manobra de resolver só o problema do Agnelo. Nós queremos os dois. O Agnelo mostrou que não tem nada a temer, diferentemente do Perillo – afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) elogiou o gesto do governador Agnelo Queiroz de dispor espontaneamente a quebra dos sigilos. Ele cobrou que a comissão vote o requerimento para a quebra do sigilo do tucano Marconi Perillo.

- Eu creio que torna inevitável, amanhã, que a CPI proceda a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico também do governador Marconi Perillo – afirmou o senador.

Contratos com a Delta

Sobre o contrato com a Delta para limpeza pública no DF , o governador ressaltou que esse contrato foi firmado antes de sua gestão, e mediante decisão liminar, determinada pela Justiça. Ele afirmou que 26 dias após tomar posse pediu auditoria nos serviços da limpeza. No último dia 6, o governo do DF notificou a empresa sobre o rompimento deste contrato.

Agnelo rebateu a acusação de que teria, como governador eleito, enviado ofício a Rosso solicitando a prorrogação do contrato com a Delta. Segundo ele, o ofício pedia a prorrogação de contratos “essenciais” que vencessem em dezembro e janeiro. Agnelo afirmou que esse não era o caso da Delta, cujo contrato, com duração de 52 meses, venceria em 2015.

- A empresa (Delta) foi desclassificada, e as outras empresas foram qualificadas, e assinaram contrato com a SLU ( Secretaria de Limpeza Urbana) . Veio a decisão judicial, que desqualificou o contrato. No lugar da Qualix e da Valor Ambiental, a SLU assinou contrato com a Delta. O preço baixo da Delta, de certo, tinha motivo para existir. Se os serviços fossem feitos ante um governo amigo, que permitisse ao lucro não ter fiscalização, permitia ter os preços baixos. Mas o governo eleito pelo povo do Distrito Federal não era amigo – disse Agnelo.

Agnelo afirmou ainda que, em janeiro deste ano, iniciou a pesagem dos caminhões de lixo recolhido pela Delta, o que levou a uma redução de R$ 1 milhão nos pagamentos à empresa.

Agnelo também afirmou que não conhece o presidente afastado da Delta, Fernando Cavendish: – Nunca encontrei com o sr. Fernando Cavendish. Nunca encontrei nem socialmente com ele. Nunca tomei café, nada.

Relações com Cachoeira

O governador do DF disse que se encontrou uma única vez com o contraventor Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que isso ocorreu na época em que era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Agnelo contou que esteve com Carlinhos Cachoeira durante visita de trabalho à empresa Vitaplan, de propriedade do contraventor, em Anápolis (GO). O governador disse que, como diretor da Anvisa, visitava diversas empresas e que, na Vitaplan, manteve contato com a equipe técnica.

Agnelo enfatizou que não há ligação telefônica dele com Cachoeira nas gravações da PF.

- Não tem uma ligação minha, não tem uma ligação comigo ou qualquer secretário meu, do Cachoeira ou do seu grupo diretamente. Voz, interceptação dessas pessoas. Portanto, sr. presidente (da CPMI, senador Vital do Rêgo), acredito que a apuração da Polícia Federal, que respeito muito, muito séria, detalhada, ela não deixa dúvida nenhuma – disse Agnelo.

Segundo o governador, as informações divulgadas na imprensa sobre casas de jogos fora dos limites do DF são “infundadas”: – A história que hoje trago é a de um governo que vem sendo perseguido pelo crime organizado.

Aumento de patrimônio

Agnelo Queiroz afirmou que não há irregularidade em sua evolução patrimonial. Ele explicou que comprou a casa onde mora no período em que estava sem mandato, lembrando que tanto ele quanto a mulher são médicos e, portanto, teriam condições de adquirir o imóvel. O governador disse que a decisão de abrir mão de seus sigilos bancário e fiscal, além do telefônico, tem o objetivo de mostrar justamente isso.

- O único período que não tinha mandato, que não estava cuidando da atividade pública, foi justamente o período em que fiz a aquisição, e isso ser considerado como se fosse um crime ou uma desonestidade, isso é inadmissível, não admito uma coisa dessas.

Agnelo falou sobre o tema ao responder ao relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), que mencionou reportagem do GLOBO, do último domingo, que mostra que o patrimônio de Agnelo cresceu quase 12 vezes de 1998 a 2010. O governador disse à CPI que o ritmo de crescimento se deu nessa velocidade pelo fato de ser um patrimônio pequeno.

- Não quero nenhum tipo de suspeição sobre a minha vida. Eu tenho uma história de vida. Fui deputado distrital, deputado federal, ministro de Estado de Esporte do presidente Lula, e diretor da Anvisa. Uma história como essa, com 30 anos de trabalho, como médico que sou, minha esposa também, já aposentada por tempo de serviço, é evidente que não posso ouvir aleivosias dessa ordem – disse o governador.

Logo no começo do depoimento de Agnelo, alunos de universidade federais em greve protestavam nos corredores. No entanto, não há registro de tumultos.

Da VEJA, Cachoeira de DadosBrasil 247 – 

Em agosto de 2011, o deputado federal Francisco Francischini (PSDB) foi entrevistado pela revista VEJA (#VEJAbandida) e disse não possuir o “telhado de vidro”, a VEJA ainda o chamou de “policial implacável”.

Sabe-se que não pode-se esperar coisas boas vindas do PSDB, mas o que se descobre agora, é que o deputado federal Francischini (PSDB) possuía relações íntimas com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ele tramava a queda do governador petista Agnelo Queiroz e, segundo gravações feitas pela Polícia Federal, trocaria seu domicílio eleitoral do Paraná para o Distrito Federal com o intuito de virar governador.

Em 16 de abril deste ano, VEJA publicou a reportagem “Espiões vermelhos”, sobre o suposto núcleo de arapongagem no DF, que estaria investigando políticos, empresários e jornalistas, por isso, em Brasília, foi criada a CPI da Arapongagem, para investigar o caso. Uma das supostas vítimas, seria o deputado Fernando Francischini (PSDB/PR), este disse, inclusive, que pediria a prisão do governador Agnelo Queiroz.

No anexo 7 do inquérito (leia mais aqui), há várias menções ao nome de Francischini – e todas elas, anteriores à publicação da reportagem de Veja sobre os “espiões vermelhos”.

No dia 31 de janeiro, Dadá faz referência a uma mensagem enviada por Francischini. Dadá se refere ainda a um contrato na Polícia Civil do Distrito Federal e a um encontro com o parlamentar tucano.

No dia 4 de fevereiro, Dadá telefona para o bicheiro Carlos Cachoeira e revela que vem sendo ajudado por Francischini. Diz até que o parlamentar tucano estaria trazendo seu título de eleitor do Paraná para o Distrito Federal, onde tentaria ser candidato a governador.

- Quem me falou foi um cara que tá ajudando a gente… é, montando um escritório aí, com aquele delegado Francischini, bancando pra fuder o governador… e o Francischini tá trazendo – é deputado federal que é delegado – tá trazendo o título dele para ser candidato a governador.

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Leia, abaixo, a reportagem “Espiões Vermelhos”, publicada por Veja em 16 de abril deste ano.

VEJA: Espiões vermelhos

16/04/2012

O Ministério Público descobre que o governo petista de Brasília criou uma repartição para investigar aliados, adversários políticos, promotores e jornalistas

Rodrigo Rangel

Desde que assumiu o cargo, no ano passado, o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, vive enredado em denúncias. Já vieram à tona irregularidades dos tempos em que era ministro do Esporte do governo Lula, acusações de cobrança de propina quando era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, agora, conluio entre seu gabinete e os negócios do contraventor Carlinhos Cachoeira. Agnelo é investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em todos os casos, ele jura inocência e repete que tudo não passa de perseguição política, porque estaria tentando livrar a capital do país de uma rede de corrupção montada por antecessores. O esforço do governador para se afastar dos problemas, no entanto, parece ter extrapolado muito qualquer tática defensiva. Agnelo resolveu investigar clandestinamente seus acusadores, um velho hábito do PT para tentar se safar de denúncias de corrupção a partir da destruição do acusador. Estão no rol do governador políticos, promotores e jornalistas.

A ação ilegal de arapongas a serviço do governador está sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal. Policiais militares formalmente lotados no palácio do governo, a poucos metros de seu gabinete, violaram sistemas oficiais de informações, inclusive da Receita Federal, para levantar dados sobre alvos escolhidos pelo gabinete do governador. A bisbilhotagem, até onde os investigadores já descobriram, começou no fim do ano passado e teve como vítima o deputado Federal Fernando Francischini, do PSDB do Paraná. Delegado da Polícia Federal, Francischini tornou-se inimigo de Agnelo depois de defender publicamente a prisão do governador com base em documentos que comprovariam uma evolução patrimonial incompatível com os vencimentos do petista. A partir daí, começaram a circular em Brasília dossiês com detalhes da vida privada do deputado, que registrou queixa na policia. O Ministério Público, então, passou a investigar a origem das informações que constavam nos dossiês. Para identificar os responsáveis, foram feitos pedidos de informações a órgãos que gerenciam os bancos de dados oficiais.

As primeiras respostas vieram do Ministério da Justiça, que mantém sob sua guarda o Infoseg, sistema que reúne informações sobre todos os brasileiros – desde números de documentos pessoais até endereços e pendengas com a Justiça. Abastecido pelas Polícias do país e protegido por sigilo, o sistema só pode ser aberto por funcionários autorizados em investigações formais. Cada acesso deixa registrada a senha de quem fez a consulta. Seguindo esse rastro, os investigadores descobriram o nome de dois policiais militares de Brasília que haviam consultado informações sobre o deputado Francischini no fim do ano passado, justamente no período em que o parlamentar fez as denúncias contra o governador. Responsáveis pela arapongagem, o subtenente Leonel Saraiva e o sargento Itaelson Rodrigues estavam lotados na Casa Militar do Palácio do Buriti, a sede do governo do Distrito Federal. Detalhe: as consultas haviam sido feitas a partir de computadores do governo localizados dentro do palácio.

Identificados os dois militares, o passo seguinte foi conferir no sistema as outras fichas consultadas por eles. Descobriu-se que os policiais haviam violado informações sobre mais de vinte indivíduos, todos desafetos do governador. Uma das vítimas foi o promotor de Justiça Wilton Queiroz de Lima, coordenador do Núcleo de Inteligência do Ministério Público de Brasília e responsável por algumas das principais investigações que envolvem a gestão de Agnelo. A lista inclui jornalistas cujas reportagens descontentaram o governador. Para surpresa dos investigadores, os arapongas violaram dados até de aliados, como os do vice de Agnelo, o peemedebista Tadeu Filippelli. A mesma sorte teve o chefe de Polícia da capital, Jorge Xavier, que foi seguido e filmado pelos arapongas. No caso do deputado Francischini, a investigação indica que as violações se estenderam aos sistemas da Receita Federal. Dados cadastrais do parlamentar guardados nos arquivos do Fisco foram consultados, no mesmo período, a partir de uma senha de uso exclusivo do governo do Distrito Federal.

Na quinta-feira, VEJA localizou um dos arapongas em pleno expediente no palácio. Ao ser indagado sobre a função que exerce no governo, o subtenente Saraiva silenciou. Sobre os dados pesquisados ilegalmente, saiu pela tangente: “Eu nem tenho acesso a isso”. Já o sargento Itaelson não foi localizado. Coube a outro policial militar, lotado numa das entradas do palácio e conhecido dos arapongas, a confidência sobre a real atividade da área em que trabalham: “É o setor de inteligência”. Os dois militares foram nomeados no fim do ano passado, em atos assinados pelo próprio Agnelo para cargos comissionados na Subsecretaria de Operações da Casa Militar do governo. Eles obedecem ao comando do coronel Rogério Leão, especialista em inteligência, que trocou a área de segurança da Presidência da República pelo governo do Distrito Federal assim que Agnelo tomou posse. O coronel Leão é apontado pelos investigadores como um dos chefes do grupo de espionagem, ao lado de Cláudio Monteiro, agente aposentado da Polícia Civil que era chefe de gabinete de Agnelo até terça-feira. Monteiro foi afastado após virem a público suspeitas de que ele mantinha relações heterodoxas com o grupo de Carlinhos Cachoeira.

A VEJA, o coronel Leão admitiu que foram feitas pesquisas sobre Francischini e as atribui uma norma que ele próprio baixou: “A ordem aqui é para levantar informações sobre todas as pessoas, independentemente de quem sejam, que atentam contra a integridade do governador”. O coronel diz que, no caso do deputado, os dados foram levantados porque ele teria convocado uma manifestação contra Agnelo num shopping de Brasília. “A gente pesquisa pessoas e não sabe se é deputado ou não. Afinal, são mais de 500 deputados federais em Brasília. Nesse caso, não havia informação de que ele é deputado”, afirmou. Ele negou ter conhecimento de relatórios sobre promotores e, a respeito de jornalistas, disse saber apenas de algumas “pesquisas” acerca de Edson Sombra, um dos pivôs da queda de José Roberto Arruda e titular de um blog com críticas ferrenhas a Agnelo. O vice-governador Filippelli disse que nunca soube da existência do grupo de inteligência e que pedirá “esclarecimentos oficiais” sobre o assunto. Já o governador Agnelo declarou que nunca foi informado sobre pesquisas envolvendo políticos, promotores e jornalistas. O governador afirmou ainda que, se houve violação das normas dos serviços de inteligência, ele tomará as providências cabíveis.

Brasília 247 – O inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), revelado na íntegra com exclusividade pelo Brasil 247, mostra que o contraventor Carlos Cachoeira chamava o governador do estado de Goiás, Marconi Perillo, de número 1 entre seus interlocutores.

Confira a transcrição da passagem que chama Marconi de número 1, localizada na página 94 do volume 7 do inquérito.

TELEFONE NOME DO ALVO

31601002’7445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS• MONTE CARLO

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO

CARLINHOS X CLAUDIO(I’LX)

DATA/HORA INICIAL DATAIHORA FINAL DURAÇÃO

15/07/2011 19:32:21 15/07/2011 19:33:16 00:00:55

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO

316010027445095 316010027459804 316010027459804 R

•RESUMO

CLAUDIO pergunta se não tem jeito de EDIVALDO ir para o lugar de JOÃO FURTADO e como foi a conversa com o NÚMERO I (MARCONI). CARUNHOS diz que MARCONI quer falar com ele pessoalemente c marcou um encontro na quarta-feira à noite na casa de MARCONT.

As investigações apresentadas no volume 7 do inquérito mostram que Carlos Cachoeira tinha participações no governo do Estado de Goiás, como apresentado na transcrição abaixo.

“Os contatos onde o GOVERNADOR MARCONI PERILLO é citado demonstram claramente o envolvimento de CARLINHOS CACHOEIRA com o GOVERNO do ESTADO de GOIÁS, dando a entender que CACHOEIRA teria influência em algumas decisões tomadas pelo GOVERNO. Há diversos áudios que indicam o envio de recados, tanto da parte do GOVERNADOR para CARLINHOS, quanto o inverso, sendo o SENADOR DEMÓSTENES TORRES, EDIVALDO CARDOSO e WLADIMIR GARCEZ os principais emissários destes recados. Alguns diálogos demonstram intimidade entre o GOVERNADOR e pessoas ligadas a CARLINHOS, como ocorreu no episódio da morte de uma pessoa conhecida por DEOCLECIANO.”

Para acessar o volume 7 do inquérito na íntegra, clique aqui.

Depois de várias ameaças, o ex-governador José Roberto Arruda, expulso do DEM no auge do escândalo do mensalão no governo do Distrito Federal, envolveu vários políticos no esquema de captação de recursos junto a empresários – supostamente ilegal – para financiar suas campanhas. Ele disse, em entrevista a “Veja Online” nesta quinta-feira, que ajudou não só políticos do DEM – como o novo presidente da legenda, senador José Agripino Maia (RN) -, mas também integrantes do PSDB e de outros partidos, como o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Com o discurso de que não fez nada além do que é feito por toda classe política na captação de recursos para campanhas eleitorais, Arruda sugere na entrevista que o dinheiro era ilegal, mas que é assim que se faz campanha no Brasil:

- As empresas e os lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo ou outros negócios vantajosos. Ninguém se elege pela força de suas ideias, mas pelo tamanho do bolso.

O ex-governador, que renunciou ao cargo para não ter o mandato cassado e depois passou dois meses preso na Polícia Federal em Brasília, disse na entrevista que fez todos os repasses para o DEM, com o aval do então presidente Rodrigo Maia (RJ).

Ele citou pelo menos uma dezena de políticos que teriam lhe pedido recursos para campanha, além de José Agripino e Cristovam Buarque: os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), Marco Maciel (DEM-PE) e Sergio Guerra (PSDB-PE) e os deputados Ronaldo Caiado (DEM-GO) e ACM Neto (DEM-BA), e o ex-ministro tucano José Eduardo Caldas Pereira. Todos negaram que a origem dos recursos era ilegal e ameaçam processar Arruda.

Segundo Arruda, quem ele não ajudou desta forma, foi ajudado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que está saindo do DEM.

- Eu era o único governador do DEM. Recebia pedidos de todos os estados. E atendi dos pequenos favores aos financiamentos de campanha. Ajudei todos.

Perguntado de que modo conseguia o dinheiro para ajudar os colegas de partido, disse:

- Como governador, tinha um excelente relacionamento com os grandes empresários. Usei essa influência para ajudar meu partido, nunca em proveito próprio. Pedia ajuda a esses empresários: “Dizia: ‘Olha, você sabe que eu nunca pedi propina, mas preciso de tal favor para o partido”. Eles sempre ajudaram. Fiz o que todas as lideranças políticas fazem. Era minha obrigação como único governador eleito do DEM – disse Arruda, completando que somente o presidente do DEM pode responder se esse dinheiro foi declarado.

Se queixou especialmente de Agripino e Demóstenes:

- Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. (…) Em 2008, o senador Agripino veio à minha casa pedir 150 mil reais para a campanha da sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Sousa (PV). Eu ajudei. O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília.

Disse que ajudou também o próprio Rodrigo Maia:

- Consegui recursos para a candidata à prefeita dele e do Cesar Maia no Rio, em 2008. Também obtive doações para a candidatura de ACM Neto à prefeitura de Salvador.

Ao citar o ex-senador Marco Maciel, ressaltou que ninguém pode duvidar da honestidade dele, mas que também repassou recursos para sua campanha. E sobre Cristovam Buarque, afirmou:

- Eu conheço há décadas, um dos homens mais honestos do Brasil, saiu de sua campanha presidencial, em 2006, com dívidas enormes. Ele pediu e eu ajudei.

OUTRO LADO

Agripino Maia negou que tenha pedido ajuda de Arruda:

- Arruda tem razões para mágoa. Eu, Demóstenes e Caiado pedimos sua expulsão sumária do DEM. Essa informação dele é totalmente infundada, repilo à altura. Mas ele cita Micarla e diz que ela, inclusive foi à casa dele agradecer. Que ela seja ouvida. É uma coisa checável. Micarla não tem mais ligações políticas comigo, não faz parte da minha aliança. Ouça-se a prefeita.

O secretário-geral do PSDB, Eduardo Jorge, confirmou que pediu ajuda dele no início de seu governo no DF para saldar dívidas do partido. Afirmou que a ajuda teria sido feita por “um empresário amigo” a partir da interferência de Arruda e que a doação foi oficialmente declarada à Justiça eleitoral, mas não soube informar qual o valor nem identificou o doador:

- Mesmo se soubesse não diria. Nesse momento atual não cabe dizer o nome para não envolver no caso. Mas foi tudo legal e registrado – afirmou o dirigente tucano, acrescentando que Arruda ajudou os tucanos sem pedir nada em troca.

O atual líder do DEM, ACM Neto negou a versão de Arruda:

- É um absurdo. Nunca estive com Arruda para tratar da campanha de Salvador. Não recebi, nem diretamente, nem indiretamente, por meio do partido, qualquer recurso. Só posso atribuir isso a uma tentativa de prejudicar o partido no momento em que ele está se reestruturando – disse o baiano.

Rodrigo Maia admitiu à “Veja” que Arruda era influente e ajudou o partido, mas negou que os recursos eram ilegais e que o ex-governador tenha ajudado na campanha do Rio:

- Está tudo registrado na contabilidade do partido.

 

O Globo

 

Alckmin, Cerra e Covas: algo a declarar ? 

Saiu no portal R7:

Testemunha desvenda esquema de propina do Metrô de SP e DF
(na transição do Governo Covas para o Governo Alckmin – PHA)

Dinheiro de “caixinha” vinha por meio de duas offshores do Uruguai, segundo documentos 

Gilberto Nascimento, do R7

Informações sigilosas de uma importante testemunha vão ajudar a desvendar um esquema internacional de propina que, segundo denúncias, teria sido montado no Brasil pelas multinacionais Alstom e Siemens.

Uma figura que acompanhou de perto contratos firmados nos últimos anos pelas duas empresas com os governos do PSDB em São Paulo e do DEM no Distrito Federal para a compra de trens e manutenção de metrô passou a fazer novas revelações e a esmiuçar os caminhos do propinoduto europeu em direção ao Brasil.

Supostos “acertos” e negociações atribuídos a representantes das duas companhias estão em um documento elaborado por essa fonte e encaminhado ao Ministério Público de São Paulo.

Contatada pelo R7, a testemunha – que se identifica apenas como F. e teme ser fotografada por causa de represálias – dá detalhes de como a propina chegava ao Brasil por meio de duas offshores (paraísos fiscais), a  Leraway e a Gantown, sediadas no Uruguai, e de como a Alstom e a Siemens teriam se utilizado da contratação de outras empresas para encaminhar o dinheiro da “caixinha” a políticos, autoridades e diretores de empresas públicas de São Paulo e de Brasília.

F. relata esquemas supostamente arquitetados para a obtenção de contratos da linha 5 do metrô no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo; para a entrega e a manutenção dos trens série 3000 (também conhecidos como trem alemão) para o governo paulista, além da conservação do metrô do Distrito Federal.

O deputado estadual Simão Pedro (PT) encaminhará ao Ministério Público de São Paulo nos próximos dias uma representação pedindo a investigação das denúncias feitas por F..

Sob investigação na Europa

A francesa Alstom e a alemã Siemens foram alvos de investigações na Suíça e na Alemanha por causa da acusação de pagamento de suborno a políticos e autoridades da Europa, África, Ásia e América do Sul. Somente a Siemens teria feito pagamentos suspeitos num total de US$ 2 bilhões.

Um tribunal de Munique acusou a empresa alemã de ter pagado propina a autoridades da Nigéria, Líbia e Rússia. O ex-diretor Reinhard Siekaczek acrescentou que o esquema de corrupção atingiria ainda Brasil, Argentina, Camarões, Egito, Grécia, Polônia e Espanha.

Já a propina paga pela Alstom em diversos países – incluindo o Brasil -, pode ter sido superior a US$ 430 milhões, de acordo com os cálculos da Justiça suíça. No Brasil, a empresa foi acusada, por exemplo, de pagar US$ 6,8 milhões em propina para receber um contrato de US$ 45 milhões no metrô de São Paulo.

A francesa Alstom fabrica turbinas elétricas, trens de alta velocidade e vagões de metrô. Maior empresa de engenharia da Europa, a alemã Siemens faz desde lâmpadas até trens-bala. As duas companhias são concorrentes, mas em determinados momentos na disputa tornavam-se aliadas, conforme a testemunha.

Para trazer o dinheiro ao Brasil

O esquema para mandar dinheiro ao Brasil via offshore, revela F., conta com a participação das empresas Procint e Constech, sediadas na capital paulista e pertencentes aos lobistas Arthur Teixeira e Sergio Teixeira. As offshores Leraway e Gantown seriam sócias da Procint e da Constech. F. mostrou cópias de contratos firmados pela Siemens da Alemanha com as duas offshores. Segundo ele, esses contratos comprovam o envolvimento da empresa alemã no esquema.

As offshores também teriam sido utilizadas, diz a testemunha, em outros contratos com empresas como a MGE Transportes, TTetrans Sistemas Metroferroviários, Bombardier (canadense), Mitsui (japonesa) e CAF (espanhola).
Há dois anos, parte dos documentos em poder de F. foram enviados para o Ministério Público de São Paulo e para o Ministério Público Federal. Promotores confirmaram a veracidade de informações ali contidas. No entanto, ainda não conseguiram colher o depoimento da testemunha, localizada agora pelo R7.

O promotor Valter Santin confirmou que o caso já vem sendo investigado, mas disse que não pode revelar detalhes “por ser sigiloso e envolver conexões internacionais”.

Documentação

Uma documentação bem mais ampla – só agora exibida ao R7 – foi enviada por F., em 2008, ao escritório de advocacia Nuremberg, Beckstein e Partners,  da Alemanha. Na época, o escritório atuava como uma espécie de ombusdman da Siemens.

- Por que a Siemens não investigou as denúncias encaminhadas e por que a companhia no Brasil foi poupada nas investigações? Não foi por falta de informação, pois a carta mencionada revelava todos os nomes e detalhes e incluía provas dos esquemas de corrupção, avalia F.

Por meio de uma nota, a Siemens diz conduzir seus negócios “dentro dos mais rígidos princípios, legais, éticos e responsáveis” e afirma não ter firmado contrato em parceria ou consórcio “com nenhum concorrente no que tange à manutenção de metrôs”.

Na mesma linha, a Alstom afirmou em um comunicado que segue “um rígido código de ética, definido e implementado por meio de sérios procedimentos, de maneira a respeitar todas as leis e regulamentações mundialmente”.  A empresa disse que está colaborando com as investigações e “até o momento, as suspeitas de irregularidades em contratos não foram comprovadas e não estão embasadas em provas concretas”.

O Metrô de São Paulo e a CPTM afirmaram, por meio de nota, que desconhecem os fatos mencionados e esclarecem que os seus contratos firmados com qualquer empresa “obedecem à legislação específica que norteia a lisura do processo licitatório, além de serem submetidos ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE)”.

Já o Metrô do DF afirmou, em nota, que desconhece as irregularidades apontadas e que “a licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal”. Veja a íntegra da nota:

“O Metrô-DF desconhece as supostas irregularidades apontadas anonimamente pela reportagem do Portal R7 e, ressalta que:

- O processo de licitação para a manutenção do Metrô-DF (transcorrido em gestão anterior), seguiu a modalidade de licitação de concorrência pública tipo técnica e preço, sendo que no primeiro aspecto as duas empresas finalistas receberam a pontuação máxima;

- No quesito preço, o consórcio Metroman apresentou a melhor proposta (menor preço), vencendo então a licitação;

- A licitação foi acompanhada em todas as suas etapas pelos órgãos de controle externo, em especial o Tribunal de Contas do Distrito Federal;

- O consórcio Metroman vem atendendo satisfatoriamente todas as demandas de manutenção apresentadas pelo Metrô-DF.

Coordenação de Comunicação do Metrô-DF”

Conversa Afiada