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Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

19 de julho de 2011

 

Da Página do MST

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.

Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.

A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.

A repórter até então interessada não entrou mais em contato. E a reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.

Por que será?

Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST que não saíram em O Globo.

Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações – privataria – e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos – tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal – ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato – também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?

Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay…e por que não contra a corrupção?

Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.

Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes – como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul – mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

A sensação é de impunidade?

Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve coma devolução do dinheiro roubado…

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(…) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”

Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.

São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF – por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF – que acabam naturalizando a impunidade junto a população.

O governo do Rio Grande do Sul, comandado por Tarso Genro (PT), vai reativar as escolas itinerantes para filhos de acampados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que haviam sido fechadas em 2009 por acordo entre a administração anterior, de Yeda Crusius (PSDB), e o Ministério Público Estadual. A decisão foi confirmada nesta treça-feira(26) pelo secretário da Educação, José Clóvis de Azevedo.

Pelo sistema que funcionou de 1996 a 2009, educadores ligados a organizações não governamentais (ONGs) acompanhavam os deslocamentos dos militantes do MST para dar aulas aos filhos dos acampados, com custos bancados pelo Estado, que tem atribuição constitucional de oferecer educação a todos. Por entenderem que não havia controle sobre o currículo, o governo anterior e o procurador de Justiça Gilberto Thums firmaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para fechar as escolas itinerantes e oferecer vagas em escolas fixas, na região de cada acampamento.

Azevedo disse que a reabertura das escolas não significa a retomada do modelo existente até 2009. “Aplicaremos o sistema oficial, com professores da rede pública e currículo adequado à política educacional do Estado”, avisa. A coordenadora da área de educação do MST, Izabela Braga, diz que os sem-terra não têm objeção à nova forma.

A retomada das escolas itinerantes depende agora de um levantamento da demanda e da posterior identificação ou contratação de professores disponíveis para a tarefa. A secretaria estima que cerca de 500 crianças deixaram de ir à escola, sobretudo por dificuldades de locomoção, durante algum período dos dois últimos anos. Cerca de mil famílias estão em oito acampamentos do MST espalhados pelo Estado.

Para restabelecer as escolas itinerantes, o atual governo do Rio Grande do Sul usou um parecer da Procuradoria-Geral do Estado que considerou o TAC nulo por ter sido assinado somente pela então secretária da Educação, Mariza Abreu, e não pela governadora Yeda Crusius. O procurador Julio Finger, secretário-geral do Ministério Público Estadual, diz que, diante de uma nova realidade, o TAC passou para um plano secundário. “O acordo foi firmado sob as condições daquele momento”, compara. “Agora o governo afirma que tem condições de oferecer educação de acordo com a lei”, prossegue. “O que interessa é que o direito das crianças seja atendido”.

Gazeta do Povo

AMANHÃ, terça (19/4), que João Pedro Stédiledirigente do MST, vai debater “O agronegócio e suas consequências sobre a vida da cidade” no ciclo de palestras sobre temas brasileiros no Teatro Oi Casa Grande.

Sempre às 20h, a cada mês uma personalidade falará, seguido de debate, sobre assuntos do Brasil e de nossa inserção no mundo.

Em maio teremos o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Em junho, o reitor da UFRJ Aloísio Teixeira.

Também está prevista uma homenagem ao centenário de nascimento de Nelson Werneck Sodré e a discussão dos 100 dias do governo Dilma.

Mês passado, realizamos – com enorme sucesso! – palestra com Emir Sader sobre “Neoliberalismo e posneoliberalismo na America Latina”, cuja transcrição vai ser publicada no jornal de Cultura e Política Algo a Dizer (www.algoadizer.com.br).

Essas encontros são uma organização conjunta do Instituto Casa Grande (ICG –http://institutocasagrande.wordpress.com/) e do jornal Algo a Dizer.

Entrada franca!

Não tem inscrição prévia nem nada: é só chegar um pouco antes da hora do início.

Estacionamento, PAGO, no Shopping Leblon.

Teatro Oi Casa Grande (http://oicasagrande.oi.com.br/) fica na Rua Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon.

É simplesmente nojenta a matéria de capa e manchete da página 10 de hoje de O Globo.

Faz um escândalo  com o fato de o Governo da Bahia (leia-se Jacques Wagner) mandar dar comida aos mais de três mil pobres do MST que, pedindo um pedacinho de terra, ocuparam pacificamente a Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária do Estado.

Comida, arroz, feijão e  o pior,  carne. Menos de 200 gramas por dia para cada pessoa, mas é um absurdo!

E banheiros químicos, vejam que despautério, para que eles façam suas necessidades.

Ah, e chuveiros e água, para tomarem banho.

É, como diz o jornal, “uma colônia de férias”. Vocêr pode ver na foto uma atividade de lazer: fazer carne de sol, para guardar um pouco para ter o que comer amanhã, que luxo!

A matéria é tão abjeta que nem mesmo encarregaram um repórter do jornal de fazê-la. Encomendaram-na de um graduado do jornal A Tarde, de Salvador, conhecido pelas ligações que diz não ter com o carlismo.

Carne para os sem-terra comerem, que escândalo. Um abuso, uma fartura, um exagero. Ora, nem os cavalos do Haras da família Marinho “comem carne, onde já se viu! Segundo a Folha, só ração e feno trazido do sul, além de linhaça. “Sem frescura”, diz o jornal. Tomam banho com xampú neutro, enquanto os sem-terra esbanjam com sabão de côco.

Os cavalos do Haras Marinho só custam, além disso, mais R$ 3.600 por mês ou mais R$ 1.000, quando vão para um SPA. Preços de 2009, está na Folha.

Blog do Brizola Neto – Tijolaço

Altamiro Borges: Reproduzo artigo de Leandro Fortes, publicado em dezembro passado no sítio da revistaCartaCapital:

Ironia do destino, caberá à presidente eleita, Dilma Rousseff, pôr fim a uma guerra interna do governo federal: qual é a posição que o Brasil deve ter sobre o terrorismo? Ex-militante da esquerda armada durante a ditadura, a sucessora de Lula foi chamada de terrorista na campanha eleitoral. Mas, como decidiu manter Nelson Jobim no Ministério da Defesa, vai continuar a conviver com o intenso lobby dos militares, apoiados pela turma conservadora da agricultura, a favor de uma lei que defina como terroristas os líderes de movimentos sociais, inclusive estudantes e atingidos por barragens. E, sobretudo, os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o MST. No governo Lula, a ideia nunca prosperou, o que não desanimou os defensores do projeto.

Um grupo de trabalho montado no governo passou os últimos dois anos debruçado sobre um tema geral – a elaboração de uma nova Lei de Segurança Nacional – para cuidar de outro, específico e mais urgente, a tipificação do crime de terrorismo no Brasil. Entre os integrantes do grupo, criado em 14 de julho de 2008, estavam representantes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), Casa Civil, Advocacia-Geral da União (AGU), dos ministérios da Justiça, Defesa, Relações Exteriores, Planejamento, Ciência e Tecnologia, além dos comandos do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Há cinco meses, e após dez reuniões de trabalho, foi produzido um relatório ambíguo e conflituoso. As discussões, conduzidas pela Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, desembocaram num texto dividido em quatro eixos: a defesa das instituições democráticas; as ameaças externas; as ameaças às áreas estratégicas econômicas e de infraestrutura; e o combate ao terrorismo.

Nos três primeiros tópicos, salvo poucas questões conceituais, não houve divergências relevantes. No quesito terrorismo, contudo, o coordenador do grupo de trabalho, Felipe de Paula, titular da secretaria, foi obrigado a capitular diante do lobby fardado: cravou, no texto final, a opção preferencial pelo combate ao financiamento ao terrorismo, tese defendida pelo setor civil do grupo, mas viu-se obrigado a relatar a divergência a respeito da necessidade de se tipificar o crime de terrorismo, como queriam os militares comandados por Jobim.

As contradições estabelecidas em torno do tema têm um vício de origem. O grupo de trabalho foi criado no ambiente da chamada Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden) do Conselho de Governo, órgão de assessoramento do presidente da República. O presidente do Creden é o general Jorge Armando Félix, ministro-chefe do GSI e personagem central desse cabo de guerra travado, desde o início do governo Lula, entre os aliados aos movimentos sociais e os setores afinados aos comandantes militares. De 2006 para cá, Félix e sua tropa investiram duas vezes na tentativa de tipificar o terrorismo. Perderam a primeira batalha em 2007, mas conseguiram abrir uma brecha na segunda, em 2010 – e é aí que a posição de Dilma Rousseff será decisiva.

A presidente está na origem do movimento interno, levada a cabo no Palácio do Planalto, que frustrou a primeira tentativa de enquadrar os movimentos sociais como agentes do terrorismo. Em novembro de 2007, após dez meses de estudo, o então ministro Tarso Genro conseguiu matar um anteprojeto que pretendia igualar, em status e infâmia, o líder do MST João Pedro Stedile a Osama bin Laden.

Um ano antes, a ideia de se tipificar o terrorismo havia ganhado corpo no âmbito da chamada Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (Encla), elaborada em reuniões rea-lizadas, todos os anos, para definir a política brasileira de enfrentamento a esse tipo de crime. Embora o objetivo da Encla nada tenha a ver com terrorismo, o assunto foi colocado na agenda por pressão do GSI. Para tal, formou-se um primeiro grupo de trabalho do qual faziam parte a AGU, a Casa Civil, o Ministério da Defesa, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Associação Nacional de Juízes Federais.

À frente das discussões, e à revelia do Ministério da Justiça, o general Félix apressou-se em produzir uma pérola normativa de tal forma genérica que, no fim das contas, poderia transformar em terrorista tanto um genocida como estudantes que invadam reitorias para reivindicar melhora na comida do reda universidade. Era assim o artigo 1º do texto bolado pelo GSI: “Os crimes previstos neste título serão punidos quando cometidos com a finalidade de infundir estado de pânico ou insegurança na sociedade, para intimidar o Estado, organização internacional ou pessoa jurídica, nacional ou estrangeira, ou coagi-los à ação ou omissão”. Nesses termos, até os humoristas do CQC ou do Pânico poderiam ser presos e autuados como terroristas.

Antes de Genro, Márcio Thomaz Bastos teve o cuidado de engavetar o delírio antiterrorista do GSI sob o argumento de que o texto tinha apenas um objetivo: incriminar os movimentos sociais. Para recolocar o assunto nos trilhos da legalidade, Bastos tirou a discussão da esfera do general Félix e nomeou o então secretário de assuntos legislativos da pasta, Pedro Abramovay, atual secretário nacional de Justiça, para conduzir os trabalhos. Em seguida, decidiu encaminhar ao Congresso uma proposta de emenda ao projeto de lei sobre lavagem de dinheiro com a intenção de somente enquadrar o financiamento a atos de terror no País. O projeto foi aprovado no Senado e espera para ser votado na Câmara.

Descobriu-se, agora, que o governo desagradou não apenas aos militares e os ruralistas, mas os Estados Unidos. De acordo com documentos revelados pelo site WikiLeaks, relatos enviados a Washington pelo então embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel, em 2008, demonstram a frustração em relação ao rumo do projeto. Desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, os EUA tentam impor ao mundo legislações duras de combate ao terrorismo. Em um dos telegramas, Sobel insinua ter sido Dilma Rousseff, na Casa Civil, a responsável pela articulação que resultou na derrota das teses de Jobim e Félix.

Perdida a primeira batalha, o GSI e o Ministério da Defesa organizaram-se rapidamente para colocar o tema do terrorismo, outra vez, na agenda do governo, mas com o cuidado de não deixar o Ministério da Justiça assumir novamente o protagonismo da discussão. Daí a ideia de, sete meses depois de o anteprojeto elaborado ter sido enviado ao Congresso, em julho de 2008, o general Félix acionar o Creden para elaborar uma nova Lei de Segurança Nacional. Com boa desculpa. A LSN atual, de 1937, turbinada pela ditadura em 1967 e revisada em 1983, é um entulho autoritário em desuso há ao menos duas décadas.

Em outubro de 2008, Félix montou o grupo de trabalho para estudar a nova legislação, agora chamada de Lei para a Defesa da Soberania e do Estado Democrático de Direito. Certo de que teria nas mãos a condução do processo, formou um time no qual, além do GSI e da Defesa, entraram os comandos militares, cada qual com seis representantes – quatro deles oficiais-generais: dois brigadeiros, um almirante e um general. Montar um texto para tipificar o crime de terrorismo seria, portanto, barbada. Não foi. Em outubro de 2009, por pressão de Tarso Genro, a discussão foi enviada novamente pelo presidente Lula ao Ministério da Justiça.

“Nossa preocupação, antes de tudo, é com a questão dos direitos individuais e dos princípios do Estado Democrático”, resume Felipe de Paula, atual secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça. À frente da coordenação dos trabalhos, ele conseguiu conter a sanha contra os movimentos sociais. Mas o GSI impôs no texto a existência da divergência sobre a tipificação do terrorismo.

Dilma Rousseff não pretende mexer nesse vespeiro até assumir a Presidência. Até lá, Felipe de Paula estará à frente de um subgrupo de trabalho, montado em agosto deste ano, com o objetivo de redigir o anteprojeto da nova LSN, com base no relatório produzido pelo Creden. Como dificilmente o general Félix permanecerá no GSI – que, inclusive, poderá voltar a ser apenas um Gabinete Militar –, é pouco provável que Jobim, sozinho, consiga transformar os sem-terra em terroristas com o aval da presidente. Isso não significa que ele não tentará.

Da Página do MST

 

Leia depoimentos de intelectuais, artistas, dirigentes de movimentos sociais e partidos sobre os 15 do Massacre de Eldorado dos Carajás

ARTISTAS

Nos 15 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, eu espero que a primeira mulher presidente do país, Dilma Rousseff, tenha a sensibilidade de poder fazer com que o Poder Judiciário definitivamente possa fazer a reparação desse crime hediondo, que é a morte de 19 trabalhadores rurais. Esse criminosos devem ser punidos e deve haver a Reforma Agrária neste país. A sociedade brasileira espera uma satisfação do governo federal.
Leci Brandão, cantora e compositora sambista e deputada estadual em São Paulo (PcdoB)

Me dói amargamente ver a terra concentrada, devastada e improdutiva. Envenenada, queimada, exaurida. Me dói fundo saber da madrugada camponesa sem terra, sem trabalho, sem alimento. Eu quero ver chegar o dia da partilha, o cio da terra, a doçura do mel. Sigo sonhando com a terra dividida, ocupada pelas mãos que trabalham e transformam a vida, que alimentam. Que semeiam a esperança essencial à alma de ter terra, trabalho e pão!
Beth Carvalho, cantora e compositora sambista

Junto-me a todos os de bem que até hoje assistem assombrosamente o descaso com o massacre, essa impunidade, enfim, essa vergonha. Não podemos esquecer jamais que a “Curva do S” é apenas mais um dos muitos fatos que nos envergonham e que nossos ilustres não têm moral para resolver.
Marcos Winter, ator

Tentaram apagar da memória do povo, o massacre de Canudos, com o desvio das águas do rio que banhava a região, submergindo os escombros de morte e destruição que, ali se instalara, na luta entre jagunços e as forças militares, no alvorecer da República. Ledo engano: a natureza, a despeito do homem, teima, quando o nível das águas baixa, em mostrar às novas gerações, as provas do genocídio de irmãos, perpetrado por irmãos, patrocinado pelo Estado. Assim será com o “Massacre de Eldorado dos Carajás”, onde 19 sem-terra, foram friamente assassinados por forças do Estado, em 17 de abril de 1996. Até que, finalmente se faça no Brasil, justiça no campo: a tão necessária e sonhada Reforma Agrária.
Osmar Prado, ator

Saúdo a memória dos mártires de Eldorado dos Carajás, com a confiança de que sua luta por justiça no campo será vitoriosa. A luta pelos direitos agrários está viva e forte em todas as Américas, como as recentes vitórias dos trabalhadores da Fazenda Imokolee, nos EUA, atestam. A terra nos dá o sustento e as pessoas que trabalham a terra são merecedoras de dignidade e respeito. Estou feliz em levar uma saudação de solidariedade a todos os nossos amigos, fãs, companheiros e o povo do Brasil no 17 de abril, o Dia Nacional de Luta por Reforma Agrária
Tom Morello, guitarrista da banda Rage Against the Machine

Defendo o MST e seus ideais que vão muito alem da questão da terra,fazendo com que mesmo que haja um dia a tão sonhada reforma agraria a sua existencia continuará sendo nesessária para o Brasil, América Latina e porque não dizer do Mundo!
MC Leonardo, funkeiro, presidente da Apafunk e colunista da Caros Amigos

É um CHOQUE nos depararmos com, passados 15 anos, não só permanecer impune o crime contra 19 trabalhadores rurais sem terra, em Eldorado de Carajás, como também a TROPA DE CHOQUE que permanece agindo em benefício da morte, por massacre, ou mais continuamente, por falta de terra e trabalho, que os latifundiários impõem à população lavradora brasileira. Não adianta argumentar que há muitos trabalhadores na agricultura empregados, pois a terra dos latifúndios é terra improdutiva, e a luta dos trabalhadores sem terra é para usar esta terra produzindo e dando alimento às suas famílias e a milhares de conterrâneos. Deixo este apelo às Autoridades de nosso Governo Federal, para honrar as vítimas deste massacre, dando claro julgamento aos autores e mandantes do crime, e ampliando a Reforma Agrária a quem, por direito, merece terra para trabalhar
Bete Mendes, atriz

Os mortos de Eldorado dos Carajás nos apontam a tragédia da concentração da terra no Brasil. Não há nenhuma possibilidade de justiça social sem uma reforma agrária que acabe com essa concentração. A criminalização dos movimentos sociais e, especialmente do MST nos mostra a lógica perversa do nosso país, onde as vítimas se tornam culpadas, até que provem o contrário. Se não estiverem mortas. Toda solidariedade aos mortos de Eldorado, às famílias das vítimas, aos companheiros de luta pela reforma agrária e ao MST.

Tuca Moraes, atriz, e Luiz Fernando Lobo, diretor, da Companhia Ensaio Aberto / RJ

Deixo registrada minha indignação contra a impunidade e a morosidade da Justiça em apurar as responsabilidades do crime do massacre de trabalhadores rurais em Eldorado de Carajás, em abril de 1996. Faz 15 anos que aconteceu esse deplorável crime no Pará e até agora nenhum responsável está preso. Eu tive experiência pessoal com esse grupo de pessoas. Em 96, eu apresentava um espetáculo no Pará, quando encontrei o padre Ricardo Resende. Íamos levar um trecho do espetáculo ao município de Rio Maria. No caminho, quando íamos pela estrada, avistamos o acampamento do MST. O padre Ricardo quis se aproximar. Nós fomos até a entrada do acampamento e encontramos um homem na portaria, um caboclo que tinha uma faca numa mão e um livro na outra. Perguntamos o que ele estava lendo. Ele disse que estava lendo um cabra muito bom, Nelson Rodrigues. Era uma peça do Nelson Rodrigues. Fomos convidados para entrar, assistamos uma reunião da cultura e do teatro e tivemos a oportunidade de conversa com a turma.
Cristiana Pereira, atriz

Fico chocada com os 15 anos do massacre de carajás, quando 19 trabalhadores perderam a vida. Até agora, não foram presos e devidamente punidos os culpados. Ficamos muito tristes. Se isso fosse uma vez só… Mas a impunidade continua em nosso país. As pessoas têm que compreender que o trabalho do MST é pra todos. Todos têm direito a ter uma terra, moradia e um trabalho. Quinze anos se passaram e não foi punido o governador, o chefe de polícia que deu a ordem para matar a queima roupa tantos trabalhadores. A gente fica muito triste, em saber que ainda hoje, no governo Dilma, ainda esses trabalhadores e essas famílias continuam sem uma resposta. O meu pedido, como cidadã e atriz, é para que haja uma resposta e o governo Dilma preste atenção e dê uma resposta a essas pessoas familiares. E que isso não mais se repita, que a gente não tenha nunca mais no Brasil um massacre como esse em Eldorado dos Carajás.
Priscila Camargo, atriz

INTELECTUAIS

Dentre as características marcantes da sociedade brasileira, ao longo dos seus cinco séculos de existência, nenhuma é mais evidente do que a impunidade das classes dirigentes, quando esmagam criminosamente a população pobre e indefesa. Tal como na época da escravidão e do regime militar de 1964 a 1985, no episódio do massacre dos Carajás a Justiça Brasileira acumpliciou-se com o crime politicamente organizado.
Fábio Konder Comparato, jurista e professor titular aposentado de direito da USP

Em 15 anos, devemos refletir criticamente sobre o Massacre de Eldorado de Carajás. Uma das lições que, a meu ver, podemos extrair é que a nossa classe dominante se mostra disposta a consultar especialistas (de jurídicos a agrimensores), desde que em momento algum perca o dominio sobre a situação no campoe impeça a Reforma Agrária.
Leandro Konder, filósofo

Nas sociedades modernas, nos últimos 200 anos, os trabalhadores sempre lutaram pela democracia e pela justiça social, ou por terra e salário. E foram sempre reprimidos, em certos momentos com violência e crueldade, como aconteceu em Eldorado de Carajás. Foram então derrotados, mas podem vencer e fazer avançar a liberdade e a igualdade quando se organizam para lutar como hoje o fazem em torno do MST.
Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista

Já se passaram 15 anos do Massacre de Eldorado de Carajás? Incrível como o tempo corre e o cenário de terra de ninguém não muda naquela região sem lei, sem justiça e cada vez mais sem esperança. A caminho de outras reportagens na Amazônia, passei algumas vezes pelo local da tragédia, e me lembrava do que aconteceu, das mortes em vão, da impunidade premiada. Pois era sempre a mesma paisagem humana de abandono em meio aos latifúndios que abriram pastos na mata, o boi expulsando o homem, a vida perdendo para a violência. Por que tem que ser assim? Até quando será assim?
Ricardo Kotscho, jornalista

A desigualdade social comprovada pela multidão de sem-terras do nosso país, com direito à vida, à liberdade, à reforma agrária, se reflete também no Poder Judiciário. À agilidade que ele usa para reprimir protestos massivos de movimentos sociais, corresponde a lerdeza e a injustiça com que dá andamento aos processos penais quando as vítimas são trabalhadores pobres sem-terra, deixando impunes os crimes como o do massacre de Eldorado de Carajás, ocorrido há quinze anos.
Jacques Alfonsin, procurador aposentado do Estado do Rio Grande do Sul.

Depois de 15 anos sem se fazer justiça às vítimas, às famílias e a toda a companheirada camponesa, o Massacre de Eldorado dos Carajás grita como uma dívida de sangue, de justiça nacional, pela realização de uma Reforma Agrária, que é causa prioritária do Brasil. Frente ao agronegócio latifundiário e depredador revindicamos, com os mártires de Eldorado dos Carajás, a agrovida ecológica e solidária.
Pedro Casaldàliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia – MT

O Brasil deveria reverenciar a memória dos mártires da chacina de Eldorado dos Carajás todos os anos, todos os meses, todos os dias. Só a lembrança permanente dos nomes dos mortos no massacre manterá aberta essa ferida e chamará a atenção da sociedade para um dos mais medievais sistemas fundiários do mundo.
Fernando Morais, jornalista e escritor

O massacre dos trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás não é diferente do comportamento que tem a burguesia em relação aos camponeses de todo o país. O único problema lá é que houve uma pequena resistência dos trabalhadores e a repressão veio com uma ferocidade total. Também não é fora do normal no país e impunidade das pessoas que ofendem os trabalhadores do campo. Ao contrário, essa é a regra. A regra neste país é que aqueles que massacram camponeses não sejam punidos. Esse país não é democrático nem civilizado. É um país selvagem e tirânico em relação aos pobres. É fundamental que esse episódio terrível não seja esquecido. É preciso que fique como um marco de luta dos trabalhadores e e de todos os democratas. O MST diz com muita propriedade que a reforma agrária é uma luta de todos. Quem se rebela contra Eldorado dos Carajás e quem apoia a Reforma Agrária não está lutando só pelos camponeses, mas está lutando por todos o país.
Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária
CENTRAIS SINDICAIS E MOVIMENTOS SOCIAIS

No dia 17 de abril de 1996, eu estava no alojamento da FUP em Brasília batalhando pela lei de anistia aos punidos e aos Sindicatos, devido a perseguição sofrida por termos realizado a greve de 1995 contra a privatização da Petrobrás, quando recebemos um telefonema dos petroleiros do Pará relatando o massacre. Ficamos atônitos a que ponta chegava um estado privatizado aos interesses do latifúndio. De la para cá, muitas luta fizemos juntos. Enquanto brasileiro, me sinto orgulhoso da existência de um movimento com o MST em minha pátria. Somar forças com os companheiros Sem Terra é lutar pelas causas mais nobres de nossa gente. Viva a Reforma Agrária, viva os trabalhadores do campo e da cidade.
João Antonio de Moraes, Coordenador Geral da Federação Única dos Petroleiros e da Central Única dos Trabalhadores

Recordamos o massacre de Eldorado de Carajás, perpetrado há 15 anos e ainda hoje impune, como uma prova dolorosa do cenário de injustiça e perversidade que prevalece no campo brasileiro, dominado pelo latifúndio e o agronegócio, e um alerta à consciência de que é fundamental continuar a luta pela reforma agrária, bandeira histórica da classe trabalhadora e das forças progressistas brasileiras.

Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)

O massacre de Eldorado de Carajás é um triste capítulo da história de violação dos direitos humanos no nosso País. É importante pensarmos que a ausência de uma efetiva política voltada para a justa distribuição de terras induz de forma perversa os conflitos no campo.É preciso sempre ressaltar a resistência dos trabalhadores que perderam suas vidas e lembrar que nossa luta continua em busca de sociedade mais justa, com a implantação de uma verdadeira reforma agrária com emprego e renda para todos.
Paulo Pereira da Silva (Paulinho), presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT)

Não existirá democracia plena no Brasil sem que os massacres de trabalhadores rurais que lutam pela terra sejam esclarecidos e os seus responsáveis julgados e punidos. A impunidade no caso do massacre de Eldorado de Carajás serve de alerta para que a defesa da Reforma Agrária seja vista como parte fundamental da luta pela democracia.
Sérgio Leitão, diretor do Greenpeace

É muito triste vermos que a impunidade ainda existe. O Massacre de Eldorado de Carajás é um exemplo de que devemos, toda a sociedade, cobrar das autoridades competentes a punição dos culpados. Impunidade é injusta e gera violência. A luta do Movimento dos Sem Terra não é uma luta em vão. É um movimento muito sério, organizado e que tem uma pauta de reivindicação que é a diminuição da desigualdade entre pessoas que têm tanta terra e pessoas que não têm nada. Toda solidariedade ao MST
.
Toni Reis, presidente da ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

PARTIDOS POLÍTICOS

Há 15 anos voei para Eldorado dos Carajás e junto com os Sem Terra choramos nossos mortos, ate hoje não se fez justiça, a luta pela terra continua, mas a memória dos que caíram vitimas da brutalidade e covardia da repressão clama por justiça. É chegada a hora de colocar um fim a impunidade que alimenta a sanha dos inimigos da reforma agrária, julgamento já.
José Dirceu, do diretório nacional do PT e ministro da Casa Civil no governo Lula

A estrutura da sociedade de classes percorre todas as relações políticas do Estado. Ou seja, sociedade de classes quer dizer justiça de classe, no nosso caso, a serviço da propriedade, isto é da classe dominante, dos ricos e dos poderosos. Por isso, a punição de pobres, negros, camponeses, trabalhadores, favelados e a impunidade dos senhores da terra, como demonstra o Massacre de Eldorado dos Carajás. Contra tudo isso luta o MST, e por isso sou seu aliado.
Roberto Amaral, vice-presidente do PSB – Partido Socialista Brasileiro e ministro da Ciência e Tecnologia do governo Lula

Na época em que aconteceu o massacre de Eldorado dos Carajás, eu era senadora da República. Eu pude acompanhar bem de perto tudo o que aconteceu. Foi uma atitude estarrecedora por parte dos policiais, que enfrentaram pessoas indefesas, massacrando e eliminando a vida de forma covarde. O massacre significou a mais dramática das denúncias da dívida histórica que o Brasil tem com a democratização da terra, para que as pessoas possam trabalhar e viver com dignidade. Com assistência técnica, crédito, meios de transporte da produção e inserção no mercado, os trabalhadores rurais terão vida digna. O massacre é uma denúncia dramática, radical, profunda da dívida histórica que o Brasil tem em relação à democratização da terra. A cada liderança assassinada é uma perda e não precisamos da eliminação de vidas inocentes em atos bárbaros de violência para sermos solidários e termos consciência.
Marina Silva, ex-senadora da República e ministra do Meio Ambiente no governo Lula

Já se foram 15 anos desde o massacre de Eldorado de Carajás! Ninguém está preso! Isso caracteriza uma afronta à nossa democracia e mostra que a luta contra a impunidade e contra a criminalização dos movimentos sociais continua atual e urgente. Nós do PCdoB apoiamos e participamos da luta em defesa da Reforma Agrária, pois um Brasil com crescimento e desenvolvimento só é possível com justiça e democracia no campo.
Manuela D’ Ávila, deputada federal (PcdoB)

Este é um dos episódios mais absurdos da história da luta dos movimentos sociais no Brasil. O fato de até hoje ninguém ter sido condenado pelos assassinatos, que envolveram um governador de Estado, mostra que a Justiça é lenta demais em se tratando de trabalhadores. Tal impunidade, vergonhosa, é permissiva da violência que se perpetua no campo contra aqueles que se erguem e lutam por seus direitos. A Reforma Agrária é urgente e uma dívida histórica do Estado brasileiro com o seu povo.
Ivan Valente, deputado federal pelo PSOL/SP

Há 15 anos, os assassinos dos 19 trabalhadores rurais sem terra, em Eldorado de Carajás – um dos episódios mais vergonhosos de nossa história – estão soltos e impunes. Nesses 15 anos, cresceu o agronegócio, devastando nossas florestas e nossa biodiversidade. E a reforma agrária anda para trás. No Brasil, o Estado é um aparelho da burguesia. O Código Penal só se aplica para os pobres. A justiça é uma justiça de classe.
Ivan Pinheiro, secretário-geral do PCB – Partido Comunista Brasileiro

A impunidade do massacre de Eldorado de Carajás envergonha a Nação. Perante a comunidade internacional, mas especialmente nossos sonhos de uma sociedade igualitária. Honrar a memória dos mártires é defender sua luta por reforma agrária, democracia e justiça social.
Renato Simões, do diretório nacional do PT

O massacre acontecido em 17 de abril de 1996 em Eldorado do Carajás deixou uma mancha de sangue na Mãe Terra.  Dezenove vidas ceifadas e tantas outras pessoas mutiladas pelas mãos daqueles que deveriam zelar pela segurança do povo. Estes assassinos continuam livres, dos mandantes aos executores. Fica ecoando o grito de protesto que não vai se calar jamais. O sangue que foi derramado naquelas terras é o mesmo que alimenta e fortalece a luta de milhares de famílias que continuam em busca da terra no Brasil.
Marcon – deputado federal (PT/RS)

O massacre de Eldorado dos Carajás é um triste episódio da história do Brasil. Como militante do MST, posso afirmar que outros massacres como este podem acontecer- como foi o caso de Felisburgo, em MG – caso não seja resolvido a questão da democratização da terra no nosso país. Os companheiros que tombaram são o símbolo da nossa resistência. Tentaram nos calar, mas continuaremos na linha de frente da luta pela reforma agrária, sem esmorecer jamais.
Valmir Assunção- deputado federal (PT/BA)

“Neste momento em que refletimos sobre os 15 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, quero reafirmar o meu compromisso com a luta pela terra e reiterar que reprovo toda e qualquer ação violenta do latifúndio no campo. É lastimável que ninguém esteja preso por tamanha brutalidade. A impunidade é um dos fatores de incentivo a violência. Que os 15 anos deste capítulo tão triste de nossa história sirvam de reflexão sobre a legítima luta dos trabalhadores rurais pela terra. O acesso a terra significa justiça social, por isso toda organização que prima pela garantia desse direito deve ser preservada em suas lutas e recebe de minha parte solidariedade”.
Ana Rita – senadora da República (PT-ES) e vice-presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal

 

O jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria e, em consequência, um editorial e uma série de artigos, nos quais se lambuza com uma suposta crise do MST. Os dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que, em 2009, havia 36 acampamentos e foram feitas 290 ocupações de terras. No ano anterior, em 2008, havia 40 acampamentos e foram realizadas 252 ocupações de terra.

A edição do ano passado do relatório da CPT explica a diferença:

“Ocupações são ações coletivas das famílias sem terra que, por meio da entrada em imóveis rurais, reivindicam terras que não cumprem a função social”

“Acampamentos são espaços de luta e formação, fruto de ações coletivas, localizados no campo ou na cidade, onde as famílias sem terra organizadas, reivindicam assentamentos”

Ou seja, a diferença de acampamento e ocupação é o local onde as famílias vivem.

A medida da base social do movimento de trabalhadores sem terra, que organiza acampamentos e fazem ocupações, se dá pela soma dessas duas categorias. Até porque essas situações variam muito até a criação do projeto de assentamento.

O jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria e, em consequência, um editorial e uma série de artigos, nos quais se lambuza com uma suposta crise do MST.

Haveria apenas 36 acampamentos no Brasil. E as 290 ocupações de terra? Além disso, mais famílias participaram dessas ações em 2009, em relação ao ano anterior (será que a “crise” está sendo revertida?).

Essas informações o Estadão omitiu. Por quê?

Sim, é verdade, atualmente tem menos famílias acampadas e em ocupações no meio rural, comparando 2003 e 2011.

No começo do governo Lula, havia uma expectativa geral da realização da Reforma Agrária. Anos e anos se passaram, e Lula não acabou com o latifúndio nem democratizou o acesso àqueles que querem trabalhar na terra.

Diante disso, diminuiu o número de famílias que vivem em acampamentos e fazem ocupações.

O principal motivo para essa queda é a lentidão da Reforma Agrária. Como o assentamento não sai, as famílias sem terra buscam alternativas para a sobrevivência.

No entanto, a saída das famílias dos acampamentos não representa que não querem mais trabalhar na terra.

Representa, isso sim, que esses trabalhadores rurais não viam e vêem perspectivas de viver em um assentamento rural.

Nessa situação, passaram a procurar emprego em pequenas e médias cidades. Muitas foram para as grandes cidades.

Boa parte desses trabalhadores que estavam acampados com a família foi trabalhar na construção civil, que paga os menores salários da sociedade brasileira e superexplora os trabalhadores (é só ver o que acontece na construção da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia).

A Reforma Agrária, apesar dos limites das políticas públicas no meio rural, abre a perspectiva para o trabalhador construir sua casa própria, colocar os filhos na escola, trabalhar na sua terra, produzir alimentos e gerar renda.

Será que os trabalhadores que saíram dos acampamentos preferem trabalhar na construção civil ou na própria terra?

O avanço da Reforma Agrária levará de volta as famílias aos acampamentos.

Apesar desse quadro, nos últimos dois anos, o número de famílias em acampamentos e ocupações está relativamente estável, com tendência de alta.

Para o Estadão, não.

O jornal manipulou o número de acampamentos e ocupações, que cresceram de 2008 para 2009, para inventar uma crise do MST, dos movimentos sociais do campo.

Qualquer repórter que conhece o interior da Bahia, por exemplo, onde tem mais de 20 mil famílias embaixo de lonas pretas, sabe que só lá há mais acampamentos do que aquilo que Estadão diz que existe no país inteiro.

Quem está em crise mesmo neste país é o jornalismo da velha mídia e, especialmente, do Estadão, que continua a atacar os protagonistas da luta do campo para combater a Reforma Agrária e preservar o latifúndio, como faz desde o século 19, quando publicava anúncios de venda de trabalhadores escravos.

Por Rodrigo Vianna, Blog O Escrevinhador