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O executivo da Chevron deve ser filiado ao PSDB. Por que? Anualmente, sempre no período do verão, os governos do PSDB em São Paulo adotam essa postura, de culpar a ‘mãe natureza’ diante de catástrofes naturais que poderiam ser evitadas caso o governo investisse em previsão de chuvas. É o que acontece com a Chevron, que decidiu investir o mínimo possível em segurança a fim de obter o maior lucro possível na extração de petróleo na Bacia de Campos.

Carta Capital:

Em entrevista concedida após encontro com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o presidente da Chevron para África e América Latina, Ali Moshiri, culpou a “mãe natureza” pelo acidente provocado por sua empresa que provocou o vazamento de petróleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.

“Estamos lidando com a mãe natureza e ela é complicada. Cada parte do reservatório é diferente, mas temos pessoal altamente qualificado trabalhando nisso. Devemos fazer uma avaliação mais detalhada para ter certeza de que não acontecerá de novo”, disse Moshiri, ao citar a complexidade geológica da região.

Segundo o executivo, o vazamento de óleo já foi controlado. Resta agora, disse ele, uma mancha que corresponde à décima parte de um barril de petróleo (cerca de 16 litros). “Esperamos que ela desapareça e acreditamos que a operação foi bem-sucedida.”

Segundo Moshiri, a prioridade da empresa, agora, é selar e abandonar o poço com segurança, o que deve ser feito até meados de dezembro. Ele não quis fazer previsão de quando a empresa voltará a atuar na extração de petróleo no País.

“Isso depende do governo, não seria justo se eu fizesse uma previsão”.

O executivo destacou que a unidade brasileira tem um dos melhores índices de segurança entre todas as operações da companhia no mundo.

Sobre a possibilidade de o governo brasileiro proibir as atividade de exploração da Chevron no país, Moshiri disse que essa é uma decisão governamental e lembrou que a empresa atua em 150 países. “O Brasil é importante, mas se o governo decidir, vamos respeitar”. Segundo ele, a empresa irá revisar as multas que receber dos órgãos brasileiros e “seguir os procedimentos de acordo com regulamentação brasileira”.

O ministro Lobão explicou que a empresa poderá continuar operando nos outros 11 poços que explora no Campo de Frade, mas está proibida de fazer novas perfurações, conforme determinação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). “Até que a agência conclua as suas investigações e possa modificar os seus estudos e as suas determinações, eles continuarão impedidos de perfurar novos poços”.

O ministro espera que a ANP “seja firme, rigorosa, porém justa” na avaliação da responsabilidade da Chevron no acidente. “O Brasil respeita os contratos, mas exige respeito às suas regras internas. Se a agência [ANP] determinou a punição temporária é porque estava no convencimento de que algo precisava ser melhor apurado”, disse o ministro.

Também participaram da reunião com o ministro o presidente da Chevron América Latina, Don Stlelling, o presidente da Chevron Brasil, George Buck, e a diretora de Desenvolvimento de Negócios da Chevron Brasil, Patricia Padol.

Petrobras

Na quarta-feira 23, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, em caráter de urgência, pedido do ministro Raimundo Carreiro, para que técnicos do tribunal realizem auditoria para verificar eventuais responsabilidades da ANP e da Petrobras no vazamento.

O pedido de auditoria foi motivada pelo fato de a Chevron não ter identificado o problema e nem cumprido ações de contingência, previstas para esse tipo de ocorrência, de acordo com o ministro Carreiro. O TCU quer saber como é feita a fiscalização sobre planos de emergência das empresas petrolíferas, a cargo da ANP.

O TCU também vai verificar na Petrobras se existe previsão contratual de ressarcimento das despesas da estatal com ações decorrentes do acidente, além de ouvir a empresa sobre os cuidados adotados para que as petrolíferas parceiras exerçam condições efetivas de detecção e de resposta a acidentes ambientais.

O objetivo, segundo comunicado do TCU à ANP e à Petrobras, é prevenir, detectar e responder rapidamente a eventuais desastres provocados pela extração de petróleo e de gás no mar, uma vez que acidentes desse tipo trazem danos ambientais de difícil reparação, além de prejudicarem a imagem do Brasil.

O comunicado do TCU assegura, ainda, que é “urgente a necessidade de aprimoramento e de garantia de efetividade dos meios de prevenção de acidentes ambientais dessa natureza, bem como dos respectivos planos de contingência, especialmente quando se trata da exploração de petróleo por empresas privadas”.

Por Altamiro Borges

Há cerca de uma semana ocorrem vazamentos de petróleo no poço da Chevron-Texaco no Campo do Frade, na Bacia de Campos (RJ). Estima-se que estejam sendo lançados ao mar de 200 a 330 barris de óleo por dia. Apesar da gravidade do acidente ambiental, a mídia corporativa tem evitado dar destaque ao assunto. Será que ela recebe algum “mensalão” da multinacional estadunidense?

Nos jornalões, apenas pequenas notas da assessoria de imprensa da corporação. Um dos tecnocratas da incompetente Chevron chegou a culpar a natureza pelo acidente. Nas televisões, o silêncio é criminoso, conforme criticou Fernando Brito, do blog Tijolaço. É como se o acidente não existisse. Caso o desastre ocorresse numa plataforma da Petrobras, a mídia privatista faria o maior escândalo.

Dois motivos da mídia privatista

Há informações de que 18 navios já trabalham na contenção do vazamento. Mas a mídia nada fala. “Devem ser navios-fantasmas, como é a direção da Chevron. Não têm nome, não têm comandantes, não tem tripulação… Será que vamos ter que esperar que coloquem uma mensagem na garrafa para que a nossa imprensa publique algo além de notas oficiais?”, ironiza Fernando.

O silêncio criminoso da mídia tem duas explicações. Uma econômica, já que as multinacionais do petróleo gastam bilhões em anúncios publicitários nas revistonas, jornalões e emissoras de TV. Seria um tipo de “mensalão” para comprar a sua cumplicidade. A outra razão é política, ideológica. A mídia privatista e entreguista sempre defendeu os interesses das multinacionais do petróleo.

Um histórico de traição e entreguismo

Historicamente, ela foi contra a criação da Petrobras no governo Getúlio Vargas e contra a campanha “O petróleo é nosso”. Ela dizia que não existia petróleo no Brasil. Monteiro Lobato foi um dos primeiros a contestar esta visão derrotista. Depois da descoberta das primeiras reservas, a mídia colonizada passou a difundir que o país seria incapaz de extrair e refinar esta riqueza natural.

Mais recentemente, com a descoberta do pré-sal, ela bombardeou a proposta do governo Lula de alterar os contratos no setor – de concessão para partilha. O ex-presidente também deu mais força à Petrobras, que passou a ser a operadora exclusiva nos campos do pré-sal. Estas mudanças irritaram a mídia privatista, defensora da Chevron e das outras multinacionais do setor.

As revelações do WikiLeaks

Também neste ponto, a mídia entreguista e o candidato José Serra tiveram total concordância. Segundo documentos vazados pelo WikiLeaks, o tucano se comprometeu a rever o marco regulatório da exploração do pré-sal. Um telegrama diplomático dos EUA, de dezembro de 2009, confirma a subserviência do presidenciável do PSDB diante das poderosas multinacionais do setor:

“Deixa estes caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patrícia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron. Outros documentos vazados mostram que os EUA se empenharam para evitar a mudança nos contratos do setor e para inviabilizar a Petrobras como “operadora-chefe” do pré-sal.

O silencio diante do grave vazamento no Campo do Frade não é por acaso. Os interesses alienígenas ainda são muito influentes no Brasil, principalmente na sua mídia colonizada e corrompida.

13 DE AGOSTO DE 2010 – Candidato a senador por Minas Gerais, Aécio Neves defende publicamente a distribuição dos royalties do pré-sal de modo mais igualitário, diminuindo a fatia que caberia aos estados produtores em benefício das demais unidades da federação. Na ocasião, Aécio disse: “A nova produção deve ser distribuída equanimente entre todos os estados brasileiroscom o critério da população e da renda. Não adianta nada você criar um país com várias divisões. Se você concentra apenas nos estados produtores, vamos ter uma educação diferenciada nesses estados, uma saúde diferenciada nesses estados. O pré-sal é uma grande oportunidade de o Brasil ser mais igual e investirmos mais, principalmente em educação e saúde.”

29 DE SETEMBRO DE 2010 – Aécio encerra sua campanha ao Senado, segundo ele, tomado pelo sentimento de responsabilidade com Minas. Naquele dia, no programa de TV, aos 24 segundos (veja abaixo), o candidato disse: “Vi renascer em mim, ainda mais fortes, os sentimentos de Minas, que têm sempre me acompanhado. O sentimento de afeto, o sentimento de respeito pelos mineiros. O sentimento de responsabilidade para com Minas”.

28 DE SETEMBRO 2011 – Um ano depois daquela fala, eleito e empossado, Aécio já não defendia Minas Gerais na questão da divisão dos recursos do pré-sal. Naquele dia, o tucano subiu à tribuna do Senado e defendeu, sim, os interesses do Rio de Janeiro. No vídeo da TV Senado, aos 29 segundos (assista abaixo), Aécio afirma: “Não se pode pensar em alterar as regras de distribuição dos royalties promovendo a retirada de recursos de Estados e municípios produtores, uma vez que esse direito foi e é assegurado pela Constituição a esses Estados. (…) Digo isso porque não será tirando de nenhum Estado produtor – especial do Rio de Janeiro – recursos que nós vamos redefinir ou refundar a Federação no Brasil”.

19 DE OUTUBRO DE 2011 – Ontem, finalmente o Senado votou o projeto dos royalties do pré-sal. Foi um duro embate. Aécio atuou como aliado do Rio, fazendo às vezes de quarto senador fluminense, deixando Minas, na prática, com apenas dois representantes.

Ao final, a despeito do esforço de Aécio, venceram os Estados não produtores.

Fica a dúvida: o que terá acontecido com aquele “sentimento de responsabilidade com Minas”?

A Folha publicou: Brasil é o país que mais avaçou em petróleo no mundo entre 2001 e 2010. Subiu 60% nossa produção, e quase sem contar nesse total as reservas do pré-sal. Saímos de 18º lugar, com 1,3 milhão de barris/dia para o 13º, com 2,1 milhão debarris/dia.

E quem fez essa proeza? A arcaida, a ineficiente, a “jurássica” Petrobras. E não venham dizer que foi a privatização da exploração de petróleo que nos levou a esse ponto, porque é da estatal que vem 91% deste petróleo. Das outras, só vem alguma coisinha porque a Chevron e a Shell pegaram os bons campos de Frade e de Ostra, respectivamente, ambos na faixa de 60 mil barris diários.

É, mas a Petrobras só é mencionada uma vez, lá no finzinho da matéria.

E isso que o jornal registra é apenas o começo de uma escalada que vai quase triplicar nossa produção, até 2020.

A luta, agora, é para vencermos as pressões de quem não quer que se invista num grande parque de refin de petróleo, que nos torne exportadores de derivados, com valor agregado, e sim meros vendedores de petróleo bruto.

Essa gente não descansa, mas a Petrobras é um muro no qual costumam “quebrar a cara”.

Não tive como analisar em detalhes o plano de investimentos da Petrobras, anunciado hoje. Claro que todos desejamos que nossa grande empresa invista sempre mais, embora todos nós esperemos dela a lucidez estratégica de compreender  que seu investimento – pelo montante que alcança – é um elemento de  indução do emprego, da formação de mão de obra e da produção nacionais. Deve, portanto, ter um ritmo forte, mas adequado também à capacidade do país de responder aos estímulos que ele produz.

Porque, do contrário, este investimento em lugar de ser uma mola propulsora do nosso desenvolvimento para a ser apenas uma maneira de drenar, numa rapidez imprudente, a riqueza do país. E sei que o projeto da Presidenta Dilma Rousseff, tal como foi o de Lula, não é o de, simplesmente,  transformar o Brasil num exportador de óleo cru, com a entrada em operação comercial das áreas do pré-sal.

Aliás, na sua primeira entrevista como Presidente eleita, ela deixou isso bem claro: “Nós não podemos ser exportadores de óleo bruto senão perderemos muito dinheiro”, disse Dilma, explicando que a margem de lucro seria maior, se o Brasil exportasse petróleo já refinado.

Até podemos fazer isso, em quantidades limitadas, desde que seja para financiar o investimento e o lucro continuado do país, mas não como vocação permenente, cujos desastres e insustentabilidade podemos ver mundo afora.

Dito isso, posso me dedicar ao tema deste post, que é ter me ocorrido comparar os lucros e os investimentos de duas empresas gigantes: a Petrobras e a Vale, ambos recordes históricos neste primeiro trimeste.

A Vale, que cava a toque de caixa, o mais rápido possível, o minério de ferro brasileiro para exportar in natura, com baixíssimo valor agregado, lucrou US$ 11,29 bilhões no trimestre, e anuncia um plano de investimentos de R$ 20 bilhões para 2011.

A Petrobras, que explora o petróleo desenvolvendo tecnologia, encomendando navios e sondas no Brasil e investindo no desenvolvimento de fornecedores e dos trabalhadores brasileiros, lucrou um pouquinho menos: R$ 10,9 bilhões, mas vai investir este ano R$ 93 bilhões.

Embora tanto o ferro quanto o petróleo estejam com o preço internacional lá em cima, é claro que extrair petróleo de grandes profundidades marinhas exige investimentos maiores do que colocar escavadeiras, caminhões e esteiras para levar o minério às ferrovias e aos portos. Da mesma forma, exatamente por isso, os lucros descrescem na mesma proporção.

Então, os números do que investem evidenciam e aquilo no que investem é que ambos revelam a diferença entre os dois modelos e as duas visões.

Na Petrobras, o lucro é uma ferramenta viabilizadora de algo que constrói, talvez nem tão rápido, mas solidamente um país. Na Vale, e oxalá isso mude com a nova direção da empresa, o lucro é razão de si mesmo, porque o Brasil é apenas um lugar a ser escavado.

Tijolaço

Mauro Santayana

A Vale recebeu este mês o VALE BRASIL, primeiro de sete super-navios encomendados ao estaleiro Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering Co, da Coréia do Sul. Com 362 metros de comprimento e 65 metros de largura, a embarcação tem capacidade para 400 mil toneladas e é o maior do mundo em sua categoria. Dinheiro que poderia ficar aqui se a Vale tivesse decidido – a exemplo da Petrobras – construir grandes navios no Brasil, contribuindo decisivamente para a recuperação da indústria naval e a geração de empregos em solo brasileiro.
Pode-se alegar que as siderúrgicas da Coréia do Sul – e por extensão, seus estaleiros – são clientes da Vale na compra de minério de ferro. Mas com certeza não foi mandando construir seus navios no Brasil que os sul-coreanos se transformaram em um dos países mais industrializados do mundo ao longo dos últimos 25 anos. Os Tigres Asiáticos, começando pelo Japão, ainda no final do Século XIX, e assim como está acontecendo com a China hoje, só cresceram por causa da decisão política de estabelecer uma indissolúvel e permanente aliança estratégica entre governo e iniciativa privada de capital nacional, para a competente substituição de importações e a conquista de mercados externos, agregando continuamente valor aos seus produtos e exportações. Lá fora, essa é a regra. Aqui, quando o governo tenta fazer a mesma coisa, todo mundo cai de pau no “perigo de reestatização” e no “nacionalismo anacrônico”, como se algum grande país do mundo – como o próprio Japão, os Estados Unidos, a Alemanha, a China – tivesse chegado a algum lugar sem zelar por seus interesses e sem uma postura nacionalista clara por parte da sua população.

Só pode ser ingênuo – ou canalha – quem anuncia que o nacionalismo acabou em um mundo em que os países mais fortes se impõem aos mais fracos pela força das armas. Ou em que, como acontece na Europa, o nacionalismo é tão exacerbado que já se transformou em racismo – pergunte-se aos brasileiros que são rotineiramente revistados, humilhados e enviados de volta ao Brasil dos aeroportos espanhóis, por exemplo, – ou, ainda, no qual, como está acontecendo agora nos Estados Unidos, milhões de pessoas saem para as ruas carregando bandeiras e gritando USA ! USA ! USA ! para comemorar, como se fosse carnaval, a morte de um único homem. O nacionalismo não morreu, como não morreu a História. Ao contrário do que escreveu Francis Fukuyama depois da queda da União Soviética, essa velha senhora está vivíssima – e de vez em quando explode violentamente, como uma bofetada, na cara de quem defende a “pax americana”, a “governança global” e o fim das fronteiras – como aconteceu naquele fatídico 11 de setembro, quando o primeiro avião carregado de passageiros atingiu a Torre Sul do World Trade Center.