Arquivo da categoria ‘Europa’

do Curso Básico de Jornalismo Manipulativo

1. Nos Estados Unidos, a população descobre que o limite da sua tão orgulhosamente propalada democracia é a confrontação aberta, ainda que pacífica, com os verdadeiros donos do poder.

Occupy Wall Street

2. Na Europa, representantes eleitos pelo povo, na Grécia e na Itália, são substituídos por dois ex-integrantes do banco Goldman Sachs: Mario Monti, novo primeiro-ministro italiano, e Lucas Papademos, novo primeiro-ministro grego.

 Sede do Goldman Sachs

3. No Brasil, a mídia (os donos e seus colunistas amestrados) institui a Conspiração do Silêncio para não ferir a suscetibilidade de uma empresa petrolífera com um histórico mais escuro do que o seu principal produto (vazamentos em Angola, Equador, Nigéria, Canadá, Estados Unidos…), revelando na prática o que entende por “liberdade de imprensa”.

Vazamento na Bacia de Campos

Quando a História quer dar um recado, ela não sussurra: grita.

PERCEBERAM QUEM MANDA NESTE MUNDO?

O ex-presidente espanhol, Jose Maria Aznar, afirmou sexta-feira, de acordo com a agência Europa Press, que “não vale a pena uma coisa para Líbia e em Cuba o oposto”, porque “o valor da liberdade é universal”.
Sem envergonhar-se, pediu ao Ocidente para invadir Cuba, em nome da “liberdade” e da defesa dos civis inocentes!
Este pequeno genocídio, que acompanhava George W. Bush em suas campanhas de guerra, tortura, seqüestros e vôos secretos, ganhou o merecido apelido Führerzinho, por ter ditos barbaridades em um comício em Torrejón de Ardoz (Madrid).
Aznar explicou sua teoria de porque a ilha merece uma ação cp, bombas: a liberdade “não é para uma minoria privilegiada”, mas sim “um direito que todo mundo tem.”

Ele disse que os libaneses têm “o mesmo direito à liberdade que os cubanos” e as vidas dos cidadãos de ambos os países devem ser protegidos da mesma forma – com bombas, ele falhou em adicionar. Ele acrescentou este absurdo, digno de seu Comandante-em-Chefe Bush: “A liberdade dos que querem ser livres num país é o mesmo que aqueles que querem ser livres em outro país. As vidas que têm que ser protegidas em um país são as mesmas que têm que ser protegidas em outro país. “
Apesar de não mencionar o Iraque, um país ainda ocupada pelos EUA, graças aos seus esforços, disse que quando você tem que tomar a decisão “difícil” de intervir em um país, deve ser feita, e “assim pode-se evitar males maiores.”
No entanto, sublinhou que também é preciso dizer “quais são as consequências de não agir com toda a decisão e determinação”, pois quando se trata de proteger as vidas de civis, continuou, o que não se pode fazer é uma política que permita seguir no poder aqueles que “ameaçam a liberdade dos civis”.
Finalmente, com referência à intervenção da coligação internacional na Líbia, disse que atualmente existem “muitas coisas que dependem do acerto de muitas pessoas.” “Eu quero que proceda esse acerto”, acrescentou.
Aznar se esqueceu de lembrar, é claro, que foi ele quem abriu as portas da Europa para Gaddafi, que antes dos distúrbios no Oriente Médio, era seu amigo. O Führerzinho visitou Trípoli em 2003, encantado com Muammar Gaddafi, que lhe deu um cavalo da raça árabe que lhe deu o nome de “O raio do líder.” Além fascista, o espanhol é um traidor hipócrita.

O governo italiano, tão empenhado na extradição de Cesare Battisti, adota postura diferente no caso do uruguaio Jorge Troccoli.

Capitão da marinha uruguaia, Troccoli teve uma atuação bastante ativa na tristemente famosa “Operação Condor” (que contou com a participação das ditaduras militares do Uruguai e de outros países sul-americanos), tendo sido responsável pela tortura e morte de mais de uma centena de opositores desses regimes, entre 1975 e 1983. Em 2002, o governo do Sr. Silvio Berlusconi – em sua segunda passagem pela chefia do gabinete de ministros da Itália – concedeu cidadania italiana ao Capitão Troccoli, mesmo sabendo das acusações de crime contra a humanidade que pesavam contra ele.

Em setembro do ano passado, o ministro da justiça da Itália, Angelino Alfano, negou-se à extraditar Troccoli para o Uruguai, alegando que ele é cidadão italiano, tomando como base jurídica um tratado assinado entre os dois países em 1879. Portanto, o mesmo governo que nega-se a extraditar um notório torturador, utilizando dessas filigranas jurídicas, é o mesmo que se considera ofendido pela não-extradição de Battisti, que seguiu todas as normas da legislação brasileira, que por sua vez se baseia em uma série de convenções internacionais.

“O curioso é que o governo de Berlusconi negou a extradição de Troccoli para o Uruguai, alegando dupla cidadania”, comentou o editor da página Gramsci e o Brasil, Luiz Sérgio Henriques. Henriques argumenta que o caso Troccoli tem “muitas semelhanças” com o de Battisti: “não faltaram pressões diplomáticas do governo uruguaio, recursos às instâncias do Judiciário italiano, etc.”, e conclui: “mas o governo de Berlusconi parece irredutível na sua decisão sobre Troccoli, ‘o Battisti uruguaio’, no dizer do jornal L’Unità. E se trata de um episódio recente, cujas escaramuças diplomáticas e judiciárias mais dramáticas ocorreram em 2008″.

 

Vermelho.org


Inglaterra:


- Pacote que entre outros ataques aos estudantes de universidades públicas prevê aumento das anuidades (já absurdamente altas) de 3.900 libras para 9.000.

- O governo de Cameron anunciou cortes nos programas sociais de 7 bilhões de euros. Em junho já havia cortado 11 bilhões. O arrocho evidentemente não inclui os bancos (muito grandes para falir) mas os trabalhadores: o ministro das Finanças, Osborne, prometeu cortar 490 mil servidores públicos e postergação da idade mínima da aposentadoria de 64 para 66 anos.

- Os ministérios terão seus orçamentos reduzidos em 25%, caso as medidas passem no parlamento.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2918-26-11-2010/P6/pag6a.htm


Itália:

- Corte de 12 bilhões de dólares e corte de 130.000 empregos no setor de educação.

- O governo de Berlusconi anunciou cortes em estímulo ao setor cultural no montante de US$ 380 milhões durante os próximos três anos. Só do orçamento do Ministério da Cultura serão retirados US$ 58 milhões a cada ano.

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Outro tipo de corte são as vantagens fiscais a empresas que apóiam atividades culturais e que segundo o governo deixarão de existir. Esses incentivos fiscais eram direcionados ao cinema, teatro e shows e serão cortados em 40%.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2918-26-11-2010/P6/pag6e.htm


Irlanda:

- Aos 14 bilhões de euros de arrocho que os irlandeses já sofreram desde 2008, está prevista nova sangria de 15 bilhões de euros até 2014, com 40% disso – 6 bilhões – já em 2011. Nos últimos três anos, a economia afundou quase 20%. Só nas operações de emergência para salvar bancos este ano, o governo irlandês consumiu 20% do PIB, e o déficit orçamentário chega a 32%.

- “Ninguém ficará à margem” dos sacrifícios, prega o Plano de 140 páginas – desde que não seja banco ou multinacional, que continuarão pagando de imposto de renda míseros 12,5% – a metade da média europeia -, e evadindo ao ano 20% do PIB. O salário mínimo será cortado em 12%. Vão cobrar imposto de renda até de quem recebe salário mínimo, pois o patamar de isenção foi rebaixado de 18.000 para 15.300 euros.

- O imposto sobre valor agregado (IVA), subirá de 21% para 22% em 2013 e para 23% em 2014. Aumento de 33% nas anualidades da universidade pública, de 1500 para 2000 euros. Demissão de 8% dos servidores públicos e redução de salários em 10%. Cortes no seguro-desemprego e no auxílio às crianças, da ordem de 2,8 bilhões de euros, mais 1,4 bilhões na saúde. A idade para aposentadoria irá aumentar para 66 anos, em 2014.

- Em troca do sangue dos irlandeses, FMI, Comissão Europeia e governo inglês injetarão 85 bilhões de euros, que, no fundamental, vão garantir os bancos ingleses, alemães, norte-americanos e franceses expostos crise bancária na Irlanda. Na quarta-feira (24), ações do Allied Irish desabaram mais 22%, para 0,25 euros, e as do Bank of Ireland, 33%, para 0,2 euros. De acordo com o jornal irlandês “Independent”, a situação “é tão crítica que Dublin poderá bombear dinheiro extra nos bancos até este fim de semana, bem antes dos primeiros fundos europeus e do FMI chegarem”. Do pacote, 48 bilhões vão para cobrir o déficit até 2014 – isto é, pagar juros aos bancos estrangeiros; 15-20 bilhões, direto para o rombo do Anglo Irish, Allied Irish e Bank of Ireland; e 20 bilhões para um “fundo de emergência”.

- Diminuição dos gastos sociais de 2,8 bilhões de euros em quatro anos.

- Corte de 24.750 empregos públicos.

- Redução do salário mínimo por hora de 8,65 euros para 7,65 euros.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2918-26-11-2010/P7/pag7c.htm

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/selecao-diaria-de-noticias/midias-nacionais/brasil/estado-de-minas/2010/11/25/crise-na-europa-irlanda-faz-cortes-para-garantir


França:

- Sarkozy afrontou os franceses promulgando a lei que eleva a idade mínima da aposentadoria de 60 para 62 anos. A lei foi publicada às pressas no Diário Oficial, na quarta-feira (10/11).

- Além do atraso da idade de aposentadoria de 60 para 62 anos, que afetará os nascidos a partir de 1 de julho de 1951, para receber o benefício total, a idade subirá de 65 para 67 anos para aqueles que não contribuíram pelo período mínimo, que atualmente é de 40,5 anos, mas passará, gradualmente, a ser de 41,5 anos.

- A percentagem de contribuição dos funcionários públicos subirá dos 7,85% atuais para 10,55%.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2914-12-11-2010/P6/pag6a.htm


Portugal:

- O governo do primeiro ministro José Sócrates quer economizar cinco bilhões de euros em 2011. Para isso reduziu os salários dos trabalhadores nas empresas públicas entre 3 e 10%, cortou os benefícios, aumentou o IVA, congelou os salários dos aposentados para assim conseguir em 2011 um déficit público não superior a 4,6% do PIB.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2913-10-11-2010/P6/pag6b.htm


Espanha

- Cortes no valor de €80 bilhões. Para esse fim, 13 mil empregos do setor público serão cortados, os salários dos funcionário públicos será reduzido em 5% e as pensões serão congeladas. Os €2,500 até então destinados às famílias com crianças recém nascidas serão cortados sem nenhuma forma de compensação.

http://www.movimentonn.org/jornal/noticia/internacional/2139

O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, vê o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, como “um dos grandes nomes da esquerda mundial”. Em entrevista exclusiva à BBC Brasil antes de embarcar para uma visita de três dias ao Brasil, Sócrates afirmou que o presidente tem um capital político que não deve ser desperdiçado e que Lula poderia ocupar qualquer posição de relevo na cena internacional.

O primeiro-ministro afirmou ainda que o crescimento econômico e político brasileiro pode ajudar Portugal e disse acreditar que seu país está se tornando uma plataforma para empresários brasileiros atuarem no mercado europeu.

A respeito da economia europeia, ele afirmou que o euro não está em risco e que a moeda só sofreu os problemas que teve por ser “jovem”. Diz que a economia da zona euro não tem motivos para ser pior avaliada do que a norte-americana ou a japonesa, por ter um déficit inferior.

No Brasil, Sócrates irá para participar no 3º Fórum para a Aliança das Civilizações, que ocorre esta semana no Rio de Janeiro com a presença de Lula.

Na quinta-feira, ele estará na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na capital paulista, para um encontro com empresários brasileiros que investem em Portugal na Fiesp.

Na sexta, terá um encontro no Rio de Janeiro com empresários portugueses interessados em fechar negócios no Brasil. No sábado, o primeiro-ministro português vai à Venezuela, para uma visita de um dia.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – O presidente Lula termina seu segundo mandato depois de conseguir uma considerável projeção no cenário internacional. O sr. vê algum futuro político para Lula neste cenário?

José Sócrates – Eu já tenho dito isso, (a retirada de Lula do cenário internacional) seria um desperdício, mas a verdade é um pouco mais profunda. A esquerda mundial tem que ter referências e o presidente Lula teve os maiores sucessos a nível da governança nas últimas décadas.

O presidente Lula deixa um legado de uma governança econômica muito responsável e muito equilibrada, ao mesmo tempo que desenvolveu políticas sociais.

E esse legado é importantíssimo para a esquerda mundial e hoje serve de inspiração e de referência para todos os governantes da esquerda democrática.

BBC Brasil – O que o senhor acredita que o presidente Lula deveria fazer depois do mandato?

Sócrates – O presidente Lula tem muitas oportunidades e muitas possibilidades. O mais importante é que ele continue ativo na política ativa mundial.

BBC Brasil – Mas fala-se do Banco Mundial, do cargo de secretário-geral da ONU, com uma estrutura reformada.

Sócrates – Acho que o presidente Lula tem hoje um capital político que lhe permite ocupar qualquer lugar internacional de referência e julgo que é uma honra para a esquerda mundial ter um de seus grandes valores de referência e ser de língua portuguesa. Isso é um orgulho muito grande para quem fala português, verificar que o presidente Lula é um dos grandes nomes da esquerda mundial.

BBC Brasil – Como o senhor avalia a importância econômica que o Brasil atingiu neste momento?

Sócrates – O Brasil é a grande revelação do mundo nos últimos anos. Não apenas uma revelação ao nível econômico, mas também ao nível político. O país tem uma subida no contexto geoestratégico.

O mundo mudou muito, e esse é um dos fatores de mudança, a ascensão do Brasil, que é criticamente estratégica para Portugal. À medida em que o país sobe no conceito das nações, Portugal vai atrás.

Tem sido muito agradável verificar que o Brasil deixou de ser um país de potencial para se afirmar como uma potência política e econômica.

BBC Brasil – O Brasil vai ter a Copa do Mundo e a Olimpíada. O que isso traz de oportunidade para os empresários portugueses?

Sócrates – Traz uma grande oportunidade para a cooperação econômica entre as empresas portuguesas e as brasileiras. Julgo que a relação econômica entre as duas economias está cada vez mais forte, mais ligada. É muito agradável poder reconhecer que o Brasil finalmente descobriu Portugal como o país em que se pode investir para se lançar no mercado europeu.

BBC Brasil – Tendo em conta a situação de crise, o senhor acha que Portugal poderia pegar uma carona no crescimento brasileiro?

Sócrates – Sim. O crescimento brasileiro é absolutamente essencial para as empresas portuguesas.

Nós temos muito investimento no Brasil, muitas empresas, e hoje tive uma conversa com empresas portuguesas que estão a investir no Brasil e o desenvolvimento é muito interessante para as empresas portuguesas, que estão há muito tempo a investir no Brasil, desde meados da década de 90.

Pretendemos diversificar esse investimento e na terça-feira passei toda a manhã a falar com as empresas portuguesas sobre a importância que tem para nós o mercado brasileiro.

O mercado brasileiro ainda é um mercado muito protegido, porque o Brasil tem uma política muito concentrada no seu mercado interno – é um mercado grande e pode fazê-lo –, mas julgo que à medida que o país se internacionaliza, que as empresas brasileiras se lançam na aventura da internacionalização, isso abre um espaço de oportunidade imenso para o nosso país.

BBC Brasil – A imagem de Portugal para muitos brasileiros é de um país atrasado. O que Portugal tem a oferecer para o Brasil?

Sócrates – O mais importante para nós é que os brasileiros percebam o que é Portugal. É um país moderno e europeu, que não tem nada a ver com o país de 20 ou 30 anos atrás. É um país que tem indicadores econômicos e sociais e indicadores de conforto de um país europeu.

Julgo que a capacidade da economia portuguesa para cooperar com as empresas brasileiras no desenvolvimento da economia brasileira é uma amostra do seu potencial e nós temos uma cooperação excelente e vantajosa para ambos os países em todos os domínios, nos mais avançados tecnologicamente, nos domínios da cooperação científica e nos domínios energéticos.

Nós somos o país que mais cresceu em termos de energias renováveis, nós somos o país que mais cresceu em termos de tecnologias de informação e comunicação.

Qual é o país que lidera o ranking de governo eletrônico na Europa? É Portugal.

Aqui você constitui uma empresa em menos de uma hora. Eu faço um desafio, tente constituir uma empresa aqui. No ano passado, 52% das empresas constituíram-se em 32 minutos. Você pode constituir aqui uma empresa em menos de uma hora.

Em fevereiro deste ano, 32 empresas por dia foram constituídas online, apenas com base no computador, sem necessidade de ir a nenhuma repartição pública. Portugal é um país muito moderno desse ponto de vista.

BBC Brasil – Portugal foi uma das vítimas do ataque ao euro. O senhor acredita que o euro possa estar em risco?

Sócrates – Não. Isso só acredita quem não conhece a Europa e não conhece o euro.

O euro foi uma das grandes conquistas do projeto europeu. Há 30 anos, ainda tínhamos fronteiras na Europa, tínhamos moedas nacionais e acabamos com tudo isso e formamos uma comunidade em que partilhamos a nossa soberania.

Isso só pode andar para frente. O euro é uma das grandes conquistas políticas dos últimos anos. Os alemães abdicaram do marco, os franceses abdicaram do franco, nós abdicamos do nosso escudo.

Temos uma única moeda para todos. Isso é uma conquista política que traz cooperação, partilha de soberania, paz, liberdade.

A Europa é o continente do mundo onde mais se compatibiliza a liberdade, a proteção social e o crescimento econômico.

BBC Brasil – Mas nessa crise, parece que houve falta de coordenação.

Sócrates – Sabe, o euro é um projeto ainda jovem, tem apenas dez anos. Nós temos que reconhecer que não estávamos preparados para esse ataque (especulativo), porque nunca tinha acontecido.

Esta desconfiança dos mercados relativamente à capacidade de a Europa pagar as suas dívidas foi algo que nunca aconteceu e espero que nunca mais venha a acontecer porque não tem justificação econômica.

Qual é o déficit médio da Europa? Pouco acima de 6%. Quanto é nos Estados Unidos? É 11%. Quanto é no Japão? É 11%. Isso não tem a mínima justificação, nem racionalidade, nem fundamento econômico.

BBC Brasil – E como vai se organizar esse mecanismo de salvaguarda do euro?

Sócrates – Nós já estamos a organizar. Não só definimos um mecanismo para dar garantias internacionais que todos os países da zona euro terão de cumprir suas obrigações e esse mecanismo foi importante ter sido formado.

O Banco Central Europeu também está a agir, e cada um dos Estados está a fazer um esforço para reduzir já este ano e no próximo ano ainda mais os seus déficits orçamentais de forma a oferecer mais confiança.

Isso acontece em Portugal, acontece na Espanha, acontece na Alemanha, onde há notícias de que os alemães também vão aumentar seus impostos, acontece na Itália, na Irlanda.

Todos os países estão a tomar medidas de forma a corrigir seus déficits orçamentais para reforçar a confiança dos mercados internacionais.

FONTE: BBC Brasil