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Pobreza crescente

  • Os números oficiais da pobreza nos EUAmostram que o país tem o maior número de pessoas pobres desde há 51 anos. A taxa de pobreza oficial nos EUA é de 14,3%, isto é, 43,6 milhões de pessoas pobres. Uma em cada cinco crianças é pobre; um em cada 10 cidadãos da terceira idade é pobre. Fonte: Escritório do Censo dos EUA.


  • Um em cada seis trabalhadores – isto é, 26,8 milhões de pessoas – está desempregado ou subempregado. Esta taxa “real” é superior a 17%. Há 15,1 milhões de pessoas catalogadas “oficialmente” pelo governo como desempregadas, uma taxa de 9,8%. O desemprego é pior paras os trabalhadores afroamericanos, dos quais estão sem emprego 16,1%.


Outro 9,5 milhões de pessoas, que trabalham em tempo parcial enquanto buscam trabalho em tempo integral; elas tiveram suas jornadas de trabalho reduzidas ou até o momento só encontraram trabalho em tempo parcial, e não são contadas nos números oficiais de desemprego. Há também 2,5 milhões registrado como desempregados mas não são contadas porque foram classificados como trabalhadores desanimados, em parte porque estão sem trabalho durante 12 meses. Fonte: Departamento do Trabalho dos EUA. Informe do Escritório de Estatísticas Trabalhistas, outubro de 2010.

O montante de pedidos iniciais pelos benefícios de auxílio-desemprego aumentou de 410 mil para 436 mil na semana terminada em 27 de novembro, informou nesta quinta-feira o Departamento de Trabalho norte-americano.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/839615-pedidos-de-seguro-desemprego-nos-eua-sobem-para-436-mil.shtml

  • Nos EUA, a renda média familiar dos brancos é de 51.861 dólares; para os asiáticos, de 65.469; para os afroamericanos, de 32.584; para os latinos, de 38.039. Fonte: Escritório do Censo de EUA.
  • Cinquenta milhões de pessoas nos EUA não têm seguro médico ou plano de saúde. Fonte: Escritório do Censo dos EUA.
  • Nos EUA as mulheres enfrentam maior risco de morrer por doenças relacionadas com a gravidez do que as mulheres de 40 outros países. As mulheres afroamericanas têm quase quatro vezes mais possibilidades de morrer por doenças semelhantes do que as mulheres brancas. Fonte: Amnesty International Maternal Health Care Crisis in the USA.
  • Cerca de 3,5 milhões de pessoas nos EUA, um terço das quais são crianças, não tem moradia fixa em algum momento do ano. Fonte: National Law Center on Homelessness and Poverty.
  • Em Atlanta, 33.000 pessoas procuraram moradias subsidiadas de baixo custo em agosto de 2010. Quando Detroit ofereceu assistência de emergência para os despejados de suas residências, mais de 50 mil pessoas compareceram para tentar conseguir alguma das 3.000 ajudas disponíveis. Fonte: Informes da imprensa.
  • Nos EUA existem 49 milhões de pessoas vivem em casas onde só há comida porque recebem vales-alimentação, frequentam dispensas de comida ou restaurantes populares para obter ajuda; 16 milhões são tão pobres que não tiveram comida em algum momento do último ano. É o mais alto nível desde que as estatísticas são disponíveis. Fonte: US Department of Agriculture, Economic Research Service.

A classe média declina

Em uma ou duas gerações anteriores era possível, para uma família de classe média, viver com uma única fonte de renda. Agora são necessárias as rendas de duas pessoas para manter a mesma qualidade de vida. Os salários não seguiram o ritmo dos preços e, ajustados a inflação, perderam terreno nos últimos dez anos. O custo da moradia, a educação e a assistência médica cresceram a uma taxa superior aos salários. Em 1967, 60% das casas, entre as 20% mais ricas e os 20% logo acima dos mais pobres, receberam 52% de todas as rendas. Em 1998, diminuiu 47%. A proporção que corresponde aos mais pobres também caiu, enquanto que os 20% mais ricos viu sua parte aumentar.

  • Um recorde de 2,8 milhões de famílias recebeu uma notificação de execução hipotecária em 2009, número maior que nos anos 2007 e 2008. Em 2010, se espera que o número chegue a três milhões de famílias. Fonte: Reuters and Realty Trac.
  • Onze milhões de proprietários de residências (quase um em cada quatro) estão com “água pelo pescoço” ou devem mais pelas hipotecas do que valem suas casas. Fonte: “Home truths”, The Economist, 23 /10/ 2010.
  • Pela primeira vez desde 1940 as rendas reais das famílias de classe média são menores no final do ciclo econômico da década de 2000 do que no início dele. Apesar da força de trabalho dos EUA estar trabalhando mais dura e habilmente do que nunca, cada vez está recebendo menos renda do que ela própria cria. Isto é verdade para as famílias brancas e ainda mais para as famílias afroamericanas cujas ganhos alcançados na 1990 foram em sua maioria eliminados. Fonte: Jared Bernstein and Heidi Shierholz, State of Working America.

Os ricos, cada vez mais ricos

  • A riqueza das 400 pessoas mais ricas dos EUA cresceu 8% no último ano, atingindo 1,37 trilhões de dólares. Fonte: Forbes 400, “Os super-ricos se tornam mais ricos”, 22/09/2010. Money.com
  • David Tepper, que foi classificado como o melhor diretor de hedge fund de 2009, “ganhou” quatro bilhões de dólares no ano passado. Os demais melhor classificados receberam: 3,3 bilhões, 2,5 bilhões, 1,4 bilhões, 1,3 bilhões (empatados nos 6º e 7º lugares), 900 milhões (empatados nos 8º e 9º lugares) e, na última posição entre os dez melhores classificados, 825 milhões. Fonte: Business Insider. “Meet the top 10 earning hedge fund managers of 2009.”
  • A disparidade de renda nos EUA é hoje tão ruim como era antes da Grande Depressão, no final da década de 1920. Entre 1979 e 2006, a camada formada pelo 1% mais rico mais que dobrou sua porção no total das rendas, passando de 10% para 23%. Sua renda anual média foi superior a 1,3 milhões de dólares. Nos últimos 25 anos, mais de 90% do total de crescimento das rendas nos EUA foi para os 10% mais ricos, deixando apenas 9% para as outras faixas de renda que formam os demais 90% da população. Fonte: Jared Bernstein y Heidi Shierholz, State of Working America.
  • Em 1973, o salario médio dos presidentes de empresas nos EUA era de 27 dólares para cada dólar pago a um trabalhador; em 2007 a proporção subiu 275 por um. Fonte: Jared Bernstein and Heidi Shierholz, State of Working America.
  • Desde 1992 a taxa média de impostos dos 400 contribuintes mais ricos dos EUA caiu de 26,85 para 16,62%. Fonte: US Internal Revenue Service.
  • Os EUA tem a maior desigualdade entre os ricos e os pobres entre as nações industrializadas no Ocidente, e piorou nos últimos 40 anos. O World Factbook, publicado pela CIA, inclui um ranking de desigualdade entre as famílias dentro de cada país, mediante o índice Gini. Os EUA ocupavam a 45ª posição em 2007, igual à Argentina, Camarões e Costa do Marfim. A maior desigualdade se encontra em países como Namíbia, África do Sul, Haiti e Guatemala. O posto 45 dos EUA é muito baixo em relação ao Japão (38), Índia (36), Nova Zelândia e Reino Unido (34), Grécia (33), Espanha (32), Canadá (32), França (32), Coreia do Sul (31), Holanda (30), Irlanda (30), Austrália (30), Alemanha (27), Noruega (25) e Suécia (23). Fonte: CIA The World Factbook.


  • Os ricos vivem uma média de cinco anos mais que os pobres nos EUA.

Naturalmente, as grandes desigualdades têm consequências em termos de saúde, exposição a condições de trabalho pouco saudáveis, nutrição e estilo de vida. Em 1980 os mais poderosos tinham uma esperança de vida de 2,8 anos sobre os não tão afortunados. À medida em que a brecha da desigualdade cresce, também aumenta a brecha da esperança de vida. Em 1990, ela era um pouco inferior a quatro anos. Em 2000, os menos afortunados podiam esperar viver até os 74,7 anos enquanto os mais poderosos tinham uma esperança de vida de 79,2 anos. Fonte: Elise Gould, “Growing disparities in life expectancy,” Economic Policy Institute.

Conclusão

Estes são fatos extremamente preocupantes para qualquer pessoa interessada pela justiça econômica, pela igualdade de oportunidades e pela justiça. Thomas Jefferson observou em certa ocasião que a reestruturação sistemática da sociedade em benefício dos ricos contra os pobres e a classe média é uma tendência natural dos ricos. “A experiência nos diz que o homem é o único animal que devora sua própria espécie, e não posso encontrar palavras mais suaves para… a depreciação geral dos pobres pelos ricos”. Mas Jefferson também sabia que a justiça não pode se atrasar indefinidamente, e disse: “Temo por meu país quando penso que Deus é justo, e que sua justiça não pode dormir para sempre.”

Os ricos falam da ascensão do socialismo para distrair a atenção sobre sua devoradora apropriação da subsistência básica dos pobres e de todos os demais. Muitos dos que clamam mais ruidosamente contra “o lobo” do socialismo o fazem para enriquecerem ainda mais ou concederem-se poderes a si próprios. Estão certos em uma coisa: há uma guerra de classes em marcha nos EUA. Os ricos estão ganhando esta guerra de classes, e é hora para todos os demais lutarem por justiça econômica.

http://port.pravda.ru/busines/16-11-2010/30781-eua_pobreza-0/


Inglaterra:


- Pacote que entre outros ataques aos estudantes de universidades públicas prevê aumento das anuidades (já absurdamente altas) de 3.900 libras para 9.000.

- O governo de Cameron anunciou cortes nos programas sociais de 7 bilhões de euros. Em junho já havia cortado 11 bilhões. O arrocho evidentemente não inclui os bancos (muito grandes para falir) mas os trabalhadores: o ministro das Finanças, Osborne, prometeu cortar 490 mil servidores públicos e postergação da idade mínima da aposentadoria de 64 para 66 anos.

- Os ministérios terão seus orçamentos reduzidos em 25%, caso as medidas passem no parlamento.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2918-26-11-2010/P6/pag6a.htm


Itália:

- Corte de 12 bilhões de dólares e corte de 130.000 empregos no setor de educação.

- O governo de Berlusconi anunciou cortes em estímulo ao setor cultural no montante de US$ 380 milhões durante os próximos três anos. Só do orçamento do Ministério da Cultura serão retirados US$ 58 milhões a cada ano.

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Outro tipo de corte são as vantagens fiscais a empresas que apóiam atividades culturais e que segundo o governo deixarão de existir. Esses incentivos fiscais eram direcionados ao cinema, teatro e shows e serão cortados em 40%.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2918-26-11-2010/P6/pag6e.htm


Irlanda:

- Aos 14 bilhões de euros de arrocho que os irlandeses já sofreram desde 2008, está prevista nova sangria de 15 bilhões de euros até 2014, com 40% disso – 6 bilhões – já em 2011. Nos últimos três anos, a economia afundou quase 20%. Só nas operações de emergência para salvar bancos este ano, o governo irlandês consumiu 20% do PIB, e o déficit orçamentário chega a 32%.

- “Ninguém ficará à margem” dos sacrifícios, prega o Plano de 140 páginas – desde que não seja banco ou multinacional, que continuarão pagando de imposto de renda míseros 12,5% – a metade da média europeia -, e evadindo ao ano 20% do PIB. O salário mínimo será cortado em 12%. Vão cobrar imposto de renda até de quem recebe salário mínimo, pois o patamar de isenção foi rebaixado de 18.000 para 15.300 euros.

- O imposto sobre valor agregado (IVA), subirá de 21% para 22% em 2013 e para 23% em 2014. Aumento de 33% nas anualidades da universidade pública, de 1500 para 2000 euros. Demissão de 8% dos servidores públicos e redução de salários em 10%. Cortes no seguro-desemprego e no auxílio às crianças, da ordem de 2,8 bilhões de euros, mais 1,4 bilhões na saúde. A idade para aposentadoria irá aumentar para 66 anos, em 2014.

- Em troca do sangue dos irlandeses, FMI, Comissão Europeia e governo inglês injetarão 85 bilhões de euros, que, no fundamental, vão garantir os bancos ingleses, alemães, norte-americanos e franceses expostos crise bancária na Irlanda. Na quarta-feira (24), ações do Allied Irish desabaram mais 22%, para 0,25 euros, e as do Bank of Ireland, 33%, para 0,2 euros. De acordo com o jornal irlandês “Independent”, a situação “é tão crítica que Dublin poderá bombear dinheiro extra nos bancos até este fim de semana, bem antes dos primeiros fundos europeus e do FMI chegarem”. Do pacote, 48 bilhões vão para cobrir o déficit até 2014 – isto é, pagar juros aos bancos estrangeiros; 15-20 bilhões, direto para o rombo do Anglo Irish, Allied Irish e Bank of Ireland; e 20 bilhões para um “fundo de emergência”.

- Diminuição dos gastos sociais de 2,8 bilhões de euros em quatro anos.

- Corte de 24.750 empregos públicos.

- Redução do salário mínimo por hora de 8,65 euros para 7,65 euros.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2918-26-11-2010/P7/pag7c.htm

http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/selecao-diaria-de-noticias/midias-nacionais/brasil/estado-de-minas/2010/11/25/crise-na-europa-irlanda-faz-cortes-para-garantir


França:

- Sarkozy afrontou os franceses promulgando a lei que eleva a idade mínima da aposentadoria de 60 para 62 anos. A lei foi publicada às pressas no Diário Oficial, na quarta-feira (10/11).

- Além do atraso da idade de aposentadoria de 60 para 62 anos, que afetará os nascidos a partir de 1 de julho de 1951, para receber o benefício total, a idade subirá de 65 para 67 anos para aqueles que não contribuíram pelo período mínimo, que atualmente é de 40,5 anos, mas passará, gradualmente, a ser de 41,5 anos.

- A percentagem de contribuição dos funcionários públicos subirá dos 7,85% atuais para 10,55%.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2914-12-11-2010/P6/pag6a.htm


Portugal:

- O governo do primeiro ministro José Sócrates quer economizar cinco bilhões de euros em 2011. Para isso reduziu os salários dos trabalhadores nas empresas públicas entre 3 e 10%, cortou os benefícios, aumentou o IVA, congelou os salários dos aposentados para assim conseguir em 2011 um déficit público não superior a 4,6% do PIB.

http://www.horadopovo.com.br/2010/novembro/2913-10-11-2010/P6/pag6b.htm


Espanha

- Cortes no valor de €80 bilhões. Para esse fim, 13 mil empregos do setor público serão cortados, os salários dos funcionário públicos será reduzido em 5% e as pensões serão congeladas. Os €2,500 até então destinados às famílias com crianças recém nascidas serão cortados sem nenhuma forma de compensação.

http://www.movimentonn.org/jornal/noticia/internacional/2139

November 4, 2010, 2:47 PM ET

In U.S., 14% Rely on Food Stamps

By Sara Murray, naquele jornal comunista, o Wall Street Journal

Um grande número de domicílios americanos ainda depende da assistência do governo para comprar comida, no momento em que a recessão continua a castigar famílias.

O número dos que recebem o cupom de comida [food stamps, a versão americana do Bolsa Família] cresceu em agosto, as crianças tiveram acesso a milhões de almoços gratuitos e quase cinco milhões de mães de baixa renda pediram ajuda ao programa de nutrição governamental para mulheres e crianças.

Foram 42.389.619 os americanos que receberam food stamps em agosto, um aumento de 17% em relação a um ano atrás, de acordo com o Departamento de Agricultura, que acompanha as estatísticas. O número cresceu 58,5% desde agosto de 2007, antes do início da recessão.

Em números proporcionais, Washington DC [a capital dos Estados Unidos] tem o maior número de residentes recebendo food stamps: mais de um quinto, 21,1%, coletaram assistência em agosto. Washington foi seguida pelo Mississipi, onde 20,1% dos moradores receberam food stamps, e pelo Tennessee, onde 20% dos residentes buscaram ajuda do programa de nutrição.

Idaho teve o maior aumento no número de recipientes no ano passado. O número de pessoas que receberam food stamps no estado subiu 38,8%, mas o número absoluto ainda é pequeno. Apenas 211.883 residentes de Idaho coletaram os cupons em agosto.

O benefício nacional médio por pessoa foi de 133 dólares e 90 centavos em agosto. Por domicílio, foi de 287 dólares e 82 centavos.

Os cupons se tornaram um refúgio para os trabalhadores que perderam emprego, particularmente entre os estadunidenses que já exauriram os benefícios do seguro-desemprego. Filas nos supermercados à meia-noite do primeiro dia do mês demonstram que, em muitos casos, o benefício não está cobrindo a necessidade das famílias e elas correm antes da chegada do próximo cheque.

Mesmo durante as férias de verão as crianças retornaram às escolas para tirar proveito da merenda, onde ela estava disponível. Cerca de 195 milhões de almoços foram servidos em agosto e 58,9% deles foram de graça. Outros 8,4% foram a preço reduzido. Este número vai aumentar quando os dados do outono forem divulgados já que as crianças estarão de volta às escolas. Em setembro passado, por exemplo, mais de 590 milhões de almoços foram servidos, quase 64% de graça ou com preço reduzido.

Crianças cujas famílias tem renda igual ou até 130% acima da linha da pobreza — 28 mil e 665 dólares por ano para uma família de quatro pessoas — podem ter acesso a almoços gratuitos. As famílias que tem renda entre 130% a 185% acima da linha da pobreza — 40 mil e 793 dólares para uma família de quatro — podem receber refeições a preço reduzido, não mais que 40 centavos de dólar de desconto.

Ps do Viomundo: Texto dedicado àqueles que acham chique os programas sociais na França, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas tem “horror!” dos programas sociais brasileiros.

http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1721