Arquivo da categoria ‘Arthur Virgílio’

A Academia Brasileira de Letras, que já abrigou escritores renomados como Machado de Assis, Olavo Bilac e Jorge Amado, vive nos dias de hoje um período obscuro.  Primeiro com a eleição de José Sarney, um político que usa seu poder econômico para transformar Estados do nordeste em verdadeiras capitanias hereditárias administrada por seus familiares e aliados políticos. Este senhor é uma das figuras mais abjetas da história do Brasil. Em seu cargo na ABL, ele almeja passar à posteridade como o escritor “imortal” que conduziu a transição do país da Ditadura Militar à Nova República. Logo ele que foi ferrenho apoiador da Ditadura, mas aderiu a democracia por  interesses políticos.

Neste ano, a ABL cometeu mais uma vergonha, elegeu o “calunista” Merval Pereira das Organizações Globo. Merval Pereira só publicou 2 livros: um deles em 1979, feito a quatro mãos, e outro em 2009, que reúne artigos publicados no jornal O Globo – se vocês acompanham o jornal, perceberão que o “calunista” faz oposição ferrenha aos governo Dilma e Lula. Em um deles, o Merval Pereira pratica sua militância política em formato de jornalismo:

“Serra foi atingido, sim, por uma bobina de papel crepe (o tal ‘artefato’) que, arremessado com força, pode provocar danos graves na pessoa atingida.” (Merval Pereira, em 24 de outubro de 2010)

O jornalista Luis Nassif comentou na época “A ABL, a casa de Machado de Assis, que deveria ser a guardiã implacável dos valores da literatura, a defensora intransigente da meritocracia, a defensora dos escritores, o selo de qualidade, o passaporte final para a posteridade, é uma casa menor, em alguns momentos parecendo mais uma cloaca de fazenda do que um lugar de luzes e de letras”. Disse ainda que “Merval tem a visibilidade e o poder proporcionados pela Rede Globo. Tem moeda de troca – o espaço na TV Globo, podendo abastecer o ego dos seus pares e as demandas da ABL. Poderia até ganhar prêmios jornalísticos, jamais a maior condecoração da literatura brasileira”. A eleição de José Sarney também traz benefícios à ABL, este senador conseguiu emplacar no Senado um projeto que garante à ABL isenção tributária e cancelamento de todos os débitos com a Receita Federal.

Arthur Virgílio

Mas não é somente a Academia Brasileira de Letras que nos envergonha, hoje (08) o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB/AM) divulgou pelo Twitter que foi agraciado com a cadeira de número 3 na Academia Amazonense de Letras. Para quem não se lembra de sua atuação parlamentar, o Arthur Virgílio afirmou em sessão no Congresso Nacional que iria dar uma surra no Lula. De modo não literal, foi Lula quem deu uma surra no “nobre imortal”, já que graças a militância do ex-presidente, o Arthur Virgílio perdeu a vaga nas eleições de 2010.

Veja abaixo o convite para a cerimônia de posse do Arthur Virgílio e o vídeo que ele ameaça o Lula:

pic.twitter.com/n8wpUesG

@arturvirgilioam é o mais novo imortal da Academia Amazonense de Letras

 

É ou não é uma vergonha?

Eleita em outubro de 2010 com 672,9 mil votos, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) corre o risco de perder o mandato de senadora no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tramita contra ela um recurso contra expedição de diploma por abuso de poder econômico, compra de votos e captação e gasto ilícito de recursos de campanha. A expectativa é que até o fim do ano a ação seja julgada pelos ministros da corte eleitoral.

O recurso contra expedição de diploma, apesar de ser de autoria do Ministério Público Eleitoral (MPE), explicita uma briga política local. O autor da denúncia foi o candidato derrotado ao Senado pelo PSDB, Arthur Virgílio. Tentando a reeleição, Arthur teve desempenho nas urnas similar ao da comunista. Porém, por uma diferença de apenas 28,58 mil votos – 0,98% dos votos válidos – não conseguiu uma cadeira no Senado pelo estado.

Dias após a realização do primeiro turno, o tucano levou ao MPE sete pessoas que afirmaram, em depoimento, terem vendido seus votos em favor de Vanessa, de seus suplentes Francisco Garcia Rodrigues e Alzira Ferreira Barros, e do deputado estadual Eronildo Braga Bezerra. Todos eles faziam parte de uma coalizão de partidos que elegeu o ex-governador Eduardo Braga (PMDB-AM) ao Senado e reconduziu Omar Aziz (PMN) ao governo estadual.

De acordo com a representação do MPE protocolada no TSE, houve compra de votos e abuso de poder econômico pelo uso do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), vinculado à Secretaria de Produção Rural (Sepror). O órgão é responsável pelo programa Zona Franca Verde, que distribui sementes e implementos agrícolas (motores, kits ferramentas e pescador, entre outros) a agricultores do interior do estado.

Na visão da vice-promotora-geral eleitoral, Sandra Cureau, que assina a denúncia, a distribuição das sementes e outros materiais pelo Idam teve como propósito beneficiar as candidaturas de Vanessa, Bezerra e de outros integrantes da coligação Avança Amazonas. Eronildes, o candidato a deputado estadual, que é marido de Vanessa, fez parte do governo Eduardo Braga até 31 de março de 2010. E ele era justamente o secretário da Sepror, a pasta responsável pelo programa que atualmente é questionado na Justiça Eleitoral.

Com Cármen Lúcia

Políticos ligados tanto à senadora quanto ao tucano evitam falar publicamente sobre o caso. Porém, nos bastidores, deixam claro que a vitória da comunista não foi bem digerida pelo adversário. Um parlamentar disse que as evidências de que houve corrupção eleitoral são grandes. “Acho que dessa ela não escapa”, disse o deputado. O processo está, neste momento, nas mãos da relatora, ministra Cármen Lúcia.

Já políticos ligados à comunista e que fizeram parte da coligação vencedora em 2010 corroboram a versão de que a atitude de Arthur Virgílio é “digna de mau perdedor”. Na tentativa de derrubar os argumentos levados ao TSE pelo MPE, dizem que a campanha do tucano foi milionária e que contou também com o pagamento de cabos eleitorais e abuso econômico.

Para a defesa da parlamentar, encabeçada pelo ex-ministro do TSE José Gerardo Grossi, políticas públicas “não caracterizam abuso de poder econômico ou corrupção, pois é dever do Estado prestar assistência social”. O advogado se refere à contestação do Ministério Público sobre o suposto uso do programa Zona Franca Verde para compra de votos. “Não há de se falar em abuso de poder ou captação indireta de sufrágio, pois as políticas públicas foram autorizadas por lei e executadas dentro dos parâmetros legais”, disse a defesa.

O programa, de acordo com Grossi, existe desde o início de 2003. “De se ressaltar que este programa social para o desenvolvimento e dinamização de cadeias produtivas da agropecuária, pesca, aquicultura foi posto em prática já no ano de 2005 e nos subsequentes até a atualidade”, argumentou o advogado. “Não existe a participação ou a anuência dos recorridos em suposta prática de atos em seus benefícios.”

Sobre a apreensão dos R$ 88 mil, junto com o material de campanha da hoje senadora, a defesa diz que não existe qualquer prova de ligação entre os dois. “Não tenho nada a ver com isso, ele estava levando o material de campanha para uma outra cidade”, disse a senadora. Ela se referiu à apreensão de dinheiro. A comunista corrobora a tese de seus aliados. Para ela, o tucano “não admite” ter perdido a eleição.

Tranquilidade

Até agora, foram realizadas oitivas com testemunhas e houve produção de provas materiais. Segundo o TSE, os autos estão para a conclusão de Cármen Lúcia desde a última segunda-feira (3). Desta maneira, a ministra pode apresentar a qualquer momento seu parecer pedindo a cassação ou recomendando a absolvição da comunista. Caso o plenário entenda que os indícios são suficientes para a condenação, o tucano assume o mandato.

“Estou muito tranquila, todas as oitivas realizadas até agora foram muito positivas e só reforçam a defesa”, disse a senadora. De acordo com Vanessa, são “muitas” as ações contra ela na Justiça Eleitoral. No próprio Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) foi apresentado um recurso contra sua candidatura.

A comunista afirma que a campanha foi feita “dentro dos limites legais”, com todas as contas divididas entre os candidatos da chapa majoritária. “Tivemos muito cuidado de fazer a prestação de contas, tudo foi dividido de acordo”, afirmou.

Do Pragmatismo Político

Sinceramente, a oposição brasileira naufragou. Primeiro com a “defesa” de um salário mínimo maior e agora “defendendo” o programa “Minha Casa, Minha Vida”.

O Paulo Henrique Amorim em seu blog já desmintiu a história de cortes no PAC. Veja:

http://www.conversaafiada.com.br/audio/2011/02/28/miriam-nao-corta-minha-casa-nem-pac/

É engraçado essa “defesa” da oposição, pois em 2009 diziam que o programa era um “pactóide”. E claro, o nosso ilustre comediante José Serra disse que o programa era um estelionato eleitoral.

Vejam:

 

Algumas entrevistas dos demotucanos atacando o “Minha Casa, Minha Vida”:

“O PSDB, assim como arquitetos, urbanistas, ambientalistas e até empresários da construção, avalia o pacote, tomada às pressas e sem estratégias definidas, como mais um plano de caráter emergencial com toque de marketing” (senador Sérgio Guerra PSDB/PE, 25 de março de 2009)

“PSDB classificou o novo programa como ”pactoide” habitacional” (senador Sérgio Guerra PSDB/PE, 25 de março de 2009)

“Está obscuro. Cadê o prazo para construir estas casas. O povo que criou uma expectativa precisa da resposta” (deputado Fernando Coruja PPS/SC, 25 de março de 2009)

“Iniciativas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o ‘Minha Casa, Minha Vida’, usados como vitrines do governo do PT, são claramente eleitoreiros e ineficientes, apesar de o Planalto tentar passar outra imagem para os brasileiros” (deputado João Almeida PSDB/BA, 09 de março de 2010)

“Esse é um programa fantasioso, com caráter eleitoreiro, que apresenta um número fantasmagórico, muito ao estilo do presidente Lula” (deputado João Almeida PSDB/BA, 09 de março de 2010)

“Dá para zerar o déficit de moradias tranquilamente”: Hoje esse déficit é de 6,3 milhões de unidades, de acordo com o IBGE. Até dezembro último, o governo federal só havia conseguido entregar, por meio do programa “Minha Casa, Minha Vida”, 1.221 unidades de um promessa que chega a 1 milhão de residências.” (Site do PSDB, 20 de abril de 2010) 1.221? Os tucanos ficaram doidos?

O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), por exemplo, disse que a proposta está “prenhe de boas intenções”, mas ressaltou nota técnica emitida pela Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, segundo a qual a matéria poderá entrar em conflito com a realidade orçamentária do país.

“Do ponto de vista do marketing, o projeto é muito bem lançado. As filas de inscrição são quilométricas. Mas onde se vai arranjar terreno para as casas? O que caracteriza que esse é um plano de intenções. Não vai acontecer em um ano, dois ou três” (senador José Agripino DEM/RN, 16 de junho de 2009)

“Não se deve exagerar nos elogios para evitar o sentimento de frustração verificado com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)” (senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG, 16 de junho de 2009)

“O plano da habitação é um estelionato (eleitoral) como nunca houve” e “Minha Casa, Minha Vida. É um estelionato” (VALOR 9/4/2010)

O vereador Juvêncio Oliveira, DEM, usou o plenário da Câmara Municipal de Aracaju para falar sobre o projeto ‘Minha Casa, Minha Vida’, que em sua opinião, tem sido usado na tentativa de enganar a população e angariar votos para a campanha do próximo ano. ”O povo correu atrás do que foi anunciado e até agora nestes três anos nada foi feito, deixando todos numa situação vexatória”, argumentou o parlamentar.

 

Nada como a realidade:

Sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011 às 16:08

Minha Casa, Minha Vida supera meta econtrata mais de 1 milhão de moradias

Quarta-feira, 29 de dezembro de 2010 às 20:50

Minha Casa, Minha Vida supera meta de 1milhão de casas contratadas e cala críticos

 

 

Por Altamiro Borges

Outro direitista rejeitado pelas urnas em outubro passado, Arthur Virgílio não se conforma com a derrota. Na Justiça Eleitoral, ele já entrou com representações contra Eduardo Braga (PMDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB), eleitos senadores pelo Amazonas. No trabalho, ele pediu para retornar ao Itamaraty, aonde “irá receber um salário mensal bruto de R$ 16,5 mil”, segundo informou a Folha. Já na política, o ex-senador agora se dedica a destilar todo seu rancor com a derrota pelo twitter, segundo a mesma fonte.

“A história vai dar ao Fernando Henrique papel maior que o do Lula. Ele não escapa desse julgamento”, escreveu recentemente. O bravateiro tucano, metido à valente, parece que não aprende. Em 2005, ele caiu no ridículo ao rosnar na tribuna do Senado que iria dar uma “surra” no presidente Lula. Ele é que foi “julgado” pelos eleitores, que lhe deram mais uma surra nas urnas. Mas Arthur Virgílio não desiste e tenta novamente se cacifar como um dos líderes da oposição de direita, mesmo sem mandato.

“Não tenho como ficar fora da política”

Na reportagem da Folha, ele garantiu que continua na ativa com o mesmo furor. “Ele não esconde que se prepara mesmo é para voltar à política, seja com uma vitória na Justiça Eleitoral, seja disputando a eleição para prefeito de Manaus, no ano que vem. ‘Não tenho como ficar fora da política’, diz”. A direita nativa inclusive tenta salvar o seu hidrófobo quadro. Segundo o Portal IG, ele já foi convidado para assumir alguns postos em governos tucanos, “inclusive pelo governador Geraldo Alckmin”.

É bom não vacilar diante do ex-senador. Ele é um bravateiro contumaz, que costuma morder a própria língua, mas ainda possui certa força, inclusive no Poder Judiciário. Suas representações contra Vanessa Grazziotin e Eduardo Braga podem causar dor de cabeça. Neste sentido, vale sempre refrescar a memória. Reproduzo abaixo artigo escrito em setembro passado:

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Vanessa ameaça o tucano Arthur Virgilio

As últimas pesquisas eleitorais indicam que o senador tucano Arthur Virgílio Neto, inimigo feroz do governo Lula, dos movimentos sociais e das causas progressistas, corre o sério risco de não se reeleger no Amazonas. Este resultado seria motivo de festas, unindo distintas forças que sempre foram alvo das suas truculências. Num de seus ataques, em plena tribuna do Senado, o valentão rosnou que daria “uma surra no Lula”. Mas ele pode mesmo é apanhar é dos eleitores do estado.

Segundo pesquisa divulgada no jornal A Crítica, a popularidade do presidente Lula bate recordes no estado e a candidata Dilma Rousseff já alcançou 76% da preferência do eleitorado. Não é para menos que o valentão simplesmente rifou o demotucano José Serra (com apenas 9% dos votos), escondeu a sigla do seu partido, o PSDB, e até mudou de nome – agora é Artur, sem H. Já o seu candidato ao governo do estado, “um poste”, não passa do zero nas sondagens eleitorais.

A solidão do tucano valentão

A disputa promete ser mais emocionante é para as duas vagas do Senado. Como constata o jornal Valor, “Virgílio está praticamente sozinho. Seus adversários estão nas duas maiores coligações do Estado e têm suas candidaturas turbinadas pelos apoios do presidente Lula, da petista Dilma Rousseff e do ex-governador Eduardo Braga (PMDB), que aparece virtualmente eleito senador com mais de 80% das intenções de voto”. A briga é pela segunda vaga. O tucano, que se jactava de imbatível, despenca nas pesquisas; já Vanessa Grazziotin, do PCdoB, disparou nas sondagens.

“O embate Arthur-Vanessa será mais acirrado que a campanha de governador”, avalia Edmilson Barreiros, procurador-regional eleitoral do Amazonas. O tucano ainda tenta disfarçar otimismo, mas a tendência é irreversível. “Pesquisa feita entre 15 e 22 de agosto pela Perspectiva mostra Virgílio com 39% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Vanessa Grazziotin, que chegou a 39,3%. Na última coleta de dados do Ibope – 27 a 29 de julho -, Eduardo Braga liderava com 86%, seguido por Virgílio (43%) e Vanessa (33%)”, relata o jornal Valor.

“A mentira tem perna curta”

Desesperado, o valentão tucano afinou. Ele evita criticar o presidente Lula e, na maior caradura, afirma que foi “parceiro” do governo federal. Mas, como afirma Vanessa Grazziotin, “o povo vai cair na real e vai ver que a campanha do meu adversário é completamente mentirosa. Ele passou oito anos atacando o presidente Lula e hoje coloca tudo de bom que o presidente fez como se ele tivesse participado. Mas a mentira tem perna curta”, afirmou a candidata à Rede Brasil Atual.

Já na eleição para governador do estado, em 2006, os amazonenses demonstraram que não caem mais nas bravatas e mentiras do senador tucano. Apesar da forte exposição na mídia como líder da oposição ao governo Lula no episódio do “mensalão”, ele obteve somente 5,51% dos votos. Escaldado com a baita “surra” nas urnas, Arthur Virgílio até ensaiou uma mudança de postura, elogiando o presidente Lula, “que está mais maduro”, e fazendo autocrítica da sua “oposição exagerada”. Mas era pura encenação. Pouco depois, ele voltou ao oposicionismo hidrófobo.

Amigo dos ricos, inimigo dos pobres

Na batalha da CPMF, Arthur Virgílio foi um dos mais ácidos na crítica ao tributo que penalizava grandes empresas e era destinado às áreas sociais. Ao tentar agradar as camadas ricas, inimigas de impostos e adeptas da sonegação, colocou-se abertamente contra os mais pobres, inclusive do seu estado, que dependiam deste tributo para ter acesso à saúde e ao programa Bolsa Família. Furioso, o senador até ameaçou renunciar ao cargo de líder do PSDB caso seus pares seguissem a orientação de governadores tucanos mais pragmáticos, que contavam com o repasse da CPMF.

A revista CartaCapital estampou na capa a fotomontagem de Arthur Virgílio como papagaio de pirata de FHC, prognosticando que o senador poderia sentir os reflexos desta atitude antipopular com uma nova “surra” no pleito ao Senado em 2010. Mas o senador não tem cura mesmo. Logo na sequência, ele reocupou o papel de testa-de-ferro dos ricaços, em especial dos banqueiros, na batalha contra o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre as Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social sobre Lucros Líquidos). Tudo para prejudicar o presidente Lula!

As bravatas do senador tucano

As mentiras e bravatas do senador já são conhecidas. A enciclopédia eletrônica Wikipédia até as tornou famosas no mundo. No verbete dedicado ao folclórico político amazonense, ela apresenta vários casos escabrosos. Lembra que o tucano, um dos vestais da ética contra os “recursos não contabilizados” do PT, confessou ao Jornal do Brasil, em 19 de novembro de 2000, que também usou tal expediente:

“Em 1986, fui obrigado a fazer Caixa-2 na campanha para o governo do Amazonas. As empresas que fizeram a doação não declararam com medo de perseguição política”, confessou. A matéria, intitulada “ilegalidade é freqüente”, abordou ainda as denúncias de doações de R$ 10 milhões à campanha pela reeleição de FHC. Mas logo o papagaio de pirata fez a defesa do chefão: “Vamos acabar com essa história de mocinhos pré-fabricados e bandidos pré-concebidos. Neste país, o Caixa-1 é improvável. A maioria das campanhas tem Caixa-2”.

“Dou uma surra no Lula”

A enciclopédia também aborda outros temas constrangedores. Ela estranha o fato do senador ter sido “o carrasco da CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. Wikipédia cita ainda reportagem do jornal O Povo sobre a prisão do deputado Arthur Bisneto, filho do senador, em outubro de 2004 – logo após obter apenas 3,3% dos votos na eleição para prefeito de Manaus. Na praça matriz de Eusébio, nas redondezas de Fortaleza, ele teria “baixado as calças, mostrando as nádegas”, para duas adolescentes que não souberam dizer onde ficava o “Cabaré da Tia Bete”.

Denunciado por testemunhas, Bisneto foi preso por “atos obscenos”. Já na delegacia, ostentando o seu nome, desacatou a própria delegada Penélope Malveira, voltando a baixar as calças. “Ele teria reagido com palavrões e dito que com o relógio que estava no seu pulso dava para comprar ‘policiais, viaturas e você’ – referindo-se à delegada”. A cena grotesca, envolvendo o “filhinho de papai”, é que explicaria a reação de Arthur Virgílio, em novembro de 2005, quando afirmou em plena tribuna do Senado que “se ameaçarem um filho meu, dou uma surra no próprio Lula”.

Quem é “idiota ou corrupto”?

Agora travestido de “parceiro do Lula”, no mais rasteiro oportunismo eleitoral, o senador tucano sempre foi um inimigo raivoso do atual governo. Inclusive, ele utilizou a tribuna do Senado para chamar o presidente Lula de “idiota ou corrupto”. Na sua histeria golpista, pregou abertamente o impeachment contra o governante eleito democraticamente. Durante uma única sessão da CPI dos Correios, utilizou 17 vezes o termo “idiota” ao se referir ao atual mandatário. “Volto a dizer que nós temos um presidente que é um completo idiota ou é um corrupto”.

No auge da sua fama, durante a crise do governo Lula, o exibicionista procurou pousar de arauto da ética. Mas, como revelou a minuciosa reportagem de Fábio Jammal, na revista Fórum, ele náo teria moral para falar em corrupção. “Denúncias de mau uso do dinheiro público não faltaram quando ele foi prefeito de Manaus (1989-93)… Em dezembro de 2004, a Corregedoria-Geral da União lhe cobrou a restituição de R$ 154,7 mil aos cofres públicos por causa da falta de comprovação da aplicação de recursos transferidos pelo extinto Ministério do Interior”.

“Virgílio foi dos que pior reagiu à ação da Comissão de Ética quando, em fevereiro de 2002, recebeu pedido de explicações. Ele era titular da secretária-geral da presidência da República e freqüentou naquele carnaval os camarotes de empresas privadas no sambódromo carioca. Ele considerou um acidente a admoestação da comissão e tentou dizer que havia pagado R$ 2,5 mil pelo convite. Foi contestado, já que as camisetas da empresa em questão não estavam à venda”.

Inimigo do MST e de Chávez

O senador também é inimigo declarado de todas as causas progressistas, como a reforma agrária. Quando o presidente Lula colocou o boné vermelho do MST na cabeça, ele criticou “a sinistra e perigosa escalada do governo federal, que tolera de maneira licenciosa, e por vezes indecorosa, a agressividade do MST”. Para ele, a atitude democrática do presidente, de respeito e diálogo com os movimentos sociais, “pode ser interpretada como um apoio aos métodos ilegais, autoritários, antidemocráticos e violentos de reivindicação política”.

Partidário da derrotada proposta neocolonial dos EUA da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o senador fez de tudo para implodir o Mercosul e a integração soberana dos povos da região. O alvo da sua retórica agressiva é o presidente da Venezuela. “Caso dependa do PSDB, a Venezuela de Chávez não terá sua entrada no Mercosul aprovada”, afirmou na tribuna. Numa entrevista à revista Veja, o diplomata de formação Arthur Virgílio revelou todo o seu rancor anti-diplomático. “O PSDB não compactuaria jamais com um regime ditatorial como o de Hugo Chávez. O PSDB não perderia tempo acreditando nas balelas do senhor Evo Morales”.