Arquivo da categoria ‘PV’

Do Blog Amigos do presidente Lula

O programa Fantástico da TV Globo (de 18/3/2012), montou uma reportagem onde um repórter se passava por gestor de compras do hospital de pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (com autorização do hospital), e emitiu cartas-convite para contratação de serviços a algumas empresas.

O repórter gravou reuniões com representantes das empresas onde eles combinam resultados de licitações superfaturadas, pagando propina sobre os contratos……

O Fantástico não falou, mas as empresas foram escolhidas a dedo pela produção por já estarem envolvidas em escândalos de corrupção anteriormente (o que não invalida a reportagem).

Cortina de fumaça… que deu errado……

A denúncia montada atende ao interesse público e é válida a iniciativa do programa em desmascarar empresas corruptas, só cabe estranhar a TV Globo levar ao ar essa matéria sobre corrupção que não se consuma (pois era uma encenação), e não noticiar os casos de corrupção consumados da semana, como as relações do “professor”-bicheiro Carlinhos Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (DEM/GO) e com o governo de Marconi Perillo (PSDB/GO)…..

Parece até cortina de fumaça para encobrir o escândalo Carlinhos Cachoeira. A suspeita se reforça quando o Jornal Nacional reeditou a notícia na segunda-feira, acrescentando a informação de que a oposição ao governo federal fala em pedir uma CPI da saúde para investigar.
O problema é que a fumaça vai toda em direção a José Serra.
Outro esquema Sanguessuga?
A base governista deve assinar em peso essa CPI, pois será mais um capítulo da Privataria Tucana, misturado com sanguessuga 2.

E a primeira convocação deve começar pelas raízes do esquema, convocando José Serra (PSDB/SP) para explicar os contratos assinados entre o Ministério da Saúde (quando Serra era ministro), e a empresa Toesa Service Ltda. (uma das denunciadas pelo Fantástico), para oferecer serviços de ambulância terceirizados aos hospitais federais no Rio de Janeiro.

Eis alguns contratos firmados pela TOESA com o Ministério da Saúde, durante a gestão de José Serra:
Diário Oficial da União de 10/09/1999
http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=19&data=10/09/1999
Diário Oficial da União de 13/12/1999
http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=41&data=13/12/1999
Os contratos acima são apenas uma amostra. Num levantamento completo aparecem bem mais contratos.
A pergunta que não quer calar é: as negociações desses contratos quando Serra era ministro foram daquele jeito que o Fantástico mostrou?
Quando Serra assumiu a prefeitura de São Paulo, a Toesa foi atrás
Bastou José Serra ocupar a prefeitura de São Paulo em 2005, para a Toesa Service inaugurar filial em São Paulo, atendendo “já de início a Prefeitura” (nas palavras da própria empresa):
http://www.toesa.com.br/quem-somos.html
E continuou contratada pela prefeitura na gestão de Gilberto Kassab:
Ministério Público investiga empresa no mensalão do DEM
Depois de atender José Serra, a Toesa também abriu filial no Distrito Federal para atender o ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM) e de seu então secretário de saúde Augusto Carvalho (PPS). Estava envolvida no esquema do mensalão do DEM. Arruda e Carvalho gastaram por mês com a Toesa (sem licitação) mais do que gastaram com o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, apoiado pelo Ministério da Saúde) no ano todo de 2009.
http://www.jusbrasil.com.br/diarios/6731240/dodf-secao-03-13-11-2009-pg-73/pdfView

O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e a ex-senadora e candidata derrotada à Presidência da República Marina Silva (sem partido) deram nesta terça-feira indicações de que podem se tornar aliados próximos, ao se elogiarem mutuamente durante evento organizado pelo Instituto FHC, entidade que o ex-presidente criou para defender suas posições neoliberais e conservadoras e instrumentalizar sua ação político-partidária.

FHC começou seu discurso dizendo que o auditório estava cheio por causa do “fascínio” que Marina exercia sobre as pessoas.

O ex-presidente disse que os dois mantêm bom relacionamento há muito tempo. Referiu-se à troca de cartas que faziam quando ela era senadora pelo PT do Acre e ele presidente da República.

“Marina é uma pessoa íntegra que diz as coisas com sinceridade”, disse o ex-presidente neoliberal.

Marina Silva que já se despiu de todo traje progressista com que outrora conquistou notoriedade como militante petista, afagou o decadente líder tucano: “o senhor tem uma responsabilidade muito grande em relação a esse debate. Referia-se ao tema ambiental. Marina compareceu ao ninho do tucano para falar sobre o Código Florestal, aprovado pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado.

Marina elogiou FHC atribuindo a ele o esforço em favor da aprovação pelo Congresso da legislação sobre a Mata Atlântica quando era ministra do governo Lula.

“O senhor sempre ajudou com a sua bancada de senadores”, disse a ex-ministra.
Marina ainda colocou o ex-presidente na sua lista de “mantenedores de utopia”, que inclui Lula, o ambientalista Chico Mendes e o educador Paulo Freire.

“Essas pessoas nos ensinaram que não deveríamos ser pragmáticos, mas deveríamos ser sonhadores”, disse.

Marina ainda classificou o evento no Instituto FHC como um diálogo de convergência. E disse que está disposta a continuar o debate.

A troca de amabilidades entre FHC e Marina Silva revela a disponibilidade de ambos para uma aliança política tendo em vista formar um campo político em essência conservador e neoliberal com ares de modernidade.

Nepotismo dos mais descarados acontece em São João Batista diante dos olhos cegos da Justiça. A prefeita empregou seus familiares nos cargos mais altos do município.

A começar pelo seu esposo da prefeita Surama Soares, o ex-prefeito Zequinha Soares, que ficou inelegível por misturar o público com o privado, ocupa o cargo de secretário de Administração e Finanças da prefeitura. Sem falar que até a cozinheira da família, de nome Lidiane, agora é assistente de dentista.

Enquanto a prefeita pendurou no cabide os familiares, com salários altos, os concursados que estudaram e se preparam até hoje nunca foram chamados para ocupar os cargos que foram aprovados.

Surama Soares não respeita nem mesmo a decisão judicial pela segunda vez que mandou empossar os concursados.

Veja abaixo a relação dos familiares da prefeita que mamam nas tetas da prefeitura de São João Batista:

Secretária de Educação – Cleana Luzia Silva Santos Jacinto (prima)

Secretária de Saúde – Herlen fernanda Carneiro Pinto (prima)

Secretário de Agricultura – Boaventura Ferreira Soares (cunhado)

Secretário de Infraestrutura – Diolindo Silva Pinto (cunhado)

Cordenadora de Enfermagem – Alissone Soares Pinto (sobrinha)

Coordenadora do PSF – Raquel Santos Jacinto (prima)

Coordenadora de Educação – Ildenê Soares Pinto (sobrinha)

Coordenadora de Educação – Eliane Soares Cutrim (cunhada

Na Secretaria de Educação o empreguismo familiar rola solto, diante dos olhos cegos da Justiça e do Ministério Público.

1 – Coordenadora do Ensino Fundamental – Iracema Soares;
2 – Coordenadora do Brasil Alfabetizado – Iracema Soares
3 – Professor do Brasil Alfabetizado – Verneylan Soares (filho de Iracema Soares)
4 – Professora do Brasil Alfabetizado- Vanessa Soares (filha de Iracema Soares)
5 – Funcionária da Secretaria de Saúde -Vanessa Soares (filha de Iracema Soares)
6 – Professora do Brasil Alfabetizado – Márcia Fernando (cunhada de Iracema Soares)
7 – Digitador do Brasil Alfabetizado – Valmir Soares (filho de Iracema Soares)
8 – Professora do EJA – Cléa Soares (enteada de Iracema Soares)
9 – Secretária doméstica da casa de Iracema Soares, paga pela secretária conhecida como Bila.
10 – Coordenadora do Ensino Fundamental – Andrea Soares (cunhada da prefeita)
11 – Coordenadora do Brasil Alfabetizado – Andrea Soares (cunhada da prefeita)
12 – Professora da Escola Marly Sarney – Andrea Soares (cunhada da prefeita
13 – Coordenadora do Ensino Fundamental – Eliane Soares
14 – Coordenadora do Brasil Alfabetizado – Eliane Soares
15 – Professora do Brasil Alfabetizado – Rafaela Soares (filha de Eliane Soares)
16 – Funcionária da Secretaria de Saúde- Rafaela Soares (filha de Eliane Soares)
17 – Professor de Brasil Alfabetizado – Herbeth Aranha (irmão de Eliane Soares)
18 – Professor do EJA e funcionário da Caema – Herbeth Aranha (irmão Eliane Soares)
19 – Assessora da prefeita – Leila Soares (irmã da prefeita)
20 – Coordenadora do Ensino Fundamental – Georgina Soares (cunhada da prefeita)
21 – Secretária de Educação – Cleana Santos Jacinto
22 – Presidente da Comissão de Licitação – Ivan Aguiar Jacinto (esposo da secretária )
23 – Funcionário do Depósito Material Didático – Fernando Santos Jacinto (irmão da secretária)
24 – Assessora da secretária de Educação -Graça Jacinto (cunhada da secretária)
25 – Motorista do ônibus escolar -Américo Santos Jacinto (irmão da secretária)

Fonte:

Uol

Blog do Luis Cardoso

Blog do Décio

CartaCapital:

Amorim e os EUA

por Marina Amaral e Natalia Viana

Aos olhos do serviço diplomático dos Estados Unidos, em especial durante a era Bush, a posição independente do Ministério das Relações Exteriores, capitaneado por Celso Amorim, hoje ministro da Defesa, parecia uma constante provocação. Nos telegramas vazados pelo WikiLeaks, o MRE é acusado de dificultar as relações bilaterais por suas “inclinações antiamericanas”, definidas por um ministro “nacionalista” e um secretário-geral “antiamericano virulento” (Samuel Pinheiro Guimarães), e secundado por um “acadêmico esquerdista” (Marco Aurélio Garcia), conselheiro de política externa do presidente Lula.

“Manter a relação político-militar com o Brasil requer atenção permanente e, talvez, mais esforço do que qualquer outra relação bilateral no hemisfério”, desabafava o embaixador John Danilovich, em novembro de 2004.

Foi ele que, numa reunião em março de 2005, tentou convencer Amorim da ameaça “cada vez maior” que a Venezuela representava à região. A resposta “clara” e “seca” do chanceler desapontou o americano: “Nós não vemos Chávez como uma ameaça. Não queremos fazer nada que prejudique nossa relação com ele”. E cortou o assunto.

O sucessor de Danilovich, Clifford Sobel, teve mais sorte. O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim era interlocutor contumaz do embaixador, a ponto de confidenciar sua irritação com o MRE, em especial com Pinheiro Guimarães. Tornou-se peça vital em uma estratégia diplomática americana que explorava a divisão dentro do governo em proveito próprio, como revelam os telegramas.

Em fevereiro de 2009, já com Obama na Presidência dos Estados Unidos, Sobel enviou uma série de três informes, sugerindo formas de contornar o triunvirato “esquerdista” da política externa brasileira. O jeito, afirma, seria fazer aliança com o setor privado, que tem “habilidade para conseguir aprovar iniciativas junto ao governo” e tentar uma aproximação direta com Lula e outros ministros que poderiam defender a causa americana.

Uma “estratégia testada”, afirma Sobel, citando entre outros exemplos o caso da transferência para o Brasil dos 30 agentes da DEA, a agência americana de combate às drogas, expulsos da Bolívia por Evo Morales no fim de 2008. “Apesar da recusa do MRE de conceder vistos aos agentes, conseguimos realizar a transferência com a ajuda da Polícia Federal, da Presidência da República e de nossas excelentes relações com o ministro da Justiça (Tarso Genro)”, gaba-se.

O segundo telegrama foca os minguados recursos humanos e financeiros do Itamaraty, apresentando-os como oportunidade para os Estados Unidos. Muitos cargos diplomáticos estavam sendo preenchidos por “trainees e terceiros-secretários” por falta de pessoal para as novas embaixadas brasileiras, observa o embaixador americano, acrescentando que seria “crucial influenciar essa nova geração”.

“Os franceses instituíram um programa de intercâmbio diplomático com o Itamaraty em 2008, semelhante ao nosso Transatlantic Diplomatic Fellowship, e agora têm um diplomata trabalhando no Departamento Europeu do Itamaraty. Uma proposta similar seria válida para conseguir um posto que nos permita observar de dentro esse ministério-chave e mostrar como os Estados Unidos executam sua política externa”, sugere.

No terceiro telegrama, Sobel afirma que, embora o MRE continuasse a ser o líder incontestável da política externa brasileira, o crescimento internacional tendia a erodir seu controle. Apesar da falta de hábito das instituições brasileiras em lidar diretamente com governos estrangeiros, alguns ministérios como o do Meio Ambiente e, principalmente, o da Defesa estabeleceram relações diretas com a embaixada norte-americana em Brasília, relata.

Um telegrama enviado em 31 de março de 2009, depois da visita do presidente Obama ao Brasil, dá um exemplo prático da eficiência dessa estratégia. Pedindo sigilo absoluto de fonte, o embaixador conta que Jobim pretendia contribuir com o combate ao narcotráfico na região, possivelmente através do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) criado pela União Sul-Americana de Nações (Unasul). “Ele disse que o CDS poderia ser o canal perfeito para conseguir o engajamento dos militares dos outros países sem passar pelo MRE”, escreve, acrescentando que o então ministro da Defesa estaria disposto a envolver os militares no combate ao tráfico nas fronteiras brasileiras. “O plano de Jobim sinaliza um grande passo, uma vez que o assunto é altamente sensível internamente, no governo, e para o público brasileiro”, comenta.

Também durante as tratativas frustradas de compra dos caças, Jobim e os líderes militares agiram longe do Itamaraty, como mostram os cerca de 50 telegramas sobre o tema. Em um deles, Sobel relata a visita da comitiva presidencial à França e comenta, com ironia, as reportagens da imprensa brasileira que afirmam o apoio de Lula, Amorim e Jobim à aquisição dos caças Rafale: “Talvez isso seja mais um marriage blanc do que amour veritable”, diz. E explica: “Nos encontros privados com o embaixador, Jobim minimizou a relação com a França e manifestou um claro desejo de ter acesso à tecnologia americana. O obstáculo é o Ministério das Relações Exteriores”.

Sobel também se reuniu com os comandantes das Forças Armadas para pedir “conselhos” sobre as chances de os caças da Boeing vencerem a concorrência de quase 10 bilhões de reais. Ficou entusiasmado com o resultado: “Os apoiadores mais fortes do Super Hornet (o F-18 americano) são as lideranças militares, em particular o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito”, relata em telegrama de janeiro de 2009.

O embaixador também obteve “uma cópia não oficial” de uma Requisição de Informações da Aeronáutica (passada eletronicamente para Washington), que “permite planejar os próximos passos para os Estados Unidos vencerem a negociação”. Além de garantir que o preço não seria o principal critério da escolha, o documento informa que a Embraer, “principal beneficiária de qualquer transferência de tecnologia”, consideraria “desejável a oportunidade de estabelecer uma parceria com a Boeing”, principalmente se houvesse “a intenção de oferecer uma cooperação adicional na área da aviação comercial”.

À luz dos telegramas do WikiLeaks, o relatório apresentado em janeiro de 2010 pela FAB ao ministro Jobim, colocando a aeronave sueca como melhor opção, exatamente por causa dos custos, traz novas indagações. O Rafale francês foi classificado em terceiro lugar, atrás dos caças americanos, esse sim apontado como o de melhor tecnologia. Mas não era o preço que importava, não é?

Todo mundo já sabia
Sirkis narra “reunião secreta” de PV e PSDB antes de eleição. Deputado conta, em livro, que Marina enviou emissários para discutir composição de chapa com Serra e FHC
Às vésperas da campanha de 2010, a presidenciável Marina Silva (PV) enviou aliados para um encontro sigiloso com o candidato José Serra (PSDB) no apartamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em Higienópolis, na capital paulista.
A “reunião secreta” (expressão do autor) é revelada no livro “O Efeito Marina”, do deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ). A obra foi obtida em primeira mão pela Folha.
Mantida em segredo até hoje, a conversa na casa de FHC ocorreu em fevereiro de 2010, quando os tucanos ainda sonhavam com a possibilidade de Marina ocupar a vice na chapa de Serra.
Procurado, o tucano não quis se manifestar sobre o episódio.
Em seu relato, Sirkis diz que o encontro teve outro motivo: negociar o palanque duplo de Fernando Gabeira (PV), apoiado pelos dois presidenciáveis em sua candidatura ao governo do Rio.
O livro revela que Serra, ainda à frente do governo de São Paulo, acreditava estar grampeado em plena pré-campanha ao Planalto.
“Serra chegou à reunião muito desconfiado. Deixou seu celular em outro quarto, alegando que havia grampos capazes de monitorar conversas até por aparelhos desligados”, conta Sirkis.
O deputado diz que o tucano começou a conversa “meio tenso”, mas “relaxou” com ajuda da “contagiante simpatia” do anfitrião.
Ao fim da reunião, Serra levou Sirkis para jantar no Palácio dos Bandeirantes.
Coordenador da pré-campanha de Marina, o verde revela que também foi a Belo Horizonte para uma reunião com o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
Eles negociaram o lançamento de um candidato próprio do PV, que apoiava os tucanos no Estado. Em troca, os verdes apoiaram o tucano na corrida ao Senado.
O livro de Sirkis conta outros bastidores da candidatura de Marina.

Depois de várias ameaças, o ex-governador José Roberto Arruda, expulso do DEM no auge do escândalo do mensalão no governo do Distrito Federal, envolveu vários políticos no esquema de captação de recursos junto a empresários – supostamente ilegal – para financiar suas campanhas. Ele disse, em entrevista a “Veja Online” nesta quinta-feira, que ajudou não só políticos do DEM – como o novo presidente da legenda, senador José Agripino Maia (RN) -, mas também integrantes do PSDB e de outros partidos, como o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Com o discurso de que não fez nada além do que é feito por toda classe política na captação de recursos para campanhas eleitorais, Arruda sugere na entrevista que o dinheiro era ilegal, mas que é assim que se faz campanha no Brasil:

- As empresas e os lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo ou outros negócios vantajosos. Ninguém se elege pela força de suas ideias, mas pelo tamanho do bolso.

O ex-governador, que renunciou ao cargo para não ter o mandato cassado e depois passou dois meses preso na Polícia Federal em Brasília, disse na entrevista que fez todos os repasses para o DEM, com o aval do então presidente Rodrigo Maia (RJ).

Ele citou pelo menos uma dezena de políticos que teriam lhe pedido recursos para campanha, além de José Agripino e Cristovam Buarque: os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), Marco Maciel (DEM-PE) e Sergio Guerra (PSDB-PE) e os deputados Ronaldo Caiado (DEM-GO) e ACM Neto (DEM-BA), e o ex-ministro tucano José Eduardo Caldas Pereira. Todos negaram que a origem dos recursos era ilegal e ameaçam processar Arruda.

Segundo Arruda, quem ele não ajudou desta forma, foi ajudado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que está saindo do DEM.

- Eu era o único governador do DEM. Recebia pedidos de todos os estados. E atendi dos pequenos favores aos financiamentos de campanha. Ajudei todos.

Perguntado de que modo conseguia o dinheiro para ajudar os colegas de partido, disse:

- Como governador, tinha um excelente relacionamento com os grandes empresários. Usei essa influência para ajudar meu partido, nunca em proveito próprio. Pedia ajuda a esses empresários: “Dizia: ‘Olha, você sabe que eu nunca pedi propina, mas preciso de tal favor para o partido”. Eles sempre ajudaram. Fiz o que todas as lideranças políticas fazem. Era minha obrigação como único governador eleito do DEM – disse Arruda, completando que somente o presidente do DEM pode responder se esse dinheiro foi declarado.

Se queixou especialmente de Agripino e Demóstenes:

- Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. (…) Em 2008, o senador Agripino veio à minha casa pedir 150 mil reais para a campanha da sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Sousa (PV). Eu ajudei. O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília.

Disse que ajudou também o próprio Rodrigo Maia:

- Consegui recursos para a candidata à prefeita dele e do Cesar Maia no Rio, em 2008. Também obtive doações para a candidatura de ACM Neto à prefeitura de Salvador.

Ao citar o ex-senador Marco Maciel, ressaltou que ninguém pode duvidar da honestidade dele, mas que também repassou recursos para sua campanha. E sobre Cristovam Buarque, afirmou:

- Eu conheço há décadas, um dos homens mais honestos do Brasil, saiu de sua campanha presidencial, em 2006, com dívidas enormes. Ele pediu e eu ajudei.

OUTRO LADO

Agripino Maia negou que tenha pedido ajuda de Arruda:

- Arruda tem razões para mágoa. Eu, Demóstenes e Caiado pedimos sua expulsão sumária do DEM. Essa informação dele é totalmente infundada, repilo à altura. Mas ele cita Micarla e diz que ela, inclusive foi à casa dele agradecer. Que ela seja ouvida. É uma coisa checável. Micarla não tem mais ligações políticas comigo, não faz parte da minha aliança. Ouça-se a prefeita.

O secretário-geral do PSDB, Eduardo Jorge, confirmou que pediu ajuda dele no início de seu governo no DF para saldar dívidas do partido. Afirmou que a ajuda teria sido feita por “um empresário amigo” a partir da interferência de Arruda e que a doação foi oficialmente declarada à Justiça eleitoral, mas não soube informar qual o valor nem identificou o doador:

- Mesmo se soubesse não diria. Nesse momento atual não cabe dizer o nome para não envolver no caso. Mas foi tudo legal e registrado – afirmou o dirigente tucano, acrescentando que Arruda ajudou os tucanos sem pedir nada em troca.

O atual líder do DEM, ACM Neto negou a versão de Arruda:

- É um absurdo. Nunca estive com Arruda para tratar da campanha de Salvador. Não recebi, nem diretamente, nem indiretamente, por meio do partido, qualquer recurso. Só posso atribuir isso a uma tentativa de prejudicar o partido no momento em que ele está se reestruturando – disse o baiano.

Rodrigo Maia admitiu à “Veja” que Arruda era influente e ajudou o partido, mas negou que os recursos eram ilegais e que o ex-governador tenha ajudado na campanha do Rio:

- Está tudo registrado na contabilidade do partido.

 

O Globo