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Do sensacional blog Curso Básico de Jornalismo Manipulativo

 

Chegou ao nosso conhecimento que vários de nossos ex-alunos gostariam de aprender o novo idioma jornalístico que se tornou uma sensação na Web, o Folhaspeak, estimulados pela mais recente aplicação: a denominação do contraventor (para citar um dos vários crimes de que é acusado) Carlinhos Cachoeira (Carlos Augusto Ramos) como “empresário do jogo”, visando dar-lhe respeitabilidade aos olhos dos leitores.

Como se sabe, a Lei de Paulo Preto (“Não se abandona um companheiro ferido na estrada”) vige em nosso meio.

Não é difícil aprender essa forma elegante de distorção jornalística da realidade – muito pelo contrário: basta entender o espírito do Folhaspeak: encontrar a denominação mais incriminadora ou degradante para qualquer fato relativo a um integrante do “outro lado” ou criar uma denominação atenuadora, ou mesmo enobrecedora, para qualquer fato constrangedor relativo a um integrante do “nosso lado”.

Imbuindo-se dessa intenção, as palavras fluirão normalmente, e você poderá assombrar seus amigos (e potenciais patrões) com inúmeros exemplos de Folhaspeak, quem sabe se tornando uma celebridade instantânea no Twitter com a tag #Folhaspeak.

Daremos apenas alguns exemplos, já que certamente você é capaz de criar dezenas deles em pouco tempo – se partir da intenção apropriada.

* * * * *

PROTEGENDO O “NOSSO LADO”

1. O caso acima.

Um contraventor (isto é, um criminoso) => Um empresário de jogos (isto é, um homem de bem).

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1062550-congressista-recebeu-telefone-antigrampo-de-empresario-do-jogo.shtml

Folhaspeak em seu momento “Omo”: limpando reputações.

2. Se um governante foi incompetente na gestão do transporte público, o que resultou em vários “apagões” no sistema de metrôs, ele pode recorrer ao Folhaspeak e afirmar:

“Cresceram muito os trens, todos eles com ar-condicionado, então aumentou a demanda por energia.”

Incompetência administrativa (isto é, um erro gerencial grave) => “Crescimento” dos trens refrigerados + aumento de demanda por energia (isto é, um autoelogio do governante seguido da atribuição de culpa à população).

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5692193-EI8139,00-Governo+de+SP+nega+caos+na+CPTM+e+anuncia+investimentos.html

Folhaspeak delirante, elevando a linguagem tecnoburocrática a patamares inimagináveis.

3. Se o seu patrão for flamenguista, não escreva que “Deivid, membro de honra do Inacreditável Futebol Clube, perdeu o gol mais feito da história do futebol”. Escreva assim: “O artilheiro, muito bem colocado no lance, foi traído por um desvio inesperado da bola, e não conseguiu marcar o gol”.

Incompetência colossal (isto é, erro profissional gravíssimo) => Desvio inesperado da bola (isto é, um acaso infeliz).

Folhaspeak é linguagem multiuso.

4. Se você trabalha para um jornal que denuncia, julga e pune, sem dar direito de defesa, qualquer integrante do “outro lado”, com base na menor suspeita, e se alguém acusa um integrante do “nosso lado” com base em provas obtidas pela Justiça, Folhaspeak é a resposta ideal para essa situação constrangedora:

“Reza o bom jornalismo que a denúncia em si não é notícia. Só depois de apurada e ouvida (sic) as partes envolvidas.”

Ditado que vale para o “outro lado”: “Denúncia em si é condenação” x ” Ditado que vale para o “nosso lado”: “Denúncia em si não é notícia”.

Folhaspeak também é ditado (e contraditado).

http://oglobo.globo.com/pais/moreno/posts/2012/03/30/pedido-de-desculpas-da-radio-do-moreno-438352.asp

5. Se um jornalista utiliza um bandido como fonte, durante cerca de 10 anos, obtendo dele gravações ilegais que lhe permitiram subir na hierarquia da empresa (“Os grandes furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz”) e que permitem ao bandido obter benefícios em suas atividades, entre eles a ocupação progressiva de espaços no Estado, e se esse jornalista mantém com esse bandido um acordo implícito de não revelar o que sabe sobre ele e de não investigar a extensão de suas atividades criminosas, e até de protegê-lo quando em situação desesperadora (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/veja-livrou-cachoeira-da-prisao-em-2004-com-materia-falsa), mas uma operação da Polícia Federal revela a existência de mais de 200 ligações entre o jornalista e o bandido, em poucos meses, é hora de apelar para o Folhaspeak.

Divulga-se um trecho de uma das 200 ligações, em que o bandido tem recusado um favor extra nesse acordo, apresenta-se esse trecho como prova de honestidade profissional e afirma-se “Policarpo é fo**!”

X se fu*** => X é fo**.

Folhaspeak também é palavrão.

As principais matérias da carreira de um jornalista foram, na verdade, mérito de um bandido que realizou gravações ilegais? X é fo**.

Esse jornalista ascendeu na carreira por causa da preservação da fonte, sabidamente criminosa? X é fo**

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cachoeira-gravado-pela-pf-%E2%80%9Co-policarpo-nunca-vai-ser-nosso-ele-e-foda%E2%80%9D-na-mosca/

* * * * *

ATACANDO O “OUTRO LADO”

 1. Se o ex-presidente Lula venceu o câncer, contra todas as expectativas do “nosso lado”, e a literatura médica registra que 80% dos pacientes ficam permanentemente curados da doença, obviamente você não escolherá esse dado para informar aos leitores. O título de sua matéria será: “Risco de volta da doença é de 20% em casos similares”.

Perpectiva de cura definitiva (isto é, um futuro tranquilo) => Risco de volta da doença (isto é, um futuro ameaçador).

http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=797887

Folhaspeak também é praga.

2. Se o principal expoente do “outro lado” recebe a notícia chocante de que está com câncer, luta cinco meses contra a doença e consegue superá-la, contando nesse tempo com o acompanhamento agouren… isto é, interessado da Grande Mídia, entra em ação o Folhaspeak e…:

Lutar contra uma doença mortal (isto é, uma reação humana, óbvia e saudável) => Obter espaço na mídia (isto é, uma intenção politicamente deplorável).

Folhaspeak é a linguagem ideal para o exercício da crueldade.

3. Se você foi contratado pelo patrão para defender a qualquer custo a Joia da Coroa da Oposição (São Paulo), e está escrevendo um post sobre a visita de FHC a Lula no Hospital Sírio Libanês, embeba seu texto em Folhaspeak:

“Logo estarão, de novo, em campos opostos. Lula a defender Fernando Haddad, o candidato que fabricou em São Paulo. FHC a advogar a causa de José Serra, o candidato que o tucanato escolheu para defender a cidadela de São Paulo da hegemonia do petismo.”

Candidato escolhido pelo Partido (isto é, o vencedor da disputa política interna) => Candidato fabricado por Lula (isto é, alguém sem legitimidade política).

Candidato que defende uma causa (isto é, uma motivação nobre) x Candidato que defende uma hegemonia (isto é, uma motivação condenável).

Partido que elegeu 5 governadores em 27 unidades da Federação e 547 prefeitos em mais de 5.500 prefeituras (isto é, a minoria dos governadores e prefeitos) => Partido que detém a hegemonia nos Estados e prefeituras (isto é, a maioria dos governadores e prefeitos).

http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2012/03/27/fhc-ve-lula-e-reencontra-parte-do-seu-passado/

Folhaspeak também serve para criar uma cachoeira de distorções jornalísticas.

* * * * *

Acreditamos que os exemplos acima são suficientes para que se entenda a estratégia geral do uso do Folhaspeak.

1. Deixe-se imbuir do espírito do Folhaspeak: encontrar a denominação mais incriminadora ou degradante para qualquer fato relativo a um integrante do “outro lado” ou criar uma denominação atenuadora, ou mesmo enobrecedora, para qualquer fato constrangedor relativo a um integrante do “nosso lado”.

2. Identifique o ponto-chave do fato: aquele que permite um ataque a um integrante do “outro lado” ou que exige uma defesa de algum integrante do “nosso lado”.

3. Use a sua criatividade e a sua falta de escrúpulos jornalísticos para criar uma denominação, expressão, frase ou ditado que represente o espírito do Folhaspeak.

Mantenha sua consciência moral e seu amor à verdade inativos, durante a aplicação dessa estratégia.

do Altamiro Borges de Miro

Por Altamiro Borges

A velha mídia levou um baile das redes sociais e da blogosfera e, aos poucos, rompe seu silêncio sobre o best-seller “A privataria tucana”, de Amaury Ribeiro. Na mídia impressa, a Folha engoliu a seco e publicou um artigo com o único intuito de desqualificar o autor e blindar o tucanato privatista e corrupto. O texto nem é assinado. Deve ter sido “obra” do Otavinho, o patrão serrista do diário. Um dia depois, o Estadão também reconheceu que o livro é um sucesso, num artigo um pouco mais isento.

Já nas telinhas, até o Boris Casoy, outro direitista convicto, noticiou o estrondo causado pelo livro. Só faltou o bordão: “Isto é uma vergonha”. Antes, vale registrar, a Record, por razões mercadológicas e políticas conhecidas, foi a primeira a dar destaque à obra – inclusive com uma excelente entrevista do autor ao jornalista Paulo Henrique Amorim. Bob Fernandes também usou a sua coluna na TV Gazeta para criticar o silêncio hipócrita e seletivo da maior parte da chamada grande imprensa.

E cadê os histéricos “calunistas”?

A pergunta que não quer calar é a seguinte: cadê os histéricos “calunistas” dos impérios midiáticos? Eles saíram de férias, ficaram com preguiça de ler o livro, estão com medo do vingativo Serra ou tem algum peso na consciência por terem apoiado o criminoso processo de privatização das estatais na era FHC? Será que alguém usou as lavanderias tucanas nos paraísos fiscais? Será?

No caso de Eliane Cantanhêde, da “massa cheirosa” do PSDB, ela tem uma justificativa. Está em férias. Mesmo assim, a incansável colunista da Folha escreveu mais um de seus petardos contra Hugo Chávez. Deve ser pura obsessão contra o líder venezuelano. Já o Josias de Souza, também da Folha, o famoso carona do FHC, não escreveu uma linha sobre o livro e também entrou em férias.

“Não-notícia” na telinha da Globo

Mirian Leitão e Dora Kramer, outras duas colunistas estridentes da mídia imprensa, também murcharam. A colunista do Estadão até ficou irritada com seus seguidores na internet, que criticaram o silêncio. “Façamos o seguinte: matriculem-se na faculdade de jornalismo, trabalhem 30 anos no ramo e aí a gente discute”, disparou a deselegante Kramer. Para ela, “o envolvimento do autor com dossiês de campanha, arranha a credibilidade [do livro]”. O policial-bandido João Dias, herói da mídia, não arranhou?

Já para o campeão de audiência na tevê, o Jornal Nacional, o livro de Amaury Ribeiro não existe, é uma “não-notícia”. O veterano Willian Bonner está calado e a novata Patrícia Poeta está muda. No Jornal da Globo, o requisitado Willian Waack, freqüentador da embaixada dos EUA, também está quieto. E o Arnaldo Jabor ainda não fez os seus trejeitos patéticos para tratar do tema tabu. Ele adora falar sobre as tais maracutaias, desde que não atinjam os seus íntimos amigos tucanos.

Noblat não se acovardou

Entre os colunistas da mídia demotucana que não se acovardaram diante do best-seller, o primeiro foi Ricardo Noblat, o blogueiro mais acessado das Organizações Globo. De imediato, ele escreveu: “O livro desperta desde já dois tipos de reação: ‘Não li e não gostei’. E: ‘Não li e gostei’. Comecei a ler ontem. É uma leitura penosa para quem tem pouca intimidade com o mundo financeiro”.

Na sequência, ele assumiu o seu lado na contenda. Publicou o chilique de José Serra contra o livro. “Lixo é lixo”. E depois, como se fosse o porta-voz dos tucanos, ele antecipou que a “bancada de deputados federais do PSDB se reúne esta tarde, em Brasília, para anunciar providências quanto à publicação do livro ‘A Privataria Tucana’, que começou a ser vendido no último domingo”.

Merval Pereira, o “imortal” da Academia Brasileira de Letras, demorou, mas também se posicionou – como sempre, em apoio aos santos tucanos. Já com relação a Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, os blogueiros da Veja, não vale a pena falar. Eles babam!

do Blog Contexto livre

Folha de São Paulo detona Aécio Neves e diz:” como se dirigir um país fosse tão simples quanto escapar de um bafômetro”
aecio neves dirigir o pais e o bafômetro
SÃO PAULO – Por ossos do ofício, resolvi ler a entrevista concedida pelo senador tucano Aécio Neves ao “Estado de S. Paulo”, publicada no domingo passado. Esperava identificar ali alguma ideia relevante, a favor ou contra, pouco importa, mas alguma ideia capaz de estimular o debate político. A depender do vazio demonstrado pelo eventual adversário, o PT pode dormir tranquilo por vários anos no poder.
Globalizadas ou não, até novelas e pessoas de instrução modesta incorporaram ao repertório assuntos como recessão e estratégias de crescimento; soluções para evitar o desemprego; Ocupe Wall Street; União Europeia; crise financeira global; corrupção; quebradeira de bancos.
Não seria exigir demais que alguém, no enésimo lançamento de sua candidatura à Presidência, apresentasse opiniões sobre este universo tão vasto. Duas penosas páginas depois, a decepção é absoluta.
Em vez disso, nós e a repórter somos maltratados por frases como: “Decisão correta no momento errado é uma decisão errada”; “Será o futuro versus o passado”; “Ou vamos todos unidos de verdade ou não teremos êxito”; “Política é arte de administrar o tempo”; “O projeto original que trouxe o Brasil até aqui é do PSDB, mas o que está em execução agora é um software pirata”.
Ao longo do palavrório, nem mesmo a lógica fica de pé. Aécio defende a ênfase no “legado do PSDB e do nosso futuro”, mas diz que o principal desafio dos tucanos é “refundar o PSDB em seu discurso”. Entendeu?
Bandeira mesmo, apenas uma. “Vamos lutar contra o aparelhamento da máquina pública”, como se os tucanos fossem virgens à beira do altar, ou como se dirigir um país fosse tão simples quanto escapar de um bafômetro. Ainda assim, e supondo que o desejo fosse sincero, desaparelhar a máquina a favor de que plataforma, de que propostas, de que objetivos, de que projeto social?
É mais simples convocar Carlos Lacerda para ocupar a tribuna.

Ricardo Melo
Folha de S.Paulo

Se essa moda pegar, corremos o risco de ter pesquisas na corrida eleitoral de 2012 nos seguintes termos: Fulano está na liderança com 83% dos votos segundo pesquisa Datafulano.

Também podemos questionar a pesquisa sob outro aspecto. Quem “lê” a folha acha que ela é um jornal imparcial. E “quem não lê”, por que não lê e o que acha do jornal? Esta pesquisa é boa!

Minha proposta é que o jornal O Estado de S.Paulo, concorrente direto da Folha Imparcial, providencie urgentemente uma pesquisa igualmente própria e se autodefina igualmente “imparcial”. Repensando, não me parece possível, afinal, considerando-se ao pé da letra, fazer uma pesquisa com ferramentas e leitores próprios não indica, por si só, “parcialidade”?

E já que é para ser “parcial”, a pesquisa da Folha foi fundo: mostrou também que “86% dos leitores acreditam que o jornal é pluralista e 88%, equilibrado”.

Parece que as melhores agências de Relações Públicas do mercado estão ultrapassadas em seu conceito de construção de reputação: elas se dão ao trabalho de fazer um trabalho hercúleco junto com todos os públicos e as mídias para criar uma boa e crível imagem de seus clientes.

Essas agências podem encurtar caminho encomendando uma pesquisa própria que mostre que 83% dos consumidores ou clientes da empresa ou marca que representam estão “plenamente satisfeitos”. Esta atitude pode ser qualificada de parcial ou imparcial?

Agora tudo ficou muito confuso! Não sei se este é um caso dicionário ou de polícia.

Da redação Vermelho

Deu na Globo:

Marcha contra corrupção reúne 20 mil pessoas em Brasília

BRASÍLIA – Após duas horas e meia percorrendo a Esplanada dos Ministérios, o Movimento Brasil Contra a Corrupção terminou há pouco o protesto que reuniu, segundo a estimativa da Polícia Militar, 20 mil pessoas neste feriado de 12 de outubro. Os manifestantes se concentraram em frente ao Museu da República e seguiram até a Praça dos Três Poderes, em frente ao Congresso cantaram o Hino Nacional.

Folha:

Marcha anticorrupção leva 7.000 às ruas em Brasília

Cerca de 7.000 manifestantes participam nesta quarta-feira (12) da marcha contra a corrupção em Brasília, de acordo com estimativas da Polícia Militar.

 

Nota do Blog: A Globo diz que deu 20 mil pessoas, a Folha diz que deu 7 mil. Perderam o senso do ridículo.

do blog NaMariaNews 

No dia 13 de setembro passado, o NaMariaNews publicou em primeira mão o texto Alckmin: 9 milhões pela fidelidade da ‘Proba Imprensa Gloriosa’ sobre as novas compras de revistas (VejaIsto ÉÉpoca) e jornais (Folha de SPEstado de SP) pela Secretaria de Estado da Educação, precisamente através da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE. Os contratos assinados pelo atual presidente da FDE, o Sr. José Bernardo Ortiz Monteiro, chegam ao total de R$9.074.936,00.

No mesmo texto foi salientado que, como de costume, não foram assinados contratos com a revistaCartaCapital. Embutido nisso a pergunta fatal: e por que não?

No dia 16 de setembro, Mino Carta publicou on-line seu editorial “A mão que lava a outra” (versão impressa: n. 664, 21/setembro, pág. 21) e muito nos enobreceu com o seguinte parágrafo:

“Neste exato instante, recebemos a informação de que, na esteira do ex-governador José Serra e do seu ex-secretário da Educação Paulo Renato, o atual presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), José Bernardo Ortiz Monteiro, acaba de renovar contratos para o fornecimento de assinaturas com as revistas ÉpocaIstoÉ Veja, e os jornais Folha de S.PauloO Estado de S. Paulo pelo valor total de 9 milhões de reais e alguns quebrados. Não houve licitação, está claro, assim como está que CartaCapital foi excluída mais uma vez”.

Pois não é que neste exato instante recebemos a informação de que a CartaCapital está pedindo oficialmente à presidência da FDE explicações sobre tais compras? Sim, está.

Agora, CartaCapital pergunta o que o blog NaMariaNews sempre quis saber em uma porção de textos publicados desde o seu nascimento, em junho de 2009.

* Por que comprar para as escolas públicas de SP somente a Veja, IstoÉ Época?

* Não há outras publicações similares ou melhores no mercado?

* Qual é a justificativa “pedagógica” e/ou legal para tais compras sem licitação?

* Com qual dos orçamentos da Secretaria de Educação a FDE executa tais compras? Já que a FDE não tem orçamento próprio e o que ela executa é a mando da Secretaria, em especial aquelas do campo pedagógico. Ou seja: alguém dentro da SEE é responsável pelo negócio das assinaturas. Quem seria e como se fundamentaram as aquisições?

Justificando o injustificável

Não é a primeira vez que compras dessa natureza são questionadas legalmente. Por exemplo, em 2009 a ONG Ação Educativa encaminhou ofício à presidência da FDE e obteve, após insistência, cópia de todo processo do contrato 15/1165/08/04 (Diário Oficial 1/10/2008 e 25/out/2008) referente à compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola, da Fundação Victor Civita, ligada à Abril, da Veja – no valor de R$3.700.000,00. Tudo sem licitação, usando a lei 8.666.

A partir da análise dos dados, a Ação Educativa obteve um avanço histórico:

“Em 26 de maio [2009], o Ministério Público de São Paulo então propôs ação civil de responsabilidade por ato de improbidade administrativa contra o Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, a Diretora e o Supervisor de Projetos Especiais, ambos da FDE, bem como contra a Fundação Vitor Civita.

“A Ação, que tem como fundamento possíveis irregularidades no contrato firmado sem licitação entre a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) e a Fundação Victor Civita, requer a responsabilização dos agentes públicos por condutas que podem ser caracterizadas como improbidade administrativa e ainda tramita na Justiça Estadual”.

Trata-se do processo 0018196-44.2009.8.26.0053 (053.09.018196-7), que pode ser acompanhado no site do Tribunal de Justiça de São Paulo (ver aqui).

O pedido da Ação Educativa é muito semelhante ao que a CartaCapital faz agora. Os documentos entregues pela FDE à ONG podem ser lidos aqui. Entre eles, uma “pérola”, assinada por Inácio Antonio Ovigli, então supervisor da Diretoria de Projetos Especiais, cujo conteúdo muito interessa ao NaMariaNews e àCartaCapital, a justificativa dos compradores – no caso, a SEE por meio da FDE. Alguns trechos:

“Para o atendimento das Diretrizes para o Ensino de Língua Portuguesa (Leitura, Escrita e Comunicação Oral) e Matemática, e na busca de superar mais essa condição problemática para a aprendizagem dos alunos, a SEE/SP vai implantar um programa de distribuição de materiais de apoio didático-pedagógico para alunos e professores, composto de livros, revistas, fascículos e outros suportes da escrita, destacando-se, entre essas publicações, a Revista “Nova Escola”.

“Tem uma pauta editorial que privilegia matérias de orientação e elaboração de planos de aulas, além de uma variedade de temas sobre a atualidade de interesse da área educacional, abordados em reportagens, entrevistas, resenhas, depoimento de professores e alunos.

“Na pesquisa de mercado realizada no período de seleção da obra a ser adquirida, não foi localizada obra similar com as mesmas características da Revista Nova Escola. Por essa razão, foram solicitadas notas fiscais à responsável pela sua publicação, com a finalidade de comprovar que o preço a ser pago pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação é compatível com o preço cobrado pela editora às outras instituições que adquiriram essa obra.

“Desse modo, solicitamos as providências necessárias junto à editora para a aquisição do título Nova Escola, publicada com exclusividade pela Fundação Victor Civita”.

Evidentemente a Ação Educativa contestou esses e outros argumentos da FDE. No mínimo três pontos merecem destaque. Mas o terceiro, sem dúvida, é uma “perolona”, que desvenda muito mais do que se pode imaginar sobre o fabuloso mundo dos projetos dito educacionais. Atentem bem – os grifos em negrito são da Ação Educativa, o vermelho é do NaMariaNews:

1º) A lei federal 8.666 de 21 de junho de 1993 (que “estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”, incluindo a inexigibilidade de licitação) foi desacatada em seu artigo 25, que deixa claro ser vedada “a preferência de marca, que ocorreu explicitamente neste caso, uma vez que outras editoras não foram sequer consultadas”.

2º) A revista Nova Escola não tem exclusividade temática. “É importante mencionar ao menos duas outras revistas que poderiam ser escolhidas para cumprir as mesmas funções da Revista Nova Escola, tais como as descritas em seu processo de compra: a Carta na Escola, Editora Confiança Ltda, e a Revista Educação, da Editora Segmento Ltda”.

3º) “De acordo com os documentos (fls. 4-12 do processo FDE n. 15/1165/08/04), a motivação inicial para a elaboração do contrato foi uma carta encaminhada em 1/9/2008 pela Fundação Victor Civita à então Secretária de Educação Maria Helena Guimarães de Castro, propondo parceria, com descrição da proposta pedagógica da Nova Escola, preços e condições, além de cronograma de postagem. Ora, o contrato não partiu de uma necessidade da Secretaria de Estado, mas sim de uma oferta realizada pela Fundação e aceita pela Secretaria, que viabilizou seus termos sem consulta a outras editoras ou, principalmente, aos destinatários diretos da compra – os docentes”. (Fonte – Ação Educativa)

O que mais precisa ser dito?

Aguardemos a justificativas que apresentarão à CartaCapital às compras das revistas e jornais nesta nova administração da Educação e da FDE. Talvez fosse de bom alvitre pedir-lhes que mostrem não apenas o atual contrato, mas os anteriores também.

Em entrevista dada à Conceição Lemes, do Viomundo (em 14/outubro/2010), o NaMariaNews mostrou a dinheirama que o ex-governador José Serra (via o finado ex-secretário de Educação Paulo Renato Costa Souza, o então presidente da FDE Fabio Bonini Simões de Lima, a diretora de Projetos Especiais da FDE Cláudia Rosenberg Aratangy, o supervisor de Projetos Especiais Inácio Antonio Ovigli) pagou à imprensa e certas editoras, a título de execução de “projetos pedagógicos”: mais de R$250 milhões, quase absolutamente tudo sem licitação.

Daquele total (parcial), comprovados com dados do Diário Oficial, “para a Editora Abril/Fundação Victor Civita [de 2005 a 2010] foram entregues R$52.014.101,20 para comprar milhares de exemplares de diferentes publicações”, entre elas a Revista Nova Escola, além da VejaAlmanaque do EstudanteRevista Recreioe Atlas da National Geographic.

Para arrematar, quero repetir o que disse naquela entrevista à Conceição Lemes: “com esse dinheiro, poderiam ser construídas quase 13 escolas ou 152 salas de aula novinhas, com capacidade para mais de 15 mil alunos nos três períodos – considerando que uma escola com 12 salas custe R$4,1 milhões, e cada sala custe cerca de R$340 mil”.


Do NaMariaNews
Interrompemos nossas saudáveis férias nas paradisíacas selvas de Bornéu para informar que a chuva é molhada, o sol é quente, a grama é verde e a Educação de São Paulo continua a mesma, embora sob completa nova direção.
O Barão de Taubaté, ou melhor, o Sr. José Bernardo Ortiz Monteiro é o presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) desde sua nomeação pelo Governador Geraldo Alckmin, em janeiro deste ano.
Pois não é que depois de ferrenha labuta nas negociações, Ortiz acatou ordem superior e assinou milhares de exemplares de jornais e revistas do PIG (Proba Imprensa Gloriosa) – para as melhores escolas públicas do mundo, cujos professores são também os mais bem remunerados do planeta? Sim. Exatamente como fizeram seus antecessores, o ex-governador José Serra e o finado Paulo Renato Costa Souza, ex-secretário de Educação de SP, o Barão de Taubaté fechou com a Folha de SP, Estadão, Veja, IstoÉ e Época. Tudo, como sempre, sem licitação.
Desnecessário dizer que, mais uma vez, a CartaCapital não aparece no rol dos favorecidos.
Eis os contratos, datas e seus valores, de acordo com o Diário Oficial:
27/julho/2011 – Época

- Contrato: 15/00628/11/04

- Empresa: Editora Globo S/A

- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 (cinco mil e duzentas) assinaturas da “Revista Época” – 52 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura.

- Prazo: 365 dias

- Valor: R$ 1.203.280,00

- Data de Assinatura: 26/07/2011

(*Primeiro comunicado no DO em 12/julho/2011)
29/julho/2011 – Isto É

- Contrato: 15/00627/11/04

- Empresa: Editora Brasil 21 LTDA

- Objeto: Aquisição pela FDE, de 5.200 (cinco mil duzentas) assinaturas da “Revista Isto É”, 52 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura.

- Prazo: 365 dias

- Valor: 1.338.480,00

- Data de Assinatura: 25/07/2011.

(*Primeiro comunicado no DO em 12/julho/2011)
3/agosto/2011 – Veja

- Contrato: 15/00626/11/04

- Empresa: Editora Abril S/A

- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 (cinco mil e duzentas) assinaturas da “Revista Veja”, 52 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo

- Projeto Sala de Leitura

- Prazo: 365 dias

- Valor: R$ 1.203.280,00

- Data de Assinatura: 01/08/2011.

(*Primeiro comunicado no DO em 12/julho/2011)
6/agosto/2011 – Folha

- Contrato: 15/00625/11/04

- Empresa: Empresa Folha da Manhã S.A.

- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 (cinco mil e duzentas) assinaturas anuais do jornal “Folha de São Paulo”, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura

- Prazo: 365 dias

- Valor: R$ 2.581.280,00

- Data de Assinatura: 01/08/2011.

(*Primeiro comunicado no DO em 23/julho/2011)
17/agosto/2011 – Estadão

- Contrato: 15/00624/11/04

- Empresa: S/A. O Estado de São Paulo

- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas anuais do jornal “O Estado de São Paulo”, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – Projeto Salas de Leitura.

- Prazo: 365 dias

- Valor: R$ 2.748.616,00

- Data de Assinatura: 01-08-2011.

(*Primeiro comunicado no DO em 23/julho/2011)

Total: R$ 9.074.936,00.

Você pode comparar os valores e quantidades dos anos anteriores nas tabelas deste texto.

Extenuado de tanto firmar tão bons acordos pedagógicos, o presidente da FDE, José Bernardo Ortiz Monteiro, como faz qualquer funcionário público, foi ter uns dias de férias lá na Europa.

Oh là là!

Alvíssaras, confrades.

PS – Agradeço ao gentil comentarista desta casa, em texto sobre os contratos do Estado (leia-se José Serra via Prodesp) com a empresa de escutas/grampos e que tais, Fence Consultoria, que escreveu o seguinte:

“Para achar coisa do PSDB é uma aranha, mas contra o petismo é mosca morta”

A ele nossa inteira concordância. Há mesmo seres mutantes em todas as esferas. Por exemplo, caro comentarista: por vezes sois uma araponga, mas em outras também um tucano.