Agnelo Queiroz, Corrupção, CPIs, Políticos do PSDB

Deputado “tchutchuca” Fernando Francischini (PSDB/PR) articulou montagem de dossiê contra o gov. Agnelo Queiroz (PT)

247 – O site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, publicou, neste domingo, um documento ainda inédito da CPI do caso Cachoeira, que cita o procurador-geral da República, Roberto Gurgel (leia aqui).

São conversas que envolvem o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) e o araponga Idalberto Matias, o Dadá, além de personagens conhecidos da política brasiliense, como o ex-senador Alberto Fraga, do DEM, e os jornalistas Edson Sombra e Mino Pedrosa. Ambos, críticos ferozes da gestão de Agnelo Queiroz, do PT, no governo do Distrito Federal.

Já se sabia que Francischini pensava em mudar seu domicílio eleitoral do Paraná para Brasília, onde concorreria ao GDF em 2014 – a revelação foi feita, aqui, no 247. A novidade é que, pela primeira vez, há grampos que citam o nome do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Nos diálogos, interlocutores de Dadá articulam para que Gurgel apresente denúncia contra Agnelo Queiroz. O trabalho do grupo envolvia, ainda, a publicação de notícias em blogs políticos de Brasília contra o governador.

Num email interceptado pela Polícia Federal, Alberto Fraga sugere a Edson Sombra que fale com Mino Pedrosa para maneirar as denúncias contra Agnelo, para não prejudicar o trabalho do procurador-geral. “Você tem que falar com o Etelmino para ele ir com calma. Pois todo esse alvoroço pode até atrapalhar o trabalho que o Gurgel está fazendo junto com o Francischini”.

No início do ano, o deputado tucano denunciou, na revista Veja, a existência de uma central de grampos, no governo do Distrito Federal, contra adversários políticos de Agnelo Queiroz. Ele estaria entre os alvos, assim como os jornalistas Edson Sombra e Mino Pedrosa. Em abril, Francischini disse até que pediria a prisão do governador do Distrito Federal.

O que o documento publicado neste domingo revela, no entanto, é bem diferente. Era Francischini quem tramava com Dadá, Carlos Cachoeira, Alberto Fraga e blogueiros de Brasília a queda do governador. O que ainda não se sabe é qual era o grau de envolvimento do procurador Gurgel na trama.

Agnelo Queiroz, Brasília, Corrupção, CPIs, Marconi Perillo

Escutas da PF sobre o governo Agnelo (PT-DF) são claras: “Não nomeamos nem um gari”, diz Dadá. “Ali a gente só apanha”, disse Cavendish.

Clique na imagem para ampliá-la.

247 – O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), jogou no ataque diante da CPI do Cachoeira, nesta quarta-feira 13, e marcou posição de contraponto à do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que depôs na véspera. “Ofereço à CPI a quebra de todos os meus sigilos”, disse Agnelo, referindo-se aos segredos bancário, fiscal, telefônico, de e-mail e sms. Perillo não fez a mesma proposta à CPI, mas a quebra de seus sigilos será votada em breve pela Comissão.

“Não houve qualquer favorecimento à Delta ou a Carlinhos Cachoeira no Distrito Federal”, demarcou o governador. “Não fiz qualquer nomeação por indicação de Cachoeira”. Em Goiás, a administração estadual conta com executivos que mantém relações de parentesco e amizade com o contraventor.

Diversamente de Perillo, Agnelo não usou seu tempo de pronunciamento inaugural na sessão da CPI para divulgar dados sobre sua administração. Ele escolheu ir direto ao ponto. “Estou aqui para reestabelecer a verdade”, disse Agnelo. “A organização criminosa aqui investigada tentou derrubar o meu governo, legitimamente eleito”, sustentou. O governador, em dois momentos, citou grampos da Polícia Federal sobre o araponga Adalberto Araújo, o Dadá, e o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta Construção. “Não nomeamos nem um gari”, foi a frase de Dadá citada por Agnelo. “Ali a gente só apanha”, disse o governador, citando frande de Cavendish.

Enquanto, no dia anterior, Perillo informou que criara, em mandato anterior, uma legislação em Goiás favorável à operação de jogos caça-niqueis, então administrados pela empresa Gerplan, de propriedade de Carlinhos Cachoeira, nesta quarta Agnelo registrou posição diferente. “Não houve nenhum favarecimento ao jogo no Distrito Federal”, afirmou. “Pessoalmente, sou contrário à legalização do jogo. Há muitos efeitos colaterais nefastos”, completou.

Agnelo lembrou, ainda, que teve um pedido de impeachmet feito contra si pelo senador Demóstenes Torres, no ano passado. Perillo reiterou que Demóstenes fez parte de seu grupo político. “Ele era o nosso candidato a prefeito de Goiânia”, disse o governador de Goiás. Agnelo foi por outra linha: “Agora entendo porque Demóstenes pediu meu impeachment”, disse ele, numa referência velada às ligações entre o senador e o contraventor Cachoeira.

Abaixo, notícia anterior de 247:

247 – O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, iniciou às 10h38 seu depoimento à CPI do Cachoeira como uma postura agressiva. “Alguém aqui pode me citar um só nome de alguém que eu tinha indicado para o governo a pedido do sr. Carlos Cachoeira?”, questionou. E depois citou trecho de grampo do araponga Idalberto Mathias, o Dadá: “Não conseguimos nomear nem um gari”, repetiu o governador.

Nos primeiros minutos de seu depoimento, o governador afirmou que no vigésimo sexto dia de sua administração pediu auditoria em uma série de áreas da administração, entre elas o contrato da Delta Engenharia para coleta de lixo no DF. E afirmou que seu governo vem sendo perseguido pelo crime organizado. “A organização aqui investigada tramou a minha derrubada”, disse.

Citando conversas das operações da Polícia Federal, em que membros do grupo de Cachoeira criticam o governo do DF, Agnelo defende que não deixou o crime se instalar em seu governo. E desafiou os presentes a citarem algum caso de infiltração da organização do bicheiro no Estado. “Que negócio [essa organização] conseguiu fazer aqui?”, perguntou.

Como fez o governador de Goiás, Marconi Perillo, em seu depoimento à CPI nesta terça-feira, Agnelo Queiroz divulga números de seu governo, citando ações de destaque, como a contratação de servidores no setor de saúde, instalação de hospitais, e, principalmente a criação da Secretaria da Transparência do DF, pela qual, segundo ele, foram realizadas 14 mil auditorias. O governador falou também sobre a situação em que estava o governo quando assumiu, há um ano e meio. “Todos se lembram da quantidade de mosquitos que havia por conta do lixo, que não era recolhido”.

Causando agitação na CPI, o governador colocou à disposição dos parlamentares, ao final de seu depoimento inicial, a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. “Quem não deve não teme”, disse. Antes mesmo de terminar a fala, o depoente foi aplaudido na sessão.

Agnelo Queiroz, Agripino Maia, Alvaro Dias, Demóstenes Torres

“Quem pediu impeachment de Agnelo (PT) estava a serviço de Cachoeira”, dep. Paulo Teixeira (PT/SP)

Nesta foto de 09/11/2011 o Senador Demóstenes Torres, o paladino da honestidade, e outros líderes da oposição, protocolam o pedido de impeachment do governador Agnelo Queiroz do Distrito Federal, na defesa de interesses do Cachoeira.

 

Agnelo Queiroz, Brasília, CPIs

Agnelo Queiroz autoriza quebra de sigilos telefônico, bancário e fiscal

O Globo

BRASÍLIA. O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, começou seu depoimento à CPI do Cachoeira, nesta quarta-feira, às 10h35, dizendo que sua convocação é “fruto da luta política” e que as denúncias de que é alvo têm como objetivo tirá-lo do cargo.

Agnelo afirmou que a construtora Delta tinha apenas um contrato com o governo do DF na área de coleta de lixo e varrição, assinado em 9 de dezembro de 2010, ainda no período do então governador Rogério Rosso, quando Agnelo era apenas governador eleito. Ontem, a construtora foi considerada inidônea pela Controladoria Geral da União (CGU). Agnelo ressaltou também que não tem nenhuma relação com o contraventor Carlos Cachoeira.

– A organização aqui investigada tramou a minha derrubada. E não agiu sozinha. Valeu-se das falsas acusações plantadas no noticiário. Valeu-se da boa fé de pessoas ao misturar mentiras e meias verdades. Tudo com o objetivo de desgastar, desestabilizar e, por fim, me retirar do governo do Distrito Federal.

Ao terminar sua defesa, Agnelo colocou à disposição dos membros da CPI a quebra do seu sigilo bancário, telefônico e fiscal, diferente do primeiro governador convocado pela Comissão, Marconi Perillo, que, ontem, não permitiu que os parlamentares tivessem acesso a estas informações. Não é a primeira vez que o governador do DF permite a quebra de seu sigilo fiscal: em abril deste ano, ele concedeu a mesma permissão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

– Sei que não é usual uma testemunha fazer o que peço. Mas ofereço dar a CPI todos os meus sigilos. Ouvi alguns dias atrás de um homem do povo, o “velho adágio”, segundo o qual quem não deve não teme – disse o governador.

Durante a sessão, parlamentares do PT e PDT apresentaram um requerimento com pedido das quebras dos dois governadores. O documento deverá ser apreciado nesta quinta-feira. Para que isso aconteça, os governistas não permitirão que o governador do DGF assine ainda hoje um documento abrindo mão dos seus dados.

– A oposição tentou uma manobra de resolver só o problema do Agnelo. Nós queremos os dois. O Agnelo mostrou que não tem nada a temer, diferentemente do Perillo – afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) elogiou o gesto do governador Agnelo Queiroz de dispor espontaneamente a quebra dos sigilos. Ele cobrou que a comissão vote o requerimento para a quebra do sigilo do tucano Marconi Perillo.

– Eu creio que torna inevitável, amanhã, que a CPI proceda a quebra do sigilo fiscal, bancário e telefônico também do governador Marconi Perillo – afirmou o senador.

Contratos com a Delta

Sobre o contrato com a Delta para limpeza pública no DF , o governador ressaltou que esse contrato foi firmado antes de sua gestão, e mediante decisão liminar, determinada pela Justiça. Ele afirmou que 26 dias após tomar posse pediu auditoria nos serviços da limpeza. No último dia 6, o governo do DF notificou a empresa sobre o rompimento deste contrato.

Agnelo rebateu a acusação de que teria, como governador eleito, enviado ofício a Rosso solicitando a prorrogação do contrato com a Delta. Segundo ele, o ofício pedia a prorrogação de contratos “essenciais” que vencessem em dezembro e janeiro. Agnelo afirmou que esse não era o caso da Delta, cujo contrato, com duração de 52 meses, venceria em 2015.

– A empresa (Delta) foi desclassificada, e as outras empresas foram qualificadas, e assinaram contrato com a SLU ( Secretaria de Limpeza Urbana) . Veio a decisão judicial, que desqualificou o contrato. No lugar da Qualix e da Valor Ambiental, a SLU assinou contrato com a Delta. O preço baixo da Delta, de certo, tinha motivo para existir. Se os serviços fossem feitos ante um governo amigo, que permitisse ao lucro não ter fiscalização, permitia ter os preços baixos. Mas o governo eleito pelo povo do Distrito Federal não era amigo – disse Agnelo.

Agnelo afirmou ainda que, em janeiro deste ano, iniciou a pesagem dos caminhões de lixo recolhido pela Delta, o que levou a uma redução de R$ 1 milhão nos pagamentos à empresa.

Agnelo também afirmou que não conhece o presidente afastado da Delta, Fernando Cavendish: – Nunca encontrei com o sr. Fernando Cavendish. Nunca encontrei nem socialmente com ele. Nunca tomei café, nada.

Relações com Cachoeira

O governador do DF disse que se encontrou uma única vez com o contraventor Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e que isso ocorreu na época em que era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Agnelo contou que esteve com Carlinhos Cachoeira durante visita de trabalho à empresa Vitaplan, de propriedade do contraventor, em Anápolis (GO). O governador disse que, como diretor da Anvisa, visitava diversas empresas e que, na Vitaplan, manteve contato com a equipe técnica.

Agnelo enfatizou que não há ligação telefônica dele com Cachoeira nas gravações da PF.

– Não tem uma ligação minha, não tem uma ligação comigo ou qualquer secretário meu, do Cachoeira ou do seu grupo diretamente. Voz, interceptação dessas pessoas. Portanto, sr. presidente (da CPMI, senador Vital do Rêgo), acredito que a apuração da Polícia Federal, que respeito muito, muito séria, detalhada, ela não deixa dúvida nenhuma – disse Agnelo.

Segundo o governador, as informações divulgadas na imprensa sobre casas de jogos fora dos limites do DF são “infundadas”: – A história que hoje trago é a de um governo que vem sendo perseguido pelo crime organizado.

Aumento de patrimônio

Agnelo Queiroz afirmou que não há irregularidade em sua evolução patrimonial. Ele explicou que comprou a casa onde mora no período em que estava sem mandato, lembrando que tanto ele quanto a mulher são médicos e, portanto, teriam condições de adquirir o imóvel. O governador disse que a decisão de abrir mão de seus sigilos bancário e fiscal, além do telefônico, tem o objetivo de mostrar justamente isso.

– O único período que não tinha mandato, que não estava cuidando da atividade pública, foi justamente o período em que fiz a aquisição, e isso ser considerado como se fosse um crime ou uma desonestidade, isso é inadmissível, não admito uma coisa dessas.

Agnelo falou sobre o tema ao responder ao relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), que mencionou reportagem do GLOBO, do último domingo, que mostra que o patrimônio de Agnelo cresceu quase 12 vezes de 1998 a 2010. O governador disse à CPI que o ritmo de crescimento se deu nessa velocidade pelo fato de ser um patrimônio pequeno.

– Não quero nenhum tipo de suspeição sobre a minha vida. Eu tenho uma história de vida. Fui deputado distrital, deputado federal, ministro de Estado de Esporte do presidente Lula, e diretor da Anvisa. Uma história como essa, com 30 anos de trabalho, como médico que sou, minha esposa também, já aposentada por tempo de serviço, é evidente que não posso ouvir aleivosias dessa ordem – disse o governador.

Logo no começo do depoimento de Agnelo, alunos de universidade federais em greve protestavam nos corredores. No entanto, não há registro de tumultos.

Agnelo Queiroz, Corrupção, Políticos do PSDB

deputado Francischini (PSDB) já foi apontado pela CPI do Grampo do ES como o operador do equipamento para grampear telefones

Fernando Francischini (PSDB) foi investigado no Espírito Santo. Deputados queriam saber se o deputado era o operador do GuardiãoMesmo sendo do Paraná, o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR) tem aparecido no cenário político brasiliense como o principal acusador do governador Agnelo Queiroz (PT). Ele surgiu, em reportagem da revista Veja, como um dos que tiveram os dados pessoais acessados por integrantes do Executivo distrital, por meio do sistema Infoseg, do Ministério da Justiça. Depois, a Polícia Federal apontou que ele foi vítima de monitoramento pelo sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, a pedido do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

“A quebra ilegal do sigilo de um parlamentar que fiscaliza o uso do dinheiro público é uma afronta à democracia brasileira, ainda mais quando aparelhada pelo próprio Governo”, disse Francischini, após saber que ele foi uma das vítimas das quebras ilegais de sigilo investigadas na operação Monte Carlo, deflagrada pela Policia Federal no mês passado.

Porém, o deputado que hoje reclama de suspostas investigações sigilosas e ilegais, já foi acusado de ser o operador do Guardião no Espírito Santo, equipamento de escuta telefônica cujo uso de maneira ilegal provocou um escândalo de repercussão nacional. Segundo reportagem publicada no jornal Espírito Santo, em outubro de 2009, a Rede Gazeta foi uma das grampeadas, gerando a CPI do Grampo, que tinha Francischini como um dos suspeitos a serem investigados. A investigação, porém, foi abortada.

As escutas ilegais não são os únicos problemas que enfretou Francischini. Segundo o mesmo jornal capixaba, o deputado federal é acusado de envolvimento em crime de latrocínio que vitimou o juiz Alexandre Martins de Castro Filho, responsável pelo inquérito policial militar aberto para investigar Francischini e o soldado Jailson Ribeiro Soares, também encarregado das investigações. O texto sustenta que Soares “caminhava à paisana e desarmado, nas proximidades do edifício Palas Center, no Centro de Vitória, quando foi submetido a uma abordagem policial, patrocinada pelo então subsecretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, e pelos militares estaduais que lhe acompanhavam”, diz o jornal. As descrições dos crimes teriam sido retiradas das conclusões do relatório final do inquérito feitas pelo corregedor coronel Jonas de Brito Silva.

Blog do Callado

Agnelo Queiroz, Brasília, Políticos do PSDB, VEJA

deputado Francischini (PSDB) tramava a queda do governador Agnelo Queiroz (PT), junto com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, e desejava virar governador

Da VEJA, Cachoeira de DadosBrasil 247 – 

Em agosto de 2011, o deputado federal Francisco Francischini (PSDB) foi entrevistado pela revista VEJA (#VEJAbandida) e disse não possuir o “telhado de vidro”, a VEJA ainda o chamou de “policial implacável”.

Sabe-se que não pode-se esperar coisas boas vindas do PSDB, mas o que se descobre agora, é que o deputado federal Francischini (PSDB) possuía relações íntimas com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ele tramava a queda do governador petista Agnelo Queiroz e, segundo gravações feitas pela Polícia Federal, trocaria seu domicílio eleitoral do Paraná para o Distrito Federal com o intuito de virar governador.

Em 16 de abril deste ano, VEJA publicou a reportagem “Espiões vermelhos”, sobre o suposto núcleo de arapongagem no DF, que estaria investigando políticos, empresários e jornalistas, por isso, em Brasília, foi criada a CPI da Arapongagem, para investigar o caso. Uma das supostas vítimas, seria o deputado Fernando Francischini (PSDB/PR), este disse, inclusive, que pediria a prisão do governador Agnelo Queiroz.

No anexo 7 do inquérito (leia mais aqui), há várias menções ao nome de Francischini – e todas elas, anteriores à publicação da reportagem de Veja sobre os “espiões vermelhos”.

No dia 31 de janeiro, Dadá faz referência a uma mensagem enviada por Francischini. Dadá se refere ainda a um contrato na Polícia Civil do Distrito Federal e a um encontro com o parlamentar tucano.

No dia 4 de fevereiro, Dadá telefona para o bicheiro Carlos Cachoeira e revela que vem sendo ajudado por Francischini. Diz até que o parlamentar tucano estaria trazendo seu título de eleitor do Paraná para o Distrito Federal, onde tentaria ser candidato a governador.

– Quem me falou foi um cara que tá ajudando a gente… é, montando um escritório aí, com aquele delegado Francischini, bancando pra fuder o governador… e o Francischini tá trazendo – é deputado federal que é delegado – tá trazendo o título dele para ser candidato a governador.

*

*

*

*

*

*

*

Leia, abaixo, a reportagem “Espiões Vermelhos”, publicada por Veja em 16 de abril deste ano.

VEJA: Espiões vermelhos

16/04/2012

O Ministério Público descobre que o governo petista de Brasília criou uma repartição para investigar aliados, adversários políticos, promotores e jornalistas

Rodrigo Rangel

Desde que assumiu o cargo, no ano passado, o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, vive enredado em denúncias. Já vieram à tona irregularidades dos tempos em que era ministro do Esporte do governo Lula, acusações de cobrança de propina quando era diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, agora, conluio entre seu gabinete e os negócios do contraventor Carlinhos Cachoeira. Agnelo é investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em todos os casos, ele jura inocência e repete que tudo não passa de perseguição política, porque estaria tentando livrar a capital do país de uma rede de corrupção montada por antecessores. O esforço do governador para se afastar dos problemas, no entanto, parece ter extrapolado muito qualquer tática defensiva. Agnelo resolveu investigar clandestinamente seus acusadores, um velho hábito do PT para tentar se safar de denúncias de corrupção a partir da destruição do acusador. Estão no rol do governador políticos, promotores e jornalistas.

A ação ilegal de arapongas a serviço do governador está sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal. Policiais militares formalmente lotados no palácio do governo, a poucos metros de seu gabinete, violaram sistemas oficiais de informações, inclusive da Receita Federal, para levantar dados sobre alvos escolhidos pelo gabinete do governador. A bisbilhotagem, até onde os investigadores já descobriram, começou no fim do ano passado e teve como vítima o deputado Federal Fernando Francischini, do PSDB do Paraná. Delegado da Polícia Federal, Francischini tornou-se inimigo de Agnelo depois de defender publicamente a prisão do governador com base em documentos que comprovariam uma evolução patrimonial incompatível com os vencimentos do petista. A partir daí, começaram a circular em Brasília dossiês com detalhes da vida privada do deputado, que registrou queixa na policia. O Ministério Público, então, passou a investigar a origem das informações que constavam nos dossiês. Para identificar os responsáveis, foram feitos pedidos de informações a órgãos que gerenciam os bancos de dados oficiais.

As primeiras respostas vieram do Ministério da Justiça, que mantém sob sua guarda o Infoseg, sistema que reúne informações sobre todos os brasileiros – desde números de documentos pessoais até endereços e pendengas com a Justiça. Abastecido pelas Polícias do país e protegido por sigilo, o sistema só pode ser aberto por funcionários autorizados em investigações formais. Cada acesso deixa registrada a senha de quem fez a consulta. Seguindo esse rastro, os investigadores descobriram o nome de dois policiais militares de Brasília que haviam consultado informações sobre o deputado Francischini no fim do ano passado, justamente no período em que o parlamentar fez as denúncias contra o governador. Responsáveis pela arapongagem, o subtenente Leonel Saraiva e o sargento Itaelson Rodrigues estavam lotados na Casa Militar do Palácio do Buriti, a sede do governo do Distrito Federal. Detalhe: as consultas haviam sido feitas a partir de computadores do governo localizados dentro do palácio.

Identificados os dois militares, o passo seguinte foi conferir no sistema as outras fichas consultadas por eles. Descobriu-se que os policiais haviam violado informações sobre mais de vinte indivíduos, todos desafetos do governador. Uma das vítimas foi o promotor de Justiça Wilton Queiroz de Lima, coordenador do Núcleo de Inteligência do Ministério Público de Brasília e responsável por algumas das principais investigações que envolvem a gestão de Agnelo. A lista inclui jornalistas cujas reportagens descontentaram o governador. Para surpresa dos investigadores, os arapongas violaram dados até de aliados, como os do vice de Agnelo, o peemedebista Tadeu Filippelli. A mesma sorte teve o chefe de Polícia da capital, Jorge Xavier, que foi seguido e filmado pelos arapongas. No caso do deputado Francischini, a investigação indica que as violações se estenderam aos sistemas da Receita Federal. Dados cadastrais do parlamentar guardados nos arquivos do Fisco foram consultados, no mesmo período, a partir de uma senha de uso exclusivo do governo do Distrito Federal.

Na quinta-feira, VEJA localizou um dos arapongas em pleno expediente no palácio. Ao ser indagado sobre a função que exerce no governo, o subtenente Saraiva silenciou. Sobre os dados pesquisados ilegalmente, saiu pela tangente: “Eu nem tenho acesso a isso”. Já o sargento Itaelson não foi localizado. Coube a outro policial militar, lotado numa das entradas do palácio e conhecido dos arapongas, a confidência sobre a real atividade da área em que trabalham: “É o setor de inteligência”. Os dois militares foram nomeados no fim do ano passado, em atos assinados pelo próprio Agnelo para cargos comissionados na Subsecretaria de Operações da Casa Militar do governo. Eles obedecem ao comando do coronel Rogério Leão, especialista em inteligência, que trocou a área de segurança da Presidência da República pelo governo do Distrito Federal assim que Agnelo tomou posse. O coronel Leão é apontado pelos investigadores como um dos chefes do grupo de espionagem, ao lado de Cláudio Monteiro, agente aposentado da Polícia Civil que era chefe de gabinete de Agnelo até terça-feira. Monteiro foi afastado após virem a público suspeitas de que ele mantinha relações heterodoxas com o grupo de Carlinhos Cachoeira.

A VEJA, o coronel Leão admitiu que foram feitas pesquisas sobre Francischini e as atribui uma norma que ele próprio baixou: “A ordem aqui é para levantar informações sobre todas as pessoas, independentemente de quem sejam, que atentam contra a integridade do governador”. O coronel diz que, no caso do deputado, os dados foram levantados porque ele teria convocado uma manifestação contra Agnelo num shopping de Brasília. “A gente pesquisa pessoas e não sabe se é deputado ou não. Afinal, são mais de 500 deputados federais em Brasília. Nesse caso, não havia informação de que ele é deputado”, afirmou. Ele negou ter conhecimento de relatórios sobre promotores e, a respeito de jornalistas, disse saber apenas de algumas “pesquisas” acerca de Edson Sombra, um dos pivôs da queda de José Roberto Arruda e titular de um blog com críticas ferrenhas a Agnelo. O vice-governador Filippelli disse que nunca soube da existência do grupo de inteligência e que pedirá “esclarecimentos oficiais” sobre o assunto. Já o governador Agnelo declarou que nunca foi informado sobre pesquisas envolvendo políticos, promotores e jornalistas. O governador afirmou ainda que, se houve violação das normas dos serviços de inteligência, ele tomará as providências cabíveis.

Agnelo Queiroz, Brasília, Corrupção, CPIs, Goiás, Marconi Perillo

Mídia mentiu para envolver o governador Agnelo Queiroz (PT/DF) no esquema do bicheiro Cachoeira

Brasília 247 – O inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), revelado na íntegra com exclusividade pelo Brasil 247, mostra que o contraventor Carlos Cachoeira chamava o governador do estado de Goiás, Marconi Perillo, de número 1 entre seus interlocutores.

Confira a transcrição da passagem que chama Marconi de número 1, localizada na página 94 do volume 7 do inquérito.

TELEFONE NOME DO ALVO

31601002’7445095 CARLOS AUGUSTO DE ALMEIDA RAMOS• MONTE CARLO

INTERLOCUTORES/COMENTÁRIO

CARLINHOS X CLAUDIO(I’LX)

DATA/HORA INICIAL DATAIHORA FINAL DURAÇÃO

15/07/2011 19:32:21 15/07/2011 19:33:16 00:00:55

ALVO INTERLOCUTOR ORIGEM DA LIGAÇÃO TIPO

316010027445095 316010027459804 316010027459804 R

•RESUMO

CLAUDIO pergunta se não tem jeito de EDIVALDO ir para o lugar de JOÃO FURTADO e como foi a conversa com o NÚMERO I (MARCONI). CARUNHOS diz que MARCONI quer falar com ele pessoalemente c marcou um encontro na quarta-feira à noite na casa de MARCONT.

As investigações apresentadas no volume 7 do inquérito mostram que Carlos Cachoeira tinha participações no governo do Estado de Goiás, como apresentado na transcrição abaixo.

“Os contatos onde o GOVERNADOR MARCONI PERILLO é citado demonstram claramente o envolvimento de CARLINHOS CACHOEIRA com o GOVERNO do ESTADO de GOIÁS, dando a entender que CACHOEIRA teria influência em algumas decisões tomadas pelo GOVERNO. Há diversos áudios que indicam o envio de recados, tanto da parte do GOVERNADOR para CARLINHOS, quanto o inverso, sendo o SENADOR DEMÓSTENES TORRES, EDIVALDO CARDOSO e WLADIMIR GARCEZ os principais emissários destes recados. Alguns diálogos demonstram intimidade entre o GOVERNADOR e pessoas ligadas a CARLINHOS, como ocorreu no episódio da morte de uma pessoa conhecida por DEOCLECIANO.”

Para acessar o volume 7 do inquérito na íntegra, clique aqui.