Lula, PSDB, VEJA, Wikileaks

Julian Assange recusa convite para congresso do PSDB. A coerência do PSDB e a ética da VEJA ficaram onde?

Da coluna de Vera Guimarães no Blog da Folha

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, recusou convite do PSDB para participar do congresso da Juventude do partido, que acontece em dezembro, em Goiânia.

O PSDB já dava como certa a participação de Assange, mas em email enviado ao secretário-geral da Juventude Tucana, Wesley Goggi, um emissário de Assange diz que ele agradece o convite, mas não poderá comparecer ao evento.

Pede, ainda, que o nome do fundador da organização seja “retirado” de materiais “promocionais” do congresso.

 

Ficou realmente comprovada a má fama do PSDB no exterior (haha), mas precisamos criticar a falta de coerência do PSDB na história.

Em 2010, o senador Eduardo Azeredo (PSDB), pelo twitter, criticou Lula por ter oferecido asilo político ao Julian Assange. Ele achou um absurdo tal postura:

E agora o PSDB quer convidá-lo ao Congresso da Juventude? Faltou coerência no ninho tucano.

Como todos sabem, as vezes a revista VEJA age como assessora de imprensa do PSDB e o colunista Lauro Jardim saiu com essa:

Conclusão: A recusa de Assange não foi pela falta de coerência tucana, mas sim pela ação oculta do PT.

Estadão, Lula, Wikileaks

Estadão adultera WikiLeaks para atingir Lula

Saiu no Blog do Nassif:

 

Wikileaks: carta do embaixador enfatiza colaboração com o Brasil


Comentários do post “Wikileaks divulga carta sobre corrupção no governo Lula”, matéria do Estadão


Por Andre Borges Lopes


Nassif, usando a velha terminologia tipográfica, o texto da embaixada tem 8057 toques. O Estadão garimpou até achar o que lhe interessava. Ignorou quase todo o resto e fez o resumo do conteúdo com base nessa frase, de 77 toques:


Persistent and widespread corruption affects all three branches of government. Ao pé da letra: Corrupção persistente e generalizada afeta (ou atinge) todos os três poderes do governo.


Na sua “tradução”, o Estadão arranjou um jeitinho de colocar a expressão “governo Lula” na boca da diplomacia americana, para que o resultado ficasse assim:


A diplomacia americana considera que a corrupção durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva era “generalizada e persistente” e atingia todos os Três Poderes.


Na manchete, adiciona-se um pouco mais de veneno: há uma sutil substituição de “corrupção durante o governo” por “corrupção no governo Lula” e uma troca do neutro “considera” para uma ilação negativa de “mostra preocupação”. O resultado fica assim:


Carta de embaixador dos EUA mostra preocupação com corrupção no governo Lula


Curiosamente, na própria carta diplomática, o nome de Lula só aparece uma única vez, e dentro da seguinte frase:


While continuing to pursue stability among Brazil’s ten South American neighbors, President Luiz Inacio Lula da Silva and Foreign Minister Celso Amorim have spent seven years aggressively reaching out to Africa, the Middle East, and Asia, as well as taking a prominent role in global trade, climate change, nuclear non-proliferation, and economic discussions.


Em tradução livre: “Ao mesmo tempo em que continuam a incentivar a estabilidade entre os dez vizinhos sul americanos do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Celso Amorim passaram os últimos sete anos atuando de forma agressiva em direção a África, Oriente Médio e Ásia, bem como tendo um papel de destaque no comércio mundial, nas alterações climáticas, na não-proliferação nuclear, e nas discussões econômicas.”


Por motivos mais que óbvios, tal frase foi solenemente ignorada pelo jornal.


Essa matéria do Estadão merece ser emoldurada e pendurada ao lado do telegrama original na galeria dos “Anais do PIG”. É uma verdadeira aula de como funcionam os jornalões tupiniquins.

América Latina, EUA, Wikileaks

WikiLeaks revela Vaticano querendo governar América Latina e preocupado com esquerdistas

A eleição de presidentesesquerdistas na América Latina preocupou o Vaticano, conforme mostrou um documento diplomático escrito em 2007 e divulgado pelo Wikileaks. Em conversas entre o ex-embaixador norte-americano Francis Rooney no país e o cardeal argentino Leonardo Sandri, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi definido como “um perigo para os governos da América Latina”.

Segundo o despacho, Rooney e Sandri compartilhavam a ideia de que a Venezuela exerce um “influência nefasta” na região e ambos demonstraram “preocupação com Chávez e os outros esquerdistas”.

Para o Vaticano, os presidentes de esquerda que governam países da América Latina, como Chávez e os irmãos Fidel e Raúl Castro, em Cuba, estão “conectados entre si”. De acordo com Sandri, que também era prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais no Vaticano, o assunto despertou a preocupação do próprio Bento XVI, que na mesma época visitou o Brasil.

Para o embaixador norte-americano, as opiniões de Sandri sobre a América Latina e especificamente sobre a Venezuela têm “grande influência” no Vaticano, já que o cardeal foi núncio apostólico no país.
Já Sandri afirmou que se convenceu do perigo que Chávez representa no momento em chegou em Caracas. Para ele, o presidente venezuelano adotou uma linha “mais dura” do que a embaixada norte-americana na época.

O Vaticano, por sua vez, concorda com a “periculosidade” do presidente venezuelano e de seus aliados esquerdistas, mas considera “extremamente complicado” lidar com a situação.

Em razão disso, a Santa Sé não mudou seu posicionamento diante da Venezuela, pois segundo o cardeal, a melhor estratégia é não contrariar Chávez. Mesmo assim, Sandr elogiou a iniciativa dos EUA de ajudar diretamente a Igreja Católica venezuelana como forma de neutralizar a influência do presidente venezuelano.

Pragmatismo Político

Lula, VEJA, Wikileaks

WikiLeaks: Revista Veja mentiu ao ligar PT com as FARC para prejudicar Lula

Até os EUA reconhecem desonestidade da Veja
No dia 16 de março de 2005, a revista semanal Veja publicou a matéria “Os Tentáculos das FARC no Brasil” (foto), em que detalhava uma possível relação entre membros do PT (Partido dos Trabalhadores) com a guerrilha colombiana. O caso, porém, foi relatado pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília como um exagero, além de uma tentativa de “manobra política“. O documento da embaixada com o relato foi divulgado pelo Wikileaks.

Segundo a matéria, candidatos petistas teriam recebido 5 milhões de dólares da guerrilha durante uma reunião no ano de 2002, em uma fazenda próxima a Brasília. Na ocasião, membros do PT teriam se encontrado com o representante da organização colombiana no país, Francisco Antonio Cadenas, e acertado os detalhes. O objetivo seria financiar a campanha de reeleição do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

O partido, porém, negou as acusações e a Veja não conseguiu provas documentais sobre a transferência de dinheiro.

Para embaixada norte-americana, a revista “exagerou o real nível das relações entre as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o PT”, segundo o documento datado de março de 2005. Isso porque, após as acusações, membros da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em Brasília, que de acordo com a revista, estavam infiltrados no encontro, não obtiveram provas concretas sobre o recebimento de dinheiro.

Citado pela embaixada norte-americana, o general Jorge Armando Felix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Abin e que acompanhou a investigação, afirmou que os documentos internos da agência citados pela Veja como provas foram “forjados”, já que não estavam nas formatações da agência.

“O que foi publicado é uma mistura de meias verdades e meias mentiras. Nós não temos qualquer documento oficial que prove que o encontro ocorreu”, afirmou o delegado e chefe da Abin, Mauro Marcelo, também citado no despacho.

No documento, fica explícito o estranhamento do embaixador norte-americano em relação a demora de três anos para divulgação do possível financiamento. “A história mais parece uma manobra política. O que é incontestável é que os membros do PT e representantes das FARC estiveram juntos em um encontro, mas não há provas de colaboração financeira”, disse.
Para ele, o que deveria ser uma denúncia importante tornou-se uma ferramenta arquitetada pela Veja para minar a candidatura de Lula ao segundo mandato. “Enquanto os opositores e a outros veículos de comunicação estão notavelmente desinteressados em prosseguir com as acusações e investigações, parece que a Veja está exagerando os fatos”, conclui o embaixador.

Opera Mundi

América Latina, EUA, Wikileaks

Equador pede saída da embaixadora dos EUA após denúncia do Wikileaks

O governo do Equador declarou a embaixadora dos Estados Unidos em Quito, Heather Hodges, como “persona non grata” e pediu a ela que saia imediatamente do país. A reação acontece um dia após o jornal espanhol El Pais divulgar um despacho vazado pelo Wikileaks em que Hodges questiona, em 2008, a nomeação de um oficial da polícia que teria antecedentes criminais.

“Pedimos que ela abandone o país no menor prazo possível”, disse nesta terça-feira (05/04) em entrevista coletiva o chanceler do Equador, Ricardo Patiño. Segundo ele, a decisão “de nenhuma maneira tem a intenção de afetar as relações com os EUA”.

Na segunda-feira, Patiño chamou Hodges em seu escritório para pedir explicações sobre o documento, mas a diplomata disse que o material da embaixada norte-americana havia sido roubado e que nem ela nem seu governo fariam comentários a respeito dele, relatou o chanceler equatoriano.

Leia a íntegra do documento, em inglês, no Operaleaks.

Segundo Patiño, a qualificação da embaixadora como “persona non grata” “é destinada a uma funcionária que fez um despacho dessa natureza e que depois não apresentou nenhum esclarecimento”.

Patiño afirmou que o Equador não chamará para consultas seu embaixador em Washington, pois sua reação não é contra o governo dorte-americano, “mas contra estes documentos que foram supostamente assinados pela senhora embaixadora”.

Documento

No telegrama diplomático de 2008, a embaixada dos EUA em Quito afirma que “a corrupção é generalizada nos quadros da polícia” equatoriana. O documento diz que o ex-comandante geral da Polícia Jaime Hurtado Vaca, que renunciou ao cargo em maio de 2009, “usou seu poder como máxima autoridade da corporação para extorquir”, acumular dinheiro, facilitar o tráfico de pessoas e proteger outros agentes envolvidos em corrupção.

Além disso, o despacho alega que as atividades corruptas eram tão conhecidas que “alguns funcionários da embaixada (dos EUA) acham que o presidente (Rafael) Correa devia ter conhecimento delas” quando o nomeou (para a chefia da Polícia). “Esses observadores acham que Correa pode ter desejado um chefe de polícia a quem pudesse manipular facilmente”, diz a correspondência.

Em entrevista à Agência Efe, Patiño qualificou a declaração “falsa” e “absolutamente irresponsável”. “É absolutamente inaceitável, nosso governo não pode aceitar este tipo de informação, que foi dada por parte da senhora embaixadora (dos EUA) em nosso país”, afirmou Patiño.

 

OperaMundi

Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, José Serra, PMDB, Wikileaks

WikiLeaks: Kassab motivou disputa interna entre Serra e Alckmin

Documentos recentemente revelados pelo WikiLeaks ajudam a entender mais sobre a disputa interna no PSDB paulista. Telegramas já divulgados mostraram que em 2005 e 2006, houve uma dura quebra de braço entre José Serra e Geraldo Alckmin em busca da candidatura tucana para as eleições presidenciais de 2006.

Por Juliana Sada, no blog Escrevinhador

Novos documentos mostram agora como foi a disputa interna para a prefeitura de São Paulo em 2008, que tinha como pano de fundo as eleições presidenciais de 2010. Entre 2007 e 2008, setores dos dois políticos voltaram a travar uma disputa interna. Alckmin, após perder a corrida presidencial, desejava concorrer à prefeitura de São Paulo.

Entretanto, os serristas desejavam apoiar a reeleição de Gilberto Kassab, então do DEM. Este tinha assumido o cargo de prefeito quando Serra deixou o posto para concorrer ao governo paulista em 2006. Deste modo, diversos tucanos seguiram ocupando seus cargos na prefeitura e temiam perdê-los se Alckmin fosse prefeito. Além disto, a sua vitória poderia colocá-lo outra vez como candidato presidencial do PSDB em 2010.

Alckmin, por sua vez, teria sido encorajado a lançar a candidatura por Aécio Neves (PSDB-MG). Indiretamente, o mineiro estaria tentando enfraquecer José Serra e aumentar suas chances de ser candidato à presidência em 2010.

PSDB dividido

Para Walter Feldman, então secretário de Esportes e Lazer de São Paulo, se Alckmin saísse candidato, ele e todos os tucanos na prefeitura ficariam “paralisados”, divididos entre a lealdade ao seu partido e à administração a qual servem. Feldman afirmou que a candidatura de Alckmin “seria um desastre”, classificando-a de “conspiração” e “ato unilateral”.

De acordo com os telegramas, diversos líderes do PSDB e DEM tentaram dissuadir Alckmin da candidatura, entretanto, ele seguiu determinado e “os líderes dos partidos começaram a aceitar a inevitabilidade de sua candidatura”.

Aloysio Nunes, então chefe da Casa Civil paulista, falou aos oficiais da embaixada que, se Alckmin “decide concorrer, ninguém pode segurá-lo, e os quadros do PSDB irão apoiá-lo, gostem ou não”. Já Andrea Matarazzo, aliado de Serra e secretário de Coordenação de Subprefeituras, elogiou o desempenho de Kassab — mas afirmou que, se “Alckmin desejar ser o candidato, nós não podemos fazer campanha contra ele”.

O deputado José Aníbal, partidário de Alckmin, fez uma avaliação da situação para os membros do consulado. Para ele, o apoio de Serra a Kassab era um erro político baseado no medo de que Alckmin, se eleito prefeito, usaria sua base política para apoiar Aécio Neves, em 2010. Aníbal afirmou que os dois iriam trabalhar bem juntos, “a não ser que os dois sejam idiotas”, pois não têm nada a ganhar brigando entre si.

Andrea Matarazzo classificou de “absurda” a ideia de que o PSDB estaria dividido entre apoiadores de Serra e de Alckmin. Para ele, a divisão se dá entre facções pró-Serra e anti-Serra. A polêmica residiria no “estilo diferente de administração” do tucano, que envolveria “fazer o que tem que ser feito”, sem favores ou interesses especiais.

Convenções partidárias

Já em abril, o PMDB declarou seu apoio a Gilberto Kassab — tornando-o um aliado ainda mais atrativo já que gozaria de um extenso tempo de TV. Telegrama do consulado afirma que “a maioria dos observadores políticos veem a aliança Quércia-Kassab como uma manobra de bastidores feita por Serra para isolar e desmoralizar Alckmin na esperança de convencê-lo a desistir de sua candidatura”. Ainda assim, publicamente, Serra declarava que, se Alckmin quisesse ser o candidato, teria seu apoio.

 

EUA, Wikileaks

#Wikileaks: Meirelles pediu lobby dos EUA para independência do BC

Próximo das eleições de 2006, o então presidente do Banco Central Henrique Meirelles pediu aos EUA que atuassem junto ao governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que fosse dada ao BC mais independência, de acordo com documentos secretos do Departamento de Estado norte-americano.


Em conversa com diplomatas norte-americanos em 9 de agosto de 2006, Meirelles prometeu pressionar nos bastidores por mudanças regulatórias que criassem um ambiente de investimento melhor para empresários norte-americanos no Brasil.


O documento, obtido pelo WikiLeaks, pode se tornar embaraçoso para Meirelles, que se prepara para assumir um novo e importante papel no governo brasileiro. Também pode colocar novamente no foco a suscetibilidade do BC à interferência política.


“Meirelles pediu que [o governo dos EUA] usasse discretamente sua relação [com o Brasil] para discutir a importância de levar ao Congresso uma legislação garantindo ao Banco Central essa autonomia”, escreveram os funcionários da embaixada norte-americana no documento, que detalhou o encontro inicial entre o embaixador Clifford Sobel e Meirelles.


Ele argumentou que o secretário de Tesouro Henry Paulson em particular seria capaz de tratar desse assunto com o presidente Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.


Meirelles nunca solicitou formalmente independência para o Banco Central, mas Lula deu ao então chefe do BC um mandato relativamente livre para definir a política monetária durante os oito anos em que ficou no posto. O comando de Meirelles terminou no final do ano passado, antes de Alexandre Tombini assumir o posto no governo de Dilma Rousseff.


A falta de autonomia legal abriu caminho para tensões entre Meirelles e Mantega sobre o patamar das taxas de juros, alimentando temores de que a política monetária poderia ser vulnerável a pressões políticas.


O gabinete de Mantega disse que nunca foi informado pelos Estados Unidos sobre a questão da independência do BC, enquanto Meirelles refutou o conteúdo do documento norte-americano.


“As declarações atribuídas a mim não refletem com propriedade o tema de qualquer conversa que eu tenha tido”, afirmou Meirelles via e-mail.


O ex-embaixador dos EUA Sobel não quis comentar o assunto.


De acordo com o documento do governo americano, Meirelles identificou “a falta de experiência governamental entre os principais assessores de Lula” como um “segundo conjunto de dificuldades” para investidores.


Ele elogiou Dilma, que era ministra-chefe da Casa Civil na ocasião, dizendo que ela era “muito esperta”, mas ressaltou que “ela ainda traz alguma bagagem ideológica à função”.


Meirelles se ofereceu para “contribuir nos bastidores em pressionar por reformas regulatórioas prioritárias para melhorar o clima de negócios”, segundo o documento.